Última modificação em 12 de novembro de 2019

O que é o efeito de excesso de confiança?

Efeito de excesso de confiança (ou Overconfidence Effect) é o nome dado a um tipo de viés cognitivo, que define a tendência mental que os seres humanos possuem de depositar uma confiança desmedida em seus próprios julgamentos, frente ao julgamento realmente objetivo e racional de um evento.

Se isso fosse verdade (isto é, se o nosso nível de confiança fosse estritamente proporcional ao nível de precisão), sempre estivéssemos 100% confiantes estariam 100% certos. Da mesma forma, se estivéssemos 90% confiantes, a exatidão seria de 90% e o mesmo vale para outros níveis (80%, 73%, 57% etc.). O que, bem sabemos, não é verdade.

Se você já entrou em uma discussão, agiu de forma incrivelmente teimosa e depois descobriu que estava errado... Bom, você já experimentou as consequências do efeito de excesso de confiança por si só. 

Mas por que fazemos isso? Por que somos tão "defeituosos" ao estimar o quanto sabemos sobre algo e quanto podemos fazer, julgando mal até as nossas próprias habilidades? A resposta está em dezenas de outros vieses, acredite. 

Tudo se dá porque o seu (o nosso) cérebro não tem o menor interesse em ser preciso. Sério. Segundo pesquisas científicas, ele já consegue a proeza de consumir menos energia do que uma lâmpada e fazer mais do que um supercomputador faria (sendo até 30 vezes mais ágil ao lidar com dados do que eles). 

Como o cérebro consegue? Segundo um estudo do Howard Hughes Medical Institute, isso se dá porque em mais de 70% das vezes em que um neurônio transmite uma informação a outro, há uma falha -  ou seja, a comunicação não é precisa. Nem a nossa sobrevivência demanda que seja.

Para alcançar um estado digno dos supercomputadores, ele precisaria consumir muito mais energia - e isso sim é um problema para a sobrevivência.

Se você diz para a sua namorada que deixou a chave em cima da mesa de cabeceira e ela grita que não está lá, criando uma longa discussão até que você perceba que a deixou na mesa de jantar e peça desculpas, o mundo não vai acabar. Você continua inteligente e capaz de traçar um plano de fuga rápido caso um leão decida cruzar a porta do seu apartamento. Graças ao mecanismo de luta ou fuga, executar o plano também será a sua prioridade e não onde esqueceu as chaves. 

Logo, você também não precisa ser preciso nas suas previsões, já que caso as circunstâncias mudem você poderá fazer novas escolhas. Pelo menos é isso que a reação natural te diz. 

No entanto, como ser pensante e racional, você tem toda a responsabilidade até mesmo pelos seus pensamentos enviesados e os comportamentos derivados destes. E como veremos a seguir, o efeito de excesso de confiança pode representar um grande, enorme problema para o seu rico dinheirinho e a sua sobrevivência... Financeira!

Descomplicando a Bolsa de Valores

Como o efeito de excesso de confiança afeta as suas finanças?

Não raro iniciantes no mercado leem um ou dois livros e já se sentem totalmente prontos para investir. 

Isso não é errado, o problema é que esses, dos quais estamos falando, acreditam que já sabem tudo o que precisam saber e não há quem possa, no mundo, desiludi-los.

Se eles obtém sucesso em suas primeiras aplicações, então, o viés da mão quente logo reforça sua confiança desmedida. 

Até que a realidade bate à porta e ele, atônito, se pergunta onde errou.

Há também aqueles que, tomados pela negligência de probabilidade, desconsideram os riscos de um ativo e investem mais do que podem nele. "É uma chance única", dizem para si mesmos, até que o mesmo acontece com eles: são desiludidos por um mercado que não trabalha com dó dos seus operadores.

Portanto, lembre-se sempre de que, embora o seu cérebro não seja preciso, isso não é uma desculpa para pular de cabeça na imprudência. Como você já sabe: mesmo enviesado, você como investidor, continua sendo o único responsável pelas decisões que toma. Sejam elas boas, ruins ou algo impreciso entre essas duas. 

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