Última modificação em 9 de outubro de 2020

O que são cadeias globais de valor?

As cadeias globais de valor podem ser definidas como uma rede de processos que ocorrem ao redor do mundo dentro do contexto produtivo global. Trata-se, em resumo, de uma série de atividades que, somadas, permitem a elaboração do produto ao consumidor final.

Embora pareça algo simples, o termo se popularizou após o início da globalização. Isso porque, no período mais recente, as companhias têm aproveitado para internacionalizar a sua produção, isto é, ter etapas distribuídas em diferentes países.

De certa forma, podemos dizer que há fragmentação do processo produtivo neste sentido, com etapas ocorrendo em ambientes diferentes até a entrega final. A esse ciclo dá-se o nome de cadeias globais de valor.

Em outras palavras, as cadeias globais de valor podem ser um sinônimo para a internacionalização da produção.


Como funcionam as cadeias globais de valor?

As cadeias globais de valor não são um fenômeno tão recente, pois há muitos anos algumas companhias dividem o seu processo produtivo entre diferentes países. No entanto, isso se intensificou no período recente.

É cada vez mais raro encontrar um produto de relevância internacional que tenha todo seu processo produtivo alocado em um único local. É bem comum, portanto, que as etapas passem por diferentes países, firmas e ambientes até que seja entregue para comercialização ao cliente final.

Vale observar, no entanto, que apenas empresas com processos multinacionais possuem as cadeias globais de valor. Se o processo é realizado dentro de apenas um país, seja ele qual for, ainda que em mais de uma firma, a cadeia deixa de ser global.

As cadeias globais de valor são positivas?

Em função da expansão do conceito das cadeias globais de valor, há muita dúvida sobre a sua positividade no sentido de evolução dos países. Neste caso, existe ampla divergência, embora seja um processo praticamente irreversível dada a atual configuração dos processos produtivos ao redor do planeta.

Isso acontece porque, uma vez que diversos países participam do processo, há uma natural diferença de participação e de ganhos financeiros. Para alguns, isso é ótimo, pois permite a redução de custos e o aumento das margens de lucros. No entanto, também existem nações que acabam recebendo menos do que deveriam, gerando algum tipo de desigualdade processual.

Outro problema que pode ser gerado pelas cadeias globais de valor são algumas medidas tomadas pelos governos com o intuito de aumentar a sua competitividade econômica. Podemos citar relaxamento de normas trabalhistas ou ambientes como exemplo disso, algo que não é positivo para a população, pois ela se torna mais exposta aos abusos empresariais.

As cadeias globais de valor e o Brasil

O Brasil não fica de fora das cadeias globais de valor, naturalmente. No entanto, a nossa participação ainda é muito baixa na medida em que o país funciona com uma economia bastante fechada e, portanto, menos participativa no ambiente global.

Outro ponto que contribui para essa baixa participação é que boa parte da nossa força exportadora está em commodities que, no final das contas, funcionam como insumos para os produtores. Assim, a participação fica mais restrita ao começo das cadeias produtivas.

Isso não significa que o cenário não possa ser modificado para um futuro próximo. Conforme mencionamos ao longo do texto, a tendência é de que as cadeias globais de valor sigam em processo de expansão, de modo que o Brasil pode sim ampliar sua participação mundial na produção ao cliente final.

Por outro lado, essa economia mais fechada permite que o nosso país esteja menos exposto aos efeitos econômicos globais. Há uma necessidade de equilíbrio entre esses fatores que precisa ser trabalhada ao longo dos próximos anos.

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