Última modificação em 19 de junho de 2020

O que é Ativo Livre de Risco?

Ativo Livre de Risco é o ativo que apresenta risco zero, ou o menor risco possível. Sobre ele, recai a taxa livre de risco, a taxa mínima de rentabilidade que um investidor aceita para colocar seu dinheiro em uma aplicação "sem risco".


Entendendo o Ativo Livre de Risco

O conceito de ativo livre de risco está profundamente ligado ao de taxa livre de risco, sendo que essa taxa corresponde ao mínimo de rentabilidade que um investidor espera para investir seu dinheiro sem grandes riscos. 

Suponha que Pedro tem duas alternativas: colocar seu dinheiro em um ativo A com risco muito alto ou em um ativo B com risco muito baixo. 

Para escolher a primeira alternativa, Pedro naturalmente vai exigir que o ativo A ofereça um retorno elevado. Afinal, existe uma alta probabilidade de ele perder seu dinheiro nessa operação, que só vai fazer sentido se puder ganhar bastante com ela. 

Por outro lado, para escolher a segunda, Pedro estará disposto a aceitar um retorno mais baixo do ativo B, já que é uma oportunidade de ganhar sem se preocupar com a possibilidade de perder seu dinheiro. 

Mesmo assim, existe um mínimo de rentabilidade que Pedro vai aceitar para escolher o ativo B. Abaixo desse mínimo, mesmo considerando o baixo risco, simplesmente não vale a pena investir; ele vai preferir poupar ou migrar para ativos de maior risco/retorno.

Esse mínimo de rentabilidade que o investidor pode aceitar é, conceitualmente, o que chamamos de taxa livre de risco. E o ativo sobre o qual ela recai é o ativo livre de risco.

Ativo Livre de Risco tem risco zero?

Na vida real, não existe um ativo cujo risco seja, de fato, zero. Mesmo ativos considerados muito seguros ainda apresentam algum risco. 

É o caso do Tesouro Direto, por exemplo. A maioria das pessoas entende que não é possível perder dinheiro investindo nesses títulos públicos, porque seria preciso que o país “quebrasse” totalmente para que o governo não pague os investidores.

Porém, tecnicamente falando, uma grande crise sistêmica ou um fenômeno natural inesperado, por exemplo, poderiam causar essa quebra. Portanto, ainda que a probabilidade seja muito baixa, o risco existe.

Quais são os Ativos Livres de Risco?

Sabemos, então, que não existe ativo de risco zero. Mesmo assim, existem ativos livres de risco. O consenso é que são os títulos de dívida emitidos pelo governo. O motivo para isso é simples: é o governo que emite a moeda; é ele que coloca dinheiro em circulação.

Se um evento muito grave acontecer e o governo simplesmente não tiver outra forma de obter os recursos para pagar os investidores que compraram seus títulos, antes de entrar em default (ou seja, tornar-se inadimplente, deixando a dívida sem pagar), ele ainda pode recorrer à emissão de mais moeda. 

Pensando para além dos limites nacionais, o verdadeiro ativo livre de risco global são os títulos de dívida emitidos pelo governo dos EUA. O motivo é que, diferentemente de outros governos, os EUA não apenas emitem a moeda que circula na economia deles. Na realidade, os EUA emitem a moeda internacional, o dólar. 

Se um país como o Brasil entra em uma grande crise, ele pede dinheiro a órgãos internacionais e outros países; esse dinheiro é o dólar. Enquanto isso, se os EUA entrassem em uma grande crise, eles não precisariam pedir dinheiro a ninguém, porque eles mesmos emitem o dólar.

Colocando esse fato em perspectiva, a chance dos EUA “quebrarem” a ponto do governo não conseguir pagar os investidores que compraram títulos de dívida é, realmente, muito pequena; menor ainda do que em outros países.

Vale a pena investir em um Ativo Livre de Risco?

Essa questão leva de volta ao exemplo de Pedro, que precisava escolher entre o ativo A, de alto risco, e o ativo livre de risco B. E essa questão não pode ser respondida de nenhuma outra maneira que não seja comparando a taxa de retorno de A com a taxa de retorno de B, que é a taxa livre de risco.

Suponha que A, de alto risco, oferece retorno esperado de 20% ao ano. Enquanto isso, B oferece uma taxa livre de risco de 15% ao ano. A diferença entre elas não é tão grande; então, B pode ser uma boa opção nesse cenário. 

Agora, substitua a taxa livre de risco por 3% ao ano. Nesse cenário, considerando que A pode atingir 17% a mais de rentabilidade por ano, o risco começa a parecer mais aceitável.

É importante, então, lembrar que mesmo que um ativo seja livre de risco, ele precisa oferecer um mínimo de retorno; do contrário, não será atrativo. Além disso, se o investidor tiver um apetite para risco, ele pode achar mais interessante escolher o ativo que oferece elevado retorno, mesmo com a possibilidade de perder seu investimento.

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