Quando investimos, é claro, o mais comum é esperarmos obtermos aumentar nosso patrimônio pessoal através do mercado financeiro. Mas outro ponto importante que devemos pensar é em quando não ganharemos mais dinheiro. Sim, a fase da melhor idade!

Com a reforma da previdência cada vez mais batendo à porta, a aposentadoria é algo que deve ser pensado sempre. A perspectiva é que nos aposentemos mais tarde e o sistema já não suporta grandes fluxos de renda.

O mercado financeiro é uma forma importante de nos protegermos e planejarmos nossa aposentadoria.

Nesse sentido, a Teoria do Ciclo de Vida do italiano Franco Modigliani nos ajuda a entender melhor a dinâmica de porquê demandamos ativos financeiros para esse fim e como fazemos isso.

Entende-la, portanto, ajuda muito a nos planejarmos para a melhor idade.

E vamos abordar essa linda teoria hoje.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

O que é e como funciona a teoria do ciclo de vida

O que é e como funciona a teoria do ciclo de vida

A Teoria do Ciclo de Vida foi desenvolvida por Franco Modigliani, economista Italiano naturalizado norte-americano. O economista inclusive foi vencedor do prêmio Nobel por outro motivo, mas relacionado à teoria.

Essa teoria é um modelo para entender o porquê os indivíduos demandam ativos financeiros de longo prazo.

O modelo parte da premissa básica de que as pessoas em geral têm um padrão mais ou menos definido acumulação de patrimônio.

Assim, pensando em como normalmente a vida se desenvolve, ele parte do início da vida quando ao entrar no mercado de trabalho por volta dos 20 anos, as pessoas iniciam sua carreira com um rendimento baixo e a poupança quase nula.

A fase seguinte é a mais importante, por volta dos 30 anos existe uma aceleração de ganhos, os salários são os maiores geralmente nessa fase. É nesse período de vida que as pessoas conseguem maior acumulação de capital e quando demandam os ativos financeiros de longo prazo.

Na fase seguinte, dos 40-50 anos, as pessoas geralmente buscam proteger seu patrimônio. A acumulação de capital começa a ser cada vez menor até chegar na aposentadoria.

Na aposentadoria, queremos não trabalhar mais e apenas consumir mais ou menos o quanto consumíamos antes. É por isso que os investimentos feitos na fase mais produtiva são tão importantes. Quanto mais se acumular naquela fase, mais consumo se terá quando essa pessoa ficar idosa.

O gráfico abaixo resume a teoria:

Implicações para investimentos e aposentadoria

Implicações para investimentos e aposentadoria

É claro que a teoria é um modelo geral para a média da população. Logo, cada um pode ter um gráfico e evolução diferente do que relatei.

A mensagem principal é que durante a vida produtiva as pessoas tendem a acumular recursos para conseguir manter o padrão de consumo na fase improdutiva (aposentadoria).

Importante ressaltar que não só de investimentos de curto prazo, e às vezes mais rentáveis, deve ser composta a carteira. Os ativos de longo prazo também devem compô-la.

Trazendo para a realidade brasileira isso é ainda melhor pois podemos aproveitar altas taxas de juros (inclusive reais, através das NTN-B’s do Tesouro Nacional) e constituir uma poupança robusta.

Lembre-se da capacidade dos juros compostos que são potencializados com o tempo.

Bônus: Sistema previdenciário Brasileiro e teoria de Modigliani

Sistema previdenciário Brasileiro e teoria de Modigliani

Pela Teoria de Ciclo de Vida de Modigliani podemos perceber que em uma economia onde a população evolui de forma constante e a sua renda também, a riqueza se mantém a mesma.

O que irá existir é apenas uma transferência de capital entre os mais jovens e os mais idosos.

No entanto, quando ocorre um descompasso na evolução populacional, haverá também um desequilíbrio na riqueza da economia.

É o que acontece quando a população jovem passa a ter um crescimento menor, enquanto a expectativa de vida aumenta e, por consequência, a população idosa também aumenta.

Nesse caso, a riqueza da economia irá cair pois menos capital está sendo acumulado e mais despoupança está ocorrendo.

Caso a produtividade da população e sua capacidade de gerar riqueza não evolua, alguma forma de a população produtiva poupar mais terá de ser feita.

É isso que uma reforma da previdência tenta fazer ao colocar que as pessoas têm que contribuir por mais tempo poupando, para equilibrar a riqueza da economia.

É por isso que também ressaltamos a importância de não depender apenas do INSS e constituir uma poupança privada o mais cedo possível.

Trata-se de uma forma de “interpretar” a Teoria do Ciclo de Vida e indicar a necessidade de elevação da poupança de longo prazo.

Conclusão

A Teoria do Ciclo de Vida de Modigliani busca nos fornecer argumentos para entender a demanda por ativos financeiros de longo prazo, em especial para aposentadoria.

De fato, acumulamos capital na fase produtiva para conseguir ter um padrão de consumo mais ou menos constante quando atingimos a melhor idade e não trabalhamos mais.

O caso brasileiro é ainda mais emblemático e com oportunidades já que estamos passando por discussões de reforma previdenciária ao passo que sempre tivemos juros bastante elevados.

Existem diversos instrumentos no mercado para se ter um bom rendimento na aposentadoria. Relembre, por exemplo, os planos PGBL e VGBL aqui.

E se ficou alguma dúvida ou quer contribuir mais com o assunto, comente abaixo.

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