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Guerra Comercial

O que é Guerra Comercial?

Até pouco tempo atrás, poucos acreditavam na ocorrência de uma guerra comercial, situação em que dois ou mais países tentam defender a sua participação no comércio internacional. Afinal, a Organização Mundial do Comércio (OMC) impunha as regras que sustentavam os vários acordos multilaterais assinados ao longo das décadas.

Esse sistema foi colocado em xeque a partir do mandato do presidente norte-americano Donald Trump, que não só escolheu a China como o seu principal alvo, como também refez o acordo que o país tinha com os canadenses e mexicanos (antigo NAFTA), além de comprometer suas boas relações comerciais com a Europa.


Como uma guerra comercial pode ser identificada?

Abaixo, alguns casos recentes que podem ser caracterizados como sendo de uma guerra comercial:

  • Tarifas impostas ao México pelos EUA;
  • Tarifas de importação sobre carros de origem europeia;
  • Tarifas sobre importações, decorrentes da retirada da Índia da relação de países do Sistema Geral de Preferências;
  • Restrições impostas às empresas chinesas à tecnologia dos EUA.

Apesar dos inimigos serem conhecidos, todos os países se tornam vítimas desse tipo de contratempo. Em 2018, o crescimento global foi de 3,20%. Para o ano de 2019, as melhores estimativas indicam 2,80%.

Quais as consequências de uma guerra comercial?

Diante de um conflito sem data para terminar, muitas empresas decidem por transferir parte de suas operações para outros países. No caso das companhias que possuem laços comerciais com a China, a mudança para o Vietnã, por exemplo, traz não só um ambiente econômico de alto crescimento como também custos mais baixos.

Como resultado, economias que fazem parte das cadeias globais de fornecimento, como a Europa e alguns países da Ásia, terão o seu papel reduzido, desestruturando a forma como a produção é organizada e causando o isolamento entre regiões, que passarão a depender cada vez mais de sua própria demanda.

Quais os outros impactos de uma guerra comercial?

Mercado de crédito

A guerra comercial afeta o sistema financeiro internacional. Atualmente, metade dos US$ 13 trilhões de títulos de dívida de empresas não financeiras são classificados como grau de investimento pelas agências classificadoras de risco (rating).

Quando a economia mundial desacelera, os lucros dessas companhias são afetados, comprometendo a capacidade das mesmas em honrar os seus títulos. Como consequência, elas sofrem um rebaixamento da sua qualidade de crédito.

Sendo que ativos detidos por fundos que precisam atender a determinadas políticas de investimentos, são vendidos às pressas, gerando perdas cujos impactos se refletem pelo mundo todo.

Para as empresas que precisam de recursos para investir, os custos se tornam proibitivos, postergando a ampliação de suas atividades.

Mercado de câmbio

Na vigência de uma economia global menos integrada, reduz-se a importância do dólar norte-americano como principal moeda nas transações internacionais. Isso propicia a adoção de moedas regionais, a exemplo do euro na Europa, e da possível utilização do real para as negociações dentro do Mercosul.

As bolsas regionais passam a ser as facilitadoras de negócios. Xangai já possui uma bolsa para negociar petróleo e o uso do renminbi (moeda oficial da China) para as cotações de outras commodities já é algo considerado pelas autoridades locais.

Qual a relação entre guerra comercial e política monetária?

A incerteza em relação aos desdobramentos de uma guerra comercial leva à redução dos investimentos, que causa demissões e que, consequentemente, impacta o setor de serviços. Esse processo é perceptível por meio dos vários indicadores que são continuamente monitorados pelo mercado e também pelas equipes dos bancos centrais.

Na situação em que os riscos inflacionários se tornam reduzidos, os banqueiros centrais cortam as suas taxas de juros, entre outros estímulos econômicos, para amenizar os efeitos dessas incertezas sobre a economia.

No caso específico da China, ela ainda faz uso da ampliação do crédito bancário, o que traz grandes preocupações sobre os seus impactos na enorme pilha de dívidas que o setor financeiro chinês carrega ao primeiro sinal de desaceleração econômica.

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