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Barreiras a entrada

O que são Barreiras a Entrada?

Barreiras a Entrada, ou Barreiras de Entrada, são os fatores que representam potenciais obstáculos para que uma empresa comece a atuar em um segmento ou mercado.

Alguns segmentos e mercados apresentam mais barreiras a entrada do que outros; nesse caso, podemos dizer que as empresas que já atuam neles estão mais protegidas contra novos entrantes, isto é, novos concorrentes.


Entendendo as Barreiras a Entrada

Quando uma empresa deseja começar a atuar em um certo segmento ou mercado, em alguns casos, ela pode simplesmente abrir as portas e começar a trabalhar. Em outros, ela precisa, antes, atender a uma série de exigências sem as quais seu negócio não tem condições ou não é autorizado a operar. 

Essas exigências, que muitas vezes nem são formais ou expressas, acabam sendo obstáculos para que novas empresas entrem nesse segmento ou mercado. Por isso, elas são chamadas de barreiras a entrada.

Para que o conceito fique mais claro, vamos usar como exemplo a empresa fictícia Só Carnes, que quer atuar no segmento frigorífico.

Para isso, ela precisa de equipamentos caros que atendam a certos padrões estabelecidos em normas técnicas; precisa de laudos e alvarás, especialmente da Anvisa; precisa de processos muito rigorosos de higiene e conservação.

Essas são algumas exigências que a Só Carnes precisa atender antes mesmo de poder começar a atuar. Se a Só Carnes não tiver condições de atender essas exigências, ela nem sequer abre as portas. 

Quais são as principais barreiras a entrada?

De acordo com Michael Porter, existem seis tipos de barreiras a entrada, que atrasam ou impedem a chegada de novas empresas aos segmentos ou mercados. 

O primeiro tipo é a economia de escala. Basicamente, isso significa que, se a empresa entrar produzindo em grande escala, ela entra em conflito direto com os grandes negócios que já estão mais estabelecidos; e, se entrar produzindo em pequena escala, o custo impede a obtenção de bons resultados financeiros. Ou seja, as duas alternativas são indesejáveis.

O segundo tipo é a diferenciação do produto. Para uma nova empresa sobreviver no mercado, ela precisa trazer um diferencial que atraia os clientes. Para isso, é preciso ter inovação, o que ainda é uma dificuldade para muitos negócios.

O terceiro tipo é a necessidade de capital. Se os custos forem muito altos, mesmo havendo opções para obter os recursos, eles acabam sendo uma barreira. É importante lembrar que, além do custo em si, o risco de não recuperar o investimento também é um elemento dessa barreira.

Um bom exemplo são os segmentos de alta tecnologia, em que é preciso gastar muito com equipamentos modernos e pessoal capacitado.

O quarto tipo são os custos de mudança. Se os consumidores do segmento ou mercado tiverem um custo muito elevado (não necessariamente financeiro; pode ser um custo de esforço, ou até emocional) para trocar de fornecedor, eles não vão ser tão receptivos a novas empresas.

É o caso dos aparelhos de smartphone: muitos usuários criam uma relação tão forte com o fabricante ao qual estão acostumados que, se outro entra no mercado, mesmo com uma ótima proposta, ainda pode ter dificuldades para conseguir atrair clientes. 

O quinto tipo é o acesso a canais de distribuição. Se a nova empresa não tem meios para distribuir seu produto, essa é uma forte barreira a entrada.

Suponha, por exemplo, que uma empresa quisesse (e pudesse) competir para o fornecimento de energia elétrica. Uma de suas principais dificuldades seria fazer a energia chegar aos consumidores, devido à complexidade das estruturas usadas para levar a eletricidade de uma usina até a casa das pessoas.

O último tipo é a política governamental. Aqui entram as burocracias exigidas pelo governo para que uma empresa possa operar. Em alguns casos, o governo chega a bloquear completamente a entrada de novos negócios em certos segmentos, estabelecendo monopólios estatais.

Quais são os lados positivo e negativo das barreiras a entrada?

As barreiras a entrada podem ser um obstáculo tão grande que, de fato, impede projetos de negócios de sair do papel. Portanto, uma crítica comum feita a essas barreiras é que elas desestimulam o empreendedorismo

Além disso, alguns especialistas consideram que essas barreiras favorecem a formação dos monopólios e oligopólios, ao afastar potenciais concorrentes, o que é prejudicial ao consumidor. 

Como não existem outras alternativas para recorrer ao precisar de um certo produto ou serviço, porque novos entrantes não conseguem vencer as barreiras a entrada, o consumidor fica nas mãos de grandes empresas, que podem praticar os preços que quiserem e até deixar de lado esforços pela qualidade.

Por outro lado, as barreiras podem ser necessárias justamente para assegurar que certos critérios sejam atendidos pelas empresas que entram no segmento ou mercado, de modo a proteger os consumidores. 

Usando o exemplo da Só Carnes, se ela não tiver condições de atender às exigências sanitárias da Anvisa, pode colocar à venda alimentos que não estão bem conservados e, assim, colocar em risco a saúde de quem ingere.

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