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Bertram Forer

Quem era Bertram Forer?

Bertram Forer é o nome de um importante psicólogo estadunidense do século XX. Mesmo antes do "boom" das pesquisas ligadas às finanças comportamentais promovidas por Daniel Kahneman e Amos Tversky, que trouxeram ao mundo muitos dos conceitos atualmente conhecidos no que tange aos vieses cognitivos, Forer identificou um fenômeno psicológico debatido até hoje.

É o famoso Efeito Barnum, chamado também de Validação Subjetiva e Efeito... Forer! Sim, o conceito foi tão difundido após a publicação de seu artigo junto à American Psychological Association (a Associação Americana de Psicologia, que também regula as pesquisas feitas nos Estados Unidos nessa área) que o viés também ficou conhecido por seu nome. 

Para quem se identificava especialmente como um professor universitário, a fama de Forer superou a sala de aula. Contudo, foi justamente nesse ambiente que ele orquestrou a pesquisa que posteriormente se transformaria em artigo e, por fim, em um viés cognitivo amplamente evocado em discussões. 

Pois é, Forer pode até ter nascido antes das revistas levarem horóscopos ao final de cada edição e do Buzzfeed lançar testes que prometem descobrir qual personagem de Star Wars você seria de acordo com o seu sabor favorito de pizza, mas ele já tinha opiniões bem firmes sobre isso.

Tanto que em 1949 escreveu muitas palavras sobre o assunto na Journal of Abnormal and Social Psychology... Ok, não exatamente sobre sabores de pizza, mas sobre como certas descrições de personalidade (e previsões) não são lá tão precisas quanto sentimos que são. Vamos ver?!

O que é o Efeito Forer?

Como você já sabe, esse viés cognitivo conta com outros dois nomes para lá de famosos (o Efeito Barnum e a Validação Subjetiva). Mas para padronizar (e levantar um tanto a moral do personagem principal do nosso texto) vamos usar apenas o termo "Efeito Forer" daqui em diante, ok?!

Para começar, nos diga se você se identifica com a seguinte descrição:

"Você tem uma necessidade de ser querido e admirado por outros, e mesmo assim você faz críticas a si mesmo. Você possui certas fraquezas de personalidade mas, no geral, consegue compensá-las. Você tem uma capacidade não utilizada que ainda não a tomou em seu favor. Disciplinado e com auto-controle, você tende a se preocupar e ser inseguro por dentro. Às vezes tem dúvidas se tomou a decisão certa ou se fez a coisa certa. Você prefere certas mudanças e variedade, e fica insatisfeito com restrições e limitações. Você tem orgulho por ser um pensador independente, e não aceita as opiniões dos outros sem uma comprovação satisfatória. Mas você descobriu que é melhor não ser tão franco ao falar de si para os outros. Você é extrovertido e sociável, mas há momentos em que você é introvertido e reservado. Por fim, algumas de suas aspirações tendem a fugir da realidade." 

Bastante certeiro, correto? 

Em 1948, Forer sujeitou os seus alunos a um teste de personalidade em que deveriam autoavaliar as suas características, dando notas a elas. Ao final, ele os convenceu de que os mesmos receberiam os seus resultados personalizados com base nas respostas que deram, mas não foi o que aconteceu. Ele entregou a todos as afirmações acima. 

Podemos até imaginar que, enquanto liam o seu "resultado individual", cada aluno pensou "Uau! Isso me descreve perfeitamente". 

Isso se dá porque temos a tendência humana de tomar descrições generalistas de personalidade como sendo pessoais e exclusivas. Assim, ao ler que "você é extrovertido e sociável, mas há momentos em que você é introvertido e reservado", se pensa "eu sou assim mesmo!" ao invés de "ah, mas todo mundo é assim".

É essa tendência que faz com que acreditemos naquela previsão de que vamos receber uma notícia desagradável hoje, porque somos do signo X ou Y, ao invés de lembrarmos que todo mundo recebe notícias desagradáveis todo dia. 

Sem falar no teste do Buzzfeed, que te lembra do Darth Vader toda vez que você se atraca a um pedaço de portuguesa.

É claro que estamos usando exemplos mais banais aqui, mas o Efeito Forer não é algo inofensivo. Pelo contrário, ele permite que sejamos enganados por empresas e vendedores, que nos fazem sentir especiais com suas descrições de como nos sentimos, pensamos e vivemos e produzem produtos "perfeitos para nós", mas cujos argumentos não são nem um pouco melhores do que o teste promovido por Forer e seus resultados tão personalizados quanto a previsão de hoje para Áries. 

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