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Gustavo Franco

Quem é Gustavo Franco?

Gustavo Franco, que é economista, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da gestora Rio Bravo Investimentos, fez parte da equipe econômica que implementou o Plano Real.  Isso por si só já lhe garantiria posição de destaque.

Apesar do sucesso do plano econômico (Gustavo Franco é o protagonista do filme “Real: o plano por trás de história”), ele teve uma gestão bastante difícil à frente do BC (entre 1997 e 1999).  Durante o seu mandato, enfrentou as crises da Ásia, em 1997, e da Rússia, no ano seguinte.

Em 2000, se tornou fundador da Rio Bravo Investimentos.  Gestora de nicho e precursora dos fundos imobiliários, ampliou seu escopo de atuação até ser comprada pela chinesa Fosun no processo de consolidação promovido com a chegada das gestoras internacionais ao país.

Atualmente, dedica-se a escrever livros e artigos acadêmicos, além de ser professor no Departamento Econômico da PUC do Rio de Janeiro e participar nos conselhos de empresas e entidades.


Quais os destaques de Gustavo Franco na academia?

Após se tornar PhD por Harvard e, antes de ser chamado pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso em 1993, Gustavo Franco foi pesquisador na PUC do Rio de Janeiro, tendo conduzido os seus trabalhos em torno de 3 temas:

  • Inflação;
  • História econômica brasileira;
  • Comércio exterior e política industrial.

Que outros cargos Gustavo Franco exerceu no governo?

Antes de se tornar presidente do BC, ele foi:

  • Secretário Adjunto de Política Econômica, ocasião em que participou do Plano Real;
  • Diretor de Assuntos Internacionais do BC, momento em que foi responsável pelas últimas etapas do plano de renegociação da dívida externa brasileira (“Plano Brady”) e pela maior liberalização do mercado de câmbio.

Qual a relação entre Gustavo Franco e a crise cambial de 1999?

No início de 1999, ele pediu demissão do cargo de presidente do BC, movimento que fez o dólar dobrar de valor em apenas 2 dias.

Sua saída do BC era em função da sua relutância em deixar o câmbio flutuar.  Ele acreditava que podia administrar a cotação do câmbio mesmo diante da liberalização financeira global.

Um evento inesperado mostrou o quanto ele estava errado: a indicação de que o estado de Minas Gerais deixaria de honrar um título externo mostrou a força do dinheiro que girava pelo mundo.  Em poucos dias, o país passou por um ataque especulativo, o que culminou em uma grave crise cambial.

O sistema de câmbio flutuante, metas de inflação e superávits fiscais resultou das falhas que ficaram evidentes com esse episódio.  Ele foi implementado pelo seu sucessor, Armínio Fraga, e permaneceu vigente até 2010.

Qual é o trilema que levou à crise cambial de 1999?

Na condução de suas economias, os países podem escolher 2 entre as 3 variáveis abaixo:

  1. Controle cambial: traz previsibilidade para os preços;
  2. Independência na condução de sua política monetária: liberdade para ajustar os juros à sua realidade econômica;
  3. Livre movimentação de capitais: na ausência de poupança interna, é o que permite que empresas e governos sejam financiados pelo capital externo.

Por mais que seja desejável, a variável 1 é de difícil implementação.  Como a economia global muda constantemente, o câmbio que favorece o país também muda.  O processo seria semelhante a alguém tentando acertar um alvo móvel.

O Brasil, tendo optado pelas variáveis 2 (para controlar a inflação) e 3 (para trazer negócios e criar empregos), não consegue fixar o seu câmbio.

Isso explica a crise cambial de 1999: a abertura da economia ao sistema financeiro internacional não conflita com a estabilidade de preços, mas é incompatível com a política de câmbio fixo.  Os agentes econômicos, sabendo disso, “testam a moeda”.

A capacidade de cada país se defender é limitada pelo tamanho das suas reservas internacionais.  Na ocorrência de um ataque especulativo, elas se corroem enquanto os governos negociam acordos de socorro financeiro, o que faz com que a grande maioria acabe desvalorizando as suas moedas.

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