Última modificação em 5 de novembro de 2020

O que é Curva J?

A curva J é um princípio aplicado na economia, onde o déficit econômico sofrido por um país após a desvalorização de sua moeda será, inicialmente, piorar progressivamente antes de melhorar.

Isso ocorre porque os preços para a importação de bens é mais alto, ainda que o volume de importações seja reduzido.

Segundo a teoria da curva J, o primeiro impacto econômico após a depreciação monetária ocorre em nível microeconômico.

O que ocorre a partir de então é o aumento das exportações, por consequência dos preços baixos produzidos pelo barateamento da moeda, e a diminuição das importações, em virtude do aumento da taxa de câmbio, aumentando o consumo interno.

Assim, o déficit gerado inicialmente pela desvalorização da moeda torna-se um superávit e o gráfico do balanço comercial produz uma curva em J, na qual vemos uma queda inicial seguida de um crescimento brusco.

Isso ocorre porque, embora os preços dos produtos esteja baixos - dada a desvalorização monetária - o volume de exportações supera o de importações.

Desse modo, observamos que o volume de exportações, somada ao aumento do consumo de produtos internos em detrimento dos externos, impulsiona seu crescimento.

Vale ressaltar, ainda, que esse movimento inicial de queda e posterior recuperação é, muitas vezes, resultado de políticas e acordos econômicos realizados por governos nacional e internacionalmente.

Do mesmo modo, quando uma economia está em um momento superavitário e tem sua moeda depreciada, gerando déficit, vemos uma curva J se formar no gráfico da balança comercial. A diferença nesse caso é que o "j" será invertido, apontando para a queda brusca.

Quais são as vantagens da Curva J?

Analisar a balança comercial de um país a partir da curva J pode trazer algumas vantagens e permitir tomar decisões e conclusões relevantes.

Como a teoria da curva J pressupõe que uma economia vai piorar muito antes de melhorar, ela permite que certas ações sejam tomadas para recuperar o déficit ou até mesmo impede que outras sejam tomadas, dado que já se sabe previamente que a piora é esperada.

Outra vantagem é mostrar de forma visual e gráfica a resposta da economia ao longo do tempo, que é o aumento das exportações e diminuição das importações.

Além disso, a aplicação da curva J não é restrita à compreensão das balanças comerciais nem somente à economia. Vejamos mais algumas aplicações:

Onde podemos aplicar a Curva J?

Uma das possíveis aplicações da curva J é em private equity, pois demonstra como nos primeiros anos os fundos de private equity têm resultados negativos e, mais tarde, alcançam equilíbrio.

A lógica por trás dessa ideia aplicada a esses fundos é muito parecida com a aplicação em balanças comerciais.

Inicialmente, os private equity tem perdas resultantes de custos de investimentos e pagamento de taxas administrativas que consomem os recursos. Contudo, ao longo do tempo esses fundos passam a ter resultados positivos e podemos representar esse processo com uma curva J.

É importante ressaltar, no entanto, que no caso dos private equity a curva é apenas uma representação visual de como pode ser a trajetória do fundo. Os lucros obtidos por esses fundos têm um caminho diferente do que o daqueles que os compõem.

Como dissemos, a curva J não é uma teoria restrita à economia. Um outro caso de aplicação dela é feita na área de ciência política.

O sociólogo estadunidense James Chowning Davis foi responsável por usar a curva J para compreender o que nos leva a momentos de revolução política!

Segundo Davis, esse tipo de evento é uma resposta subjetiva à chamada privação relativa - que ocorre quando há reversão num cenário de crescimento econômico.

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