Última modificação em 14 de outubro de 2019

Quem é Gustavo Loyola?

Gustavo Loyola, sócio-diretor da empresa Tendências Consultoria Integrada, é doutor em economia pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).

Além de economista de destaque, foi presidente do Banco Central (BC) nos períodos entre 1992 e 1993 e entre 1995 e 1997, colocando-se na privilegiada posição de comandar a instituição em dois momentos bastante distintos do Brasil: antes e depois do Plano Real.

Funcionário de carreira do BC, teve a oportunidade de obter uma visão global de como ele funciona, tendo ocupado ainda outros cargos importantes como diretor de Normas do Mercado Financeiro e chefe do Departamento de Normas do Mercado de Capitais.

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Qual a relação entre Gustavo Loyola e crise dos bancos?

O primeiro mandato de Gustavo Loyola como presidente do BC foi bastante breve, tendo durado aproximadamente 5 meses.

Seu segundo mandato foi maior, com pouco mais de 2 anos.  Foi durante esse tempo que teve que lidar com os bancos estaduais que passavam por dificuldades financeiras.

Cargos preenchidos por indicações políticas ou créditos concedidos como facilitadores de favores formaram rombos nas contas desses bancos.  Muitos deles foram liquidados ou privatizados por meio de um programa chamado Proes.  Os poucos que sobreviveram foram submetidos às regras mais rígidas aplicadas aos bancos privados.

Os bancos públicos federais, por sua vez, foram socorridos com um outro programa, o Proef.  Apenas com eles, o governo gastou algo em torno de R$ 60 bilhões.

A falta dos ganhos financeiros, que minguaram quando a inflação se estabilizou com o Plano Real, não poupou nem mesmo os bancos privados.  O Proer foi o programa responsável por saneá-los.

Ele continuou ativo até o ano de 2001, quando foi aprovada a Lei de Responsabilidade Fiscal.  Ao exigir autorização do Congresso para o uso de recursos públicos, eliminou-se de vez esse mecanismo de socorro aos bancos.

Apesar dos custos, todo esse processo permitiu uma completa reformulação do Sistema Financeiro Nacional (SFN), tornando-o mais seguro e sólido.  O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi um dos aperfeiçoamentos da época.

Ainda assim, não faltam críticas ao resultado alcançado: a tão temida crise sistêmica foi evitada às custas de uma maior concentração bancária.

Qual a opinião de Gustavo Loyola sobre as criptomoedas?

Perguntado sobre a viabilidade do bitcoin, Gustavo Loyola foi taxativo:

“Como unidade de conta o bitcoin é imprestável, diante da volatilidade.  Pelo mesmo motivo, é menos confiável como reserva de valor.”

Ele fazia referência às principais funções de uma moeda:

  1. Meio de troca: para o pagamento de bens e serviços;
  2. Unidade de conta: indica a quantidade necessária para que cada troca seja efetuada;
  3. Reserva de valor: o que permite a formação de riqueza.

Ilustrando uma experiência que poderia se tornar comum, ele mencionou:

“Ninguém quer passar pela situação de achar que tinha US$ 5 milhões guardados e descobrir que no dia seguinte só tem US$ 1 milhão.”

Dito isso, ele ainda vê algumas possibilidades para as criptomoedas:

Qual a opinião de Gustavo Loyola sobre as fintechs?

Muitos acreditam que as fintechs promoverão maior competição no mercado bancário, reduzindo os juros cobrados, pois usam estruturas mais enxutas e oferecem produtos inovadores.

Para Gustavo Loyola, por mais que a concorrência seja benéfica, muitos dos custos arcados pelos bancos são em função de uma legislação que permitiu que o país enfrentasse a crise de 2008 sem muitos problemas.

Não fosse a solidez do sistema, não haveria nem mesmo uma infraestrutura básica para as fintechs operarem.  Afinal, elas recebem recursos via transferências feitas dentro do próprio sistema bancário.

Como se sabe bem, nenhum investidor-anjo entrega uma mala de dinheiro quando decide investir em uma startup.

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