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Justificação pelo Esforço

O que é a Justificação pelo Esforço?

É chamada de justificação pelo esforço (em Inglês, effort justification) a tendência natural humana de, ao analisar o valor de uma atividade e/ou conquista, considerar mais valiosa aquela em que se colocou (ou coloca) mais esforço para concluir.

Em outras palavras, é a propensão mental de enaltecer o que é mais difícil, ainda que objetivamente tenha uma relevância igual ou inferior a de outros itens em que o esforço aplicado é menor.

Parte disso se dá porque, a despeito do que gostamos de afirmamos, apenas uma pequena parcela dos nossos julgamentos é racional. A outra, majoritária, está impregnada com nossas emoções.

É por isso que quando um animal de estimação morre, não se pode apenas substitui-lo por outro de mesma raça, esperando que o dono fique satisfeito e esqueça o luto. Na racionalidade, a substituição não afeta tanto a "serventia" dos pets (a companhia continua garantida, seguindo essa lógica).

Mas no emocional, há uma conexão especial com aquele bichinho que se foi que não pode ser substituída por outro, apenas porque tem a mesma aparência daquele.

Esse exemplo serve para vermos que essa carga de emoção nos nossos julgamentos não é totalmente prejudicial. É ela que dá significado à experiência humana.

O problema nasce, no entanto, quando a parcela emocional distorce as nossas análises, fazendo com que acreditemos em mentiras apenas porque parecem verdade e são mais confortáveis. Assim, tomamos decisões ruins que podem causar enormes danos às nossas vidas - um processo que entenderemos melhor ao longo do texto.


Como a Justificação pelo Esforço funciona?

No caso de um viés cognitivo como a justificação pelo esforço, um dos melhores exemplos de sua "interferência" no nosso julgamento são as histórias.

Imagine um filme em que uma atleta, desde o início da carreira, ganha todas as disputas. Para facilitar, suponhamos que ela seja uma nadadora. Então, todas as vezes que ela entra na piscina, vence sem dificuldade as suas adversárias. Pode ser incrível no começo, mas depois de um tempo, acompanhar os seus repetidos sucessos acaba ficando "um porre", certo? Não é há um obstáculo, uma dificuldade, nada que torne o seu percurso mais complicado.

Por outro lado, se a história narra a jornada de uma também nadadora, que tem origens humildes e/ou não conta com qualquer tipo de apoio familiar e de patrocinadores nas competições, tendo que se tornar a melhor "na marra", o nosso interesse cresce. Quanto maior o obstáculo que ela vence, mais "merecedora" da vitória a consideramos.

Espera aí! Na prática, ambas as atletas têm mérito. Afinal, ambas entraram na piscina, ambas nadaram muito bem e ambas chegaram em primeiro lugar. Por que o nosso cérebro,então, não as enxerga da mesma forma?

A responsabilidade, nós já sabemos, é da justificação pelo esforço.

Aqui, o "custo" para se alcançar o objetivo também tem um peso no julgamento de valor - e um peso bem alto.

Na natureza, por sua vez, isso não existe. Nenhum leão deixa de comer um cervo porque não teve que correr o suficiente para capturá-lo. Nenhum filhote se nega a receber o alimento trazido por sua mamãe-águia porque ela não teve grande dificuldade na caçada. A relevância dos resultados é determinada objetivamente.

Como a Justificação pelo Esforço afeta as suas finanças?

A principal influência desse viés sobre o seu dinheiro se dá por fundamentar outros vieses.

Você já ouviu falar no viés de custo afundado, na escalada de compromisso, no viés de resultado e no efeito IKEA? Todos eles são criados e/ou reforçados pela justificação pelo esforço.

Quer dizer, todos eles nos convencem a fazer escolhas prejudiciais para a nossa saúde financeira, baseados em um princípio de merecimento. Veja bem:

  • No viés de custo afundado e na escalada de compromisso, as pessoas se recusam a abandonar um projeto ou investimento que traz prejuízos porque já aplicaram muito tempo, energia ou dinheiro naquilo. "Eu me esforcei demais para abandonar o barco agora", elas pensam;
  • No viés de resultado, elas vêm ações que antes consideravam como um desperdício de tempo, energia ou dinheiro, agora como parte do esforço que torna a vitória mais interessante;
  • No efeito IKEA, a avaliação de um objeto é superestimada apenas porque foram feitas por suas próprias mãos, isto é, porque eles se esforçaram para construí-lo.

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