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Inflação Inercial

O que é Inflação Inercial

Inflação Inercial é um tipo específico de inflação e, possivelmente, um dos conceitos mais complexos em Economia. Surgiu a partir de uma teoria desenvolvida no começo da década de 1980, por economistas brasileiros, e explica as taxas de inflação altas e relativamente estáveis que são encontradas, especialmente, nos países da América Latina.

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Entendendo a Inflação Inercial

O termo "inercial" vem de inércia, que significa estar parado. Porém, a inflação inercial não é uma inflação completamente estável. Na realidade, sua natureza é de apresentar uma aceleração moderada, mas contínua. Em outras palavras, é um tipo de inflação que apresenta taxas crescentes, sem que sejam explosivas.

Para entender melhor, vale a pena diferenciar a inflação inercial de outros dois tipos: a comum e a hiperinflação.

A inflação comum, mais encontrada em países desenvolvidos, orbita sempre em torno de um patamar fixo e baixo (menos de 10% ao ano), e pode subir ou descer conforme os ciclos da economia e as políticas adotadas. A inflação inercial difere da comum, então, por dois fatores: pelo fato de que está sempre crescendo e pelo fato de que seu patamar é mais elevado.

Por outro lado, a hiperinflação, mais encontrada em países em grave crise, é caracterizada por um crescimento explosivo da taxa inflacionária, que sobe vários pontos de um dia para o outro. A inflação inercial difere da hiperinflação, então, por um fator: o ritmo de aceleração, que é mais gradual.

História da Inflação Inercial

Segundo especialistas, a inflação inercial passou a ser percebida, no Brasil, como um problema grave, durante o governo Geisel. Com o primeiro choque do petróleo, em 1973, a inflação atingiu o patamar de 35% ao ano. Até 1978, o patamar da taxa ficou em torno de 37% a.a.

Na época, a inércia inflacionária foi oficialmente reconhecida pelo governo, mas não foi controlada, pois as propostas apresentadas pelo Ministro da Fazenda (que incluíam a realização de um reajuste dos salários nominais a cada 12 meses) não foram bem recebidas nem por empresários e nem por sindicalistas.

Base da Teoria da Inflação Inercial

A teoria da inflação inercial apresenta uma base, que é vista em qualquer corrente variante sobre o assunto.

Essa base é a ideia de que dois componentes estão presentes em processos inflacionários crônicos: um componente chamado de tendência, que é autônomo, isto é, se reproduz a partir de si mesmo; e um componente chamado choque, que é responsável pela mudança de patamar da taxa.

Ou seja, a tendência é o que faz a taxa de inflação subir constantemente, enquanto o choque é o que faz ela passar de um patamar para o próximo. 

É interessante notar que, considerando o componente tendência, o simples fato de existir inflação em um período já implica que vai existir inflação no próximo, mantendo o mesmo ritmo de aceleração.

Isso remete à definição física de "inércia" – um corpo tende a permanecer em movimento, a menos que uma força seja aplicada sobre ele. No caso da economia, é a taxa de inflação que tende a continuar crescendo, a menos que sejam adotadas medidas para contê-la.

Controle da Inflação Inercial

Existe um forte debate sobre qual seria a melhor estratégia para o controle da inflação inercial. Luiz Carlos Bresser-Pereira, um dos maiores especialistas no assunto, apresentou em 1984 uma proposta chamada de "solução heroica", que consistia em implementar um sistema de guias de preço.

No mesmo ano, Francisco Lopes apresentou a proposta de "choque heterodoxo", que consistia em realizar um rápido congelamento de preços para quebrar a inércia. 

Uma terceira alternativa era a indexação, que foi apresentada por meio da Proposta Larida, criada por André Lara Resende e Pérsio Arida. Ela foi a base teórica por trás do Plano Real.

Essas alternativas se opunham às propostas ortodoxas, as políticas mais adotadas na época, que se baseavam em fortes ajustes fiscais e criações de âncoras monetárias, e que não trouxeram os resultados esperados.

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