O que é Keynesianismo

A teoria Keynesiana, desenvolvida pelo economista britânico, John Maynard Keynes refuta o princípio de que a economia pode se recuperar sozinha quando confrontada com uma crise.

Ela ganhou corpo a partir da constatação de que, em períodos recessivos, trabalhadores perdiam os seus empregos mesmo quando aceitavam receber um salário menor. A lógica por trás desse fenômeno não é difícil de entender: as empresas reduziam os preços dos seus produtos e serviços demitindo parte do seu quadro de funcionários.

Dado que o fator “capital”, representado por máquinas e instalações (investimentos), era mais difícil de se ajustar à crise, a solução era por meio do ajuste no fator “trabalho”. A proposta de Keynes, portanto, era a expansão de gastos do governo para a geração de empregos.

Assim, o governo deveria gastar tanto quanto fosse possível para se alcançar a situação de pleno emprego. O New Deal, plano do governo Roosevelt para reverter os efeitos da Grande Depressão de 1929, amparou-se exatamente nesse conceito.

Quais as principais variáveis do Keynesianismo?

Em uma situação de equilíbrio, a oferta total na economia (oferta agregada, na sigla OA) encontra o seu correspondente na demanda agregada, composta por:

  • Consumo (C);
  • Investimento (I);
  • Gastos do governo (G);
  • A diferença entre exportações (E) e importações (I).

Chegando-se, portanto, à equação:

OA = C + I + G + (E – I)

Durante uma crise, a oferta encontra-se acima da demanda, o que faz com que as empresas acumulem estoques.

Aumentar os gastos do governo (G) enquanto todas as demais variáveis estão se reduzindo é a forma de se voltar ao equilíbrio, sendo exatamente esse o trabalho contracíclico a ser realizado pelo Estado.

Apesar de, em um primeiro momento, ele só representar as atividades do governo, essa dinâmica acaba por impactar os demais agentes (efeito multiplicador), dado que a maior atividade econômica fomenta o consumo e o investimento, como também a importação de bens e serviços.

Como consequência, espera-se que o crescimento no PIB seja maior do que o custo do estímulo fiscal (valor gasto pelo governo).

Quais as principais limitações do Keynesianismo?

Uma maior quantidade de gastos por parte do governo implica que ele deve emitir mais dívida para se financiar. Em épocas de crise, em que a arrecadação por meio de impostos também cai, a capacidade de endividamento do Estado é limitada pelo custo (taxa de juros) que os agentes financeiros demandam para comprar títulos públicos.

Mesmo que ele se financie, um efeito colateral dos gastos do governo é o aumento de preços em um quadro de alto desemprego. Fenômeno conhecido como “estagflação”, seus efeitos são bastante perversos.

Pagar juros mais altos enquanto a recessão não se dissipa torna o processo custoso para toda a sociedade: descartando-se os casos de calote, a única opção é o governo tributar mais no futuro.

O Keynesianismo se aplica ao mundo atual?

Apesar do Keynesianismo ter sido adotado nos anos que sucederam a crise de 2008, a nova ordem mundial não pode mais ser representada pelo modelo Keynesiano. Isso se deve ao fato de a globalização ter deslocado das esferas governamentais as variáveis de investimento e produção.

Hoje, enquanto o consumo se encontra nos Estados Unidos e na Europa, o investimento e a produção estão na Ásia. Isso quer dizer que, enquanto a produtividade das cadeias globais gera aumento de renda na Ásia, Estados Unidos e Europa se endividam para consumir.

Como consequência, mais do que apenas prover o bem-estar social, os governos desses países viram-se forçados a baixar as taxas de juros às mínimas históricas para que os consumidores pudessem continuar consumindo e, ao mesmo tempo, administrando a grande pilha de dívidas que acumularam ao longo dos anos.