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Efeito Peltzman

O que é o Efeito Peltzman?

Efeito Peltzman é o nome dado a um tipo de fenômeno psicológico, segundo o qual os seres humanos possuem uma maior tendência de se tornarem mais cuidadosos conforme o risco percebido aumenta. O contrário também é válido, de modo que em situações em que se vê o risco como algo menor, as pessoas também reduzem o seu cuidado.

Outro nome para o Efeito Peltzman é Compensação de Risco e, conhecendo as características desse viés cognitivo, fica fácil identificar o motivo da denominação. O termo se originou no século passado a partir das das teorias do economista estadunidense Sam Peltzman, professor emérito na Booth School of Business, da Universidade de Chicago.

Este, embora não esteja diretamente ligado às finanças comportamentais, fez e faz importantes contribuições ao estudo do comportamento econômico no cotidiano, relacionando sobretudo a Economia à Administração Pública. Quando se trata da Efeito Peltzman, acredita-se que esse seja um dos seus trabalhos mais disseminados ao grande público, dando origem a artigos em jornais e sites de circulação popular.

Na prática, o Efeito Peltzman narra como ajustamos a nossa cautela ao risco. Você já viu um daqueles desafios típicos de programa de televisão, em que uma pessoa deve andar em uma passarela suspensa a vários metros do chão? Ele é uma forma simples de mostrarmos a aplicação do Efeito Peltzman.

Quando criança (ou mesmo na vida adulta, não precisa esconder!), você já deve ter brincado de se equilibrar no meio-fio. Não era dos desafios mais difíceis, concorda?

O que faz, então, que cada passo dado naquelas passarelas suspensas pareça um verdadeiro trabalho de Hércules? Certamente o risco de cair e morrer é mais imponente neste caso do que naquele inexpressivo meio fio.

Assim, não apenas respondemos psicologicamente ao perigo (dando cada passo com o máximo de cuidado), como também responde o nosso corpo, através de mecanismos instintivos.

No caso do Efeito Peltzman, como um viés cognitivo mesmo, a sua aplicação mais comum não está tão atrelada ao nosso corpo. Na verdade, são as nossas ponderações mentais (e as decisões que tomamos a partir delas) as suas principais "vítimas".


Como o Efeito Peltzman funciona? Como ele afeta as suas finanças?

Ainda na teoria formulada por Peltzman, um dos exemplos mais famosos da aplicação da Compensação do Risco está no trânsito.

Segundo ele, desde a obrigatoriedade da adoção do cinto de segurança pelos passageiros de um veículo, o motorista tende a agir de forma mais imprudente no volante. Isso porque, se sentindo mais protegido pelo acessório, a atenção a práticas de segurança ligadas à maneira de se dirigir diminui.

Outro exemplo clássico é o uso de camisinhas. Diversas pesquisas mostram que ele vem caindo ao longo dos anos, especialmente entre os jovens, e um dos principais motivos apontados é a percepção de risco.

No século passado, como doenças como a AIDS tinham um impacto notoriamente mais devastador sobre aqueles que a contraíam, a atenção ao preservativo era proporcional à ameaça percebida. Conforme tratamentos foram desenvolvidos e aprimorados, o entendimento do perigo associado a doenças do tipo diminuiu, minimizando também a cautela.

E é nesse cenário onde o Efeito Peltzman, como um viés, mais se faz presente.

Afinal, como determinamos o risco? É de forma objetiva ou subjetiva? Somos racionais ou emocionais nesse julgamento? Infelizmente, contrariando o que acreditamos, as emoções têm o poder de distorcer a realidade que enxergando. O efeito de excesso de confiança, a falácia ao apelo da probabilidade e a negligência de probabilidade que o digam.

Quando se trata de dinheiro, o Efeito Peltzman também se aplica, assim como o apelo emocional em nossas escolhas (oi, finanças comportamentais!).

Um investidor, ao estudar diferentes tipos de investimento, tende a dedicar mais tempo e atenção a aqueles que julga mais arriscados (como a renda variável, por exemplo) do que outros mais "seguros".

O grande problema é que esse lapso de estudo pode muito bem resultar em uma estratégia falha, que mesmo que não gere prejuízos, mitiga (e muito) os lucros. E você aí achando que o máximo que a sua imprudência podia render era um arranhão no carro - ou, quiçá, no joelho.

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