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Efeito de Autorreferência

O que é o Efeito de Autorreferência?

É chamado de efeito de autorreferência (ou self-reference effect) a tendência humana de se lembrar mais precisa e facilmente de fatos quando ele mesmo está envolvido no evento.

Como no caso daquele artista de quem você nem é tão fã assim, mas faz aniversário no mesmo dia que você. Vamos supor que o seu nascimento tenha ocorrido em um 27 de março: nesse dia, Quentin Tarantino (o diretor de Pulp Fiction, entre outros clássicos), Xuxa (sim, “a rainha dos baixinhos”) e Mariah Carey (cantora pop estadunidense) também nasceram.

E acredite: será muito mais fácil para você lembrar disso e dizer, na próxima vez em que o nome de um deles surgir na roda de conversa, “ele faz aniversário no mesmo dia que eu”.

Mas, em suma, todos os famosos (do cinema aos esportes) fazem aniversário em algum dia do ano e nem por isso você se recorda disso. Quando enviar felicitações à Christopher Nolan, Courteney Cox e Seu Jorge, você sabe? É possível que você nem saiba, mas se descobrir que eles têm algo em comum contigo, lembrar desse fato se torna mais fácil.

E é justamente isso que faz o efeito de autorreferência. Ainda que acreditemos nos valer da utilidade das informações ou o mero impacto emocional para organizar nossas memórias, o quanto elas se referem a nós mesmos tem um peso muito maior do que pensamos.

Se não acredita, experimente pesquisar pelos famosos que compartilham a data de aniversário com você. Apostamos que na próxima vez em que uma notícia sobre os sujeitos que mais chamarem a sua atenção da lista aparecer, você vai se recordar desse “detalhe”.

Mas calma! Antes que você se martirize por gastar “espaço de arquivo mental” à toa, com fatos inúteis, saiba que o efeito de autorreferência pode virar ao seu favor - inclusive para lucrar!


Como surge o Efeito de Autorreferência?

Se você já leu o nosso artigo sobre o efeito holofote, outro viés cognitivo, sabe que para o nosso cérebro nós somos o centro do nosso próprio universo.

Isso é tão forte que temos inclusive uma grande dificuldade em pesar como os outros nos vêm, sendo amplamente influenciados por como nos vemos.

Além disso, há um outro ponto que propicia a ascensão do efeito de autorreferência, que é a maneira como as memórias são criadas, armazenadas e acessadas.

Diferentemente do que acreditamos, não existe um enorme almoxarifado mental, em que cada lembrança é catalogada com número de série e colocada numa estante. Nem um gancho que pega a que precisamos, como naquelas máquinas de pelúcia.

Na verdade, funciona como um jogo de dominó: peças com um mesmo número em uma das duas pontas são ligadas, formando sequências encadeadas, onde uma puxa a outra.

Com a memória, elementos como cheiros, pessoas, ambientes funcionam como os números das peças de dominó, nos auxiliando a acessar outras lembranças em comum.

No entanto, na fila de prioridades, como maiores desencadeadores de novas lembranças, está a nossa própria vivência. Isso explica o porquê de um acontecimento na vida de um amigo nos marque mais quando estamos presentes, seja no momento da ação, seja no mesmo ambiente, dia ou afins.

Como usar o Efeito de Autorreferência a seu favor?

O efeito de autorreferência pode tanto trazer efeitos positivos quanto negativos à sua vida.

Afinal, lembrar do que comeu no encontro com amigos ontem é menos útil para a sua prova de matemática do que a Fórmula de Bhaskara, certo?

Mas e se você fosse capaz de relacionar esses conceitos matemáticos a você mesmo? Em especial no entendimento de fenômenos, usar exemplos do cotidiano que funcionam de forma parecida ao que se deseja aprender é uma excelente forma de transformar a barreira do efeito de autorreferência em arma.

Aqui no Mais Retorno, nós já usamos os nossos seriados apocalípticos para explicar a Lei de Say, uma das músicas mais famosas da música brasileira para falar de Laissez Faire e os seus relacionamentos amorosos (com direito à famosa intromissão da família) como exemplo do Viés de Retrospectiva.

E embora nós gostemos muito de inserir referências nesses textos, pela interdisciplinaridade, o nosso principal objetivo com isso é facilitar a sua compreensão e retenção das informações. Ou seja, é usar o efeito de autorreferência para te explicar os conceitos mais “chatinhos” do mercado financeiro.

Nos seus estudos particulares, se você já percebeu que aprender mais é um dos segredos para se tornar um investidor melhor (e lucrar mais nas suas operações!), experimente fazer o mesmo. Busque no seu dia a dia exemplos práticos de como aquele fenômeno econômico acontece - senão de forma idêntica, de forma aproximada.

Dessa forma, será mais fácil acessá-lo no futuro, quando usar esse conhecimento se mostrar condição sine qua non para o seu sucesso.

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