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Dupla listagem

O que é dupla listagem?

No mercado de capitais, a dupla listagem representa uma situação em que uma empresa tem suas ações listadas em mais de uma Bolsa de Valores ao mesmo tempo.

Normalmente, isso acontece envolvendo os Estados Unidos que são, afinal, a maior economia do mundo. Sendo assim, é natural que as companhias queiram buscar a captação de recursos dos investidores de lá, ao mesmo tempo em estejam presentes também no seu país de origem. 

Essa, no entanto, não é uma regra. Uma organização pode abrir seu capital em diversas Bolsas de Valores, devendo avaliar qual é o melhor caminho pensando na sua capitalização.

Vale lembrar que existem diversas Bolsas de Valores ao redor do planeta. Podemos citar, por exemplo, a B3 (Brasil), a NYSE e a Nasdaq (Estados Unidos), a Bolsa de Frankfurt (Alemanha) ou a Bolsa de Lisboa (Portugal) como exemplos. Quando uma empresa aparece em mais de uma dessas Bolsas de Valores para negociação, ela está em dupla listagem.

Descomplicando a Bolsa de Valores

Como funciona a dupla listagem?

A dupla listagem acontece por meio da emissão do que se chama de Depositary Receipt (DR). Como os Estados Unidos são uma referência global quando o assunto é abertura de capital , também é muito comum que as empresas tenham suas ADRs (American Depositary Receipt).

Esse nada mais é do que um certificado que permite que empresas negociem seus ativos em outras Bolsas de Valores, configurando uma dupla listagem. Ou seja, supondo que uma empresa brasileira esteja na B3 (a Bolsa de Valores do Brasil) e também tenha suas ADRs negociadas nos Estados Unidos, você poderia comprar seus ativos nos dois países. Isso é justamente o que configura uma dupla listagem.

Vale explicar que um DR é negociado na moeda padrão da Bolsa de Valores. Nos Estados Unidos, portanto, uma empresa brasileira será negociada em dólar. No entanto, o valor do ativo acompanha a sua emissão original por razões óbvias: trata-se da mesma companhia.

Quais as vantagens e riscos da dupla listagem?

A principal vantagem oferecida pela dupla listagem é o aumento de oportunidades de capitalização de uma empresa. Ela pode, desta forma, receber investimentos de investidores localizados em regiões diferentes simultaneamente.

No geral, é mais complicado que um investidor estrangeiro faça seus investimentos em uma Bolsa de Valores de outro país. Taxas e burocracias acabam afastando-o. A dupla listagem, portanto, reduz essa complicação, permitindo maior facilidade na compra de ativos de empresas internacionais.

Além disso, a companhia também consegue uma boa diversificação das suas fontes de recursos. Mantendo o nosso exemplo da B3 e da NYSE, por exemplo, uma empresa brasileira consegue a capitalização tanto em real (sua moeda padrão), como em dólar (a moeda mais forte do mundo). Isso é essencial para companhias que possuem custos em dólar, mitigando assim o risco da desvalorização cambial do real.

Normalmente, não existem grandes riscos da dupla listagem para uma grande companhia. Já para uma empresa menos conhecida, essa estratégia pode gerar uma divisão dos investimentos e tornar a liquidez dos ativos muito baixa em cada uma das Bolsas de Valores.

Empresas brasileiras com dupla listagem

Atualmente, muitas empresas brasileiras já aderiram ao processo de dupla listagem. Ou seja, elas possuem seu IPO no Brasil, sendo negociadas normalmente na B3, mas também oferecendo ADRs no mercado estadunidense.

Abaixo, listamos alguns exemplos de companhias nacionais presentes também nos Estados Unidos para negociação:

  • Ambev;
  • Azul;
  • Copel;
  • Gerdau;
  • Itaú Unibanco;
  • JBS;
  • Petrobrás;
  • SLC Agrícola;
  • Suzano;
  • Vale.

Repare que, não por acaso, muitas dessas empresas possuem alguma exposição ao dólar — seja pela atuação como exportadoras ou pelos custos atrelados ao principal câmbio global. Sendo assim, é interessante que elas possam se capitalizar nessa moeda, reduzindo os riscos cambiais.

Além disso, algumas companhias sequer abrem capital no Brasil, optando por realizar seu IPO diretamente nos Estados Unidos. Foi o que fez recentemente a XP Investimentos. Se a empresa negociar apenas nos Estados Unidos, abrindo mão do seu país de origem, não há dupla listagem.

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