O que é o efeito certeza?

Efeito Certeza é o nome dado a um tipo de viés cognitivo, cuja característica principal é narrar tendemos a nos comportar diante de um evento certo e de um evento muito provável. Embora pareçam sinônimos, cada um agrupa probabilidades diferentes: no primeiro, as chances de ocorrência são de 100%, enquanto no segundo, elas não chegam a esse número (80%, 86%, 91% etc.).

Antes de explicarmos o Efeito Certeza, é importante "abrir um parêntese". Se você já leu o nosso artigo completo sobre a Falácia ao Apelo da Probabilidade, deve se lembrar que nem mesmo o nascer do Sol amanhã é uma certeza absoluta (isto é, tem 100% de chance de acontecer).

Então, quando tratamos aqui de eventos certos falamos daqueles que têm a maior garantia, mesmo que não seja matemática.

Por exemplo, como o risco do Sol não nascer é ínfima o tomamos como um evento certo. É se baseando nesse parâmetro de realidade que traremos mais exemplos ao longo deste artigo.

Mas voltando para o Efeito Certeza…

Pense na seguinte situação: se as pessoas pudessem escolher entre a garantia de receber R$800,00 ou arriscar receber R$ 1.000,00, tendo 90% de chance de adquirir esse dinheiro, qual opção você acredita que elas elegiriam?

Apesar da segunda ser mais vantajosa, do ponto de vista da recompensa e ter um risco pequeno, a tendência é que as pessoas escolham receber os R$800,00.

Por quê?

Em mais de um artigo aqui no Mais Retorno, quando tratamos de vieses cognitivos, narramos a aversão que possuímos à perda e aos riscos, como seres humanos que somos.

A lista é enorme: efeito disposição, efeito reflexão, aversão à perda, viés do risco zero, efeito denominação… O que significa que o nosso medo de perder se exterioriza de muitas formas no nosso dia a dia.


Como o efeito certeza funciona na prática? Como ele interfere na sua vida financeira?

No caso do Efeito Certeza, a aplicação é pelo caminho inverso. Sabe aquela pessoa que tem tanto medo da solidão que sempre se cerca de um monte de gente? Algo parecido acontece aqui. Temos tanto medo, desconforto e dor atrelado à perda, que corremos logo para os braços da "certeza".

Quanto mais dela, melhor; como um verdadeiro escudo contra os riscos.

Por um lado, isso é ótimo, pois evita que desperdicemos os nossos recursos (em dinheiro, tempo, energia, materiais etc.) a cada oportunidade. Por outro, limita os nossos ganhos, nos impedindo de lucrar mais como decorrência de aceitar um nível de risco maior.

Afinal de contas, não é desse ingrediente (o risco) que são feitos os investimentos? Não é de emprestar o nosso dinheiro para o governo, para os bancos ou para as empresas, com a promessa de recebê-lo de volta com juros, que o mercado financeiro é feito?

O Efeito Certeza tem um papel importante na resistência de parte da população a investir. Para alguns, é melhor o evento certo de ter uma parte do salário paradinho na conta do que o evento provável de aumentá-lo através dos títulos públicos, por exemplo.

Se você já sofreu com essa faceta do Efeito Certeza - ou pior, ainda sofre-, deve se perguntar como é possível abdicar do Efeito Certeza. Em suma, como se sentir mais confortável diante das escolhas com eventos certos e altamente prováveis, fazendo escolhas mais benéficas para si mesmo?

A verdade é que não uma maneira de aniquilar os vieses. Eles nascem de fenômenos mentais válidos e necessários.

Contudo, temos sempre a chance de racionalizá-los. Conhecendo como funcionam, podemos identificá-los mais facilmente no nosso dia a dia.

Pensando nisso, temos um grande volume de artigos completinhos sobre os vieses cognitivos aqui no Mais Retorno. Ao lê-los, você já dá um passo em direção a essa capacidade de identificação. Conhecimento, especialmente quando da sua mente e de como ela trata o seu dinheiro, é sempre um poder!

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