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Efeito do Falso Consenso

O que é o Efeito do Falso Consenso?

Efeito do Falso Consenso (ou ainda False Consensus Effect/False Consensus Bias, de acordo com o termo original em Inglês) é o nome dado a um tipo específico de viés cognitivo.

Por definição, o Efeito de Falso Consenso é caracterizado como a tendência mental que todos nós temos, como seres humanos, de acreditar que as nossas opiniões, crenças, preferências, valores e hábitos são um consenso, são (ou deveriam ser) consideradas normais.

Na prática, quer dizer que temos certa propensão a acreditar que as pessoas vêm o mundo como nós vemos, gostam das coisas que nós gostamos e têm os valores que nós temos. Pelo menos as pessoas normais. "Afinal de contas, quem em sã consciência pensaria/agiria de maneira diferente?", você pensa - mesmo que não perceba.

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Como o Efeito do Falso Consenso interfere no seu dia a dia?

Mas não se irrite! Essa descrição parece arrogante demais para você, que já alcançou a iluminação espiritual e é praticamente um bodisatva? Pois saiba que, se procurar bem, deve encontrar resquícios do Efeito do Falso Consenso mesmo nas questões mais banais do seu cotidiano - é possível que hoje mesmo você tenha levado uma baita de uma rasteira dele.

É o caso de toda vez que discutimos preferências gastronômicas. O lugar do arroz é em cima ou embaixo do feijão? O melhor sabor do sorvete napolitano é creme, chocolate ou morango? O certo é começar devorando a coxinha pela ponta ou pela base? Podemos até imaginar os seus olhos rolando em desagrado à mera possibilidade de não preferirem o mesmo que você. "Que absurdo!".

Você provavelmente nunca vai ver algo do tipo na natureza. Um macaco nunca vai passar meia hora discutindo com outro se o jeito certo de comer uma banana é por essa ou aquela ponta. Nem vai um cachorro latir para o outro por igual período apenas porque este comeu o biscoito marrom antes do vermelho. Não se metendo com a comida deles, 'tá tudo perfeito.

E sejamos realistas: na prática, ninguém deixa de colocar o arroz por baixo, preferir o sabor de chocolate, nem começar comendo a coxinha pela ponta por conta dos argumentos de outra pessoa. Ninguém nunca saiu de uma discussão dizendo "pois é, você tem razão. Todos os seus argumentos nada científicos e 100% emocionais me convenceram: de agora em diante, eu prefiro o sabor de creme".

Ainda assim, por que continuamos tentando? Por que entramos em discussões sobre política, futebol, negócios e, é claro, comida, mesmo sabendo que nenhum dos dois lados mudará de opinião? Por que insistimos que quem não concorda conosco é "um doido, desvairado, que tem titica de galinha na cabeça"?

A culpa, se é que podemos chamar assim, é de outro viés. Sob a alcunha de realismo ingênuo, ele narra "a nossa tendência, como seres humanos, a acreditar que nós vemos o mundo que nos cerca de maneira completamente racional, enquanto as outras pessoas (especialmente aquelas de quem não gostamos) o fazem de maneira irracional e/ou enviesada".

Ou seja, enquanto de um lado vemos nossas crenças como um consenso e os que não acreditam nela como controversos (efeito do falso consenso), essa percepção é reforçada pela crença de que somos mais racionais do que os outros (realismo ingênuo).

É graças a esse "coquetel de enviesamento" que nos posicionamos daquela maneira. Não só sabemos o melhor lado da coxinha: sabemos qual é o melhor tipo de emprego, qual é a melhor banda do momento, qual é o melhor investimento a se fazer, qual é a melhor solução para x problema social... Pensando bem, deu até saudade de discutir apenas sobre comida, né?

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