Recentemente o Banco Central anunciou a maior intervenção no mercado cambial desde 2002 – época em que Lula ganhou as eleições e existia muitas incertezas de quais políticas seriam adotadas pelo presidente eleito. O dólar disparou e o banco central foi obrigado a atuar na época para conter os excessos.

No presente momento, o cenário externo e incertezas domésticas obrigaram o Banco Central a anunciar intervenção de US$ 24 bi, além da rolagem dos contratos que venceriam em julho.

Nossa! Quantos termos técnicos.

“Não entendi nada” é um pensamento mais que normal e não se envergonhe por isso.

É por isso que hoje vamos abordar o assunto, que sempre é manchete nos noticiários econômicos, mas nunca é devidamente explicado, com a simplicidade e fluidez característica do Mais Retorno.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

O que é swap

O que é SWAP

O Swap Cambial, utilizado pelo Banco Central, é um tipo específico de Swap. Vamos entender melhor como funciona esse instrumento antes de mergulhar no cambial.

Swap é um derivativo, ou seja, é um contrato cujo preço varia em função do preço de outro ativo. É um instrumento que costuma ser utilizado como hedge (um instrumento de proteção financeira).

Na prática, o Swap é uma troca da variação de um ativo por outro. Isso é feito como forma de trocar o risco dos investimentos.

Na operação, não há transferência de fluxos de capital, mas sim uma troca de rentabilidades no final do período do contrato. Calma, já explico melhor!

Imagine que, por exemplo, duas partes façam uma operação de swap de Ibovespa por Juros, isto é, um agente troca o rendimento que o Ibovespa terá no futuro pelo rendimento que uma determinada taxa de juros dará e vice-versa.

No vencimento do contrato se, por exemplo, a valorização da taxa de juros for inferior à do Ibovespa, o agente que “swapou” (que trocou o rendimento do juros pelo do Ibovespa) receberá a diferença entre essas duas variações.

Esse é o básico de qualquer contrato de Swap. No nosso exemplo foi de Ibovespa por juros, mas pode ser de qualquer ativo por outro.

O Swap Cambial do BC

SWAP cambial do BC

O swap cambial envolve duas partes: o próprio Banco Central e um investidor (a maioria bancos e fundos de investimentos). Na negociação ocorre uma troca de riscos, como qualquer Swap.

Aqui, no entanto, é bem definido qual posição que cada parte irá tomar: o Banco Central oferta o contrato com data estabelecida:

  1. Por um lado, a autoridade monetária se compromete a entregar a variação do dólar no período.
  2. O investidor, por outro lado, que adquire o contrato tem de pagar uma taxa de juros sobre o valor deles, geralmente a taxa DI (muito próxima da Selic).

É como se o investidor apostasse que o dólar irá subir mais que os juros, e o BC, o contrário.

É por isso que são entendidos como uma venda de dólar pelo BC no futuro. O futuro nesse caso é a data de vencimento e o BC se compromete a entregar a variação do dólar nessa data.

Como o BC terá que utilizar dólares para liquidar tal operação, portanto, é equivalente a uma operação de venda de dólares.

Na introdução do texto, também citei que o BC faz a rolagem dos contratos. Essas operações são feitas para renovar os contratos que venceriam.

Assim, o BC renova o compromisso de vender dólares empurrando a liquidação (efetivação do contrato de fato) para a frente, quando achar que isso é vantajoso estrategicamente.

Além disso, existe também o Swap Cambial Reverso.

Trata-se do mesmo mecanismo que o Swap tradicional utiliza, porém aqui invertem-se as pontas: o BC passa a ser a parte que obtém a variação do dólar, enquanto o investidor recebe a variação dos juros.

Logo, quando o BC faz uma operação de Swap Cambial Reverso, sua aposta é de que o dólar continuará a subir de preço, enquanto o investidor espera que o dólar deverá se desvalorizar.

Para que serve o Swap Cambial do Banco Central

Pra que serve o SWAP cambial do BC

Os Swaps cambiais começaram a ser ofertados pelo BC em 2002, como citei na introdução, em meio a disparada do dólar.

O BC utiliza esses contratos como uma forma de aliviar a pressão de compra de dólar. Ou seja, ele não utiliza o Swap visando a rentabilidade que isso o dará, mas sim como uma forma de controlar a volatilidade cambial do país.

Como esses contratos funcionam como uma garantia que o BC dará o quanto for a variação do dólar no período, ou seja, uma proteção contra o aumento do dólar, diminui-se a pressão de compra à vista. Dessa forma, a cotação do dólar é influenciada e fica mais contida.

Esses contratos servem também para dar “proteção” aos agentes que têm dívida em moeda estrangeira – neste caso, quando o dólar sobe, eles recebem sua variação do BC.

Dessa forma, o Swap Cambial é utilizado em ambientes de stress no mercado cambial com o dólar subindo de forma desenfreada. Os agentes, dessa forma, passam a demandar mais proteção e é o BC quem tem de dar essa segurança.

Como equivale a venda de dólares no futuro, o preço do dólar tende a diminuir.

Mas já passamos por momentos em que o real ficou bastante valorizado também. Foi nesse contexto que se inseriu o Swap Cambial Reverso.

Em meados de 2005, época de crescimento alto do Brasil, assim como da China, que fazia com que nossa balança comercial registrasse recordes de superávit, o real começou a se valorizar bastante.

O BC passou então a fazer a operação contrária dessa forma: O Swap Reverso.

Nele, a equivalência é por compra de dólares no futuro, fazendo com que a cotação da moeda estrangeira tendesse a se elevar.

Perspectivas atuais

Perspectivas atuais do SWAP

No atual cenário, o BC vem utilizando frequentemente a ferramenta do Swap tradicional, de forma a estabilizar mais a taxa de câmbio.

De fato, o dólar saiu de um patamar próximo a R$ 3,30 no começo do ano, para o atual, por volta de R$ 3,90.

Isso para operações comerciais!

Aquele que utilizamos para ir na Disney, é sempre mais caro e passa de R$4,00.

Isso tem diversas implicações em termos de política econômica e o BC teve de atuar.

Primeiro, por mais que a inflação esteja bastante controlada, a valorização cambial impacta os preços.

Segundo é que prejudica muito as empresas importadoras, pois como os preços dos produtos que importam são cotados em dólar, com a desvalorização eles encarecem.

O BC utiliza o argumento de que oferece proteção aos agentes ao ofertar o swap cambial e isso é verdade. A perspectiva é que o instrumento deve continuar a ser utilizado por dois fatores que continuarão pressionando a taxa de cambio: um doméstico e um externo.

O fator externo refere-se ao aumento dos juros pelos EUA. A explicação é direta: com juros maiores nos EUA que é um país seguro, os países emergentes como o Brasil perdem atratividade de aplicações.

Assim, os investidores globais migram seus recursos para os países centrais.

Ao não existir mais tanto recursos globais aqui, o câmbio tende a se desvalorizar.

Já o fator doméstico são as eleições presidenciais.

Sem entrar em discussão ideológica aqui, o fato é que o mercado financeiro tem um candidato que mais gosta: aquele comprometido com reformas necessárias para a economia brasileira. Principalmente as de caráter fiscal.

Além disso, a eleição ainda é muito incerta. Mais do que o candidato que o mercado gosta não decolar, ainda não está definido quem será o candidato mais forte.

E se tem algo que o mercado não gosta é incerteza. Afinal, incerteza é risco.

Toda essa incerteza também faz com que o investidor global “saia” do país, colocando mais pressão sobre a taxa de câmbio.

Essa pressão tem de ser atenuada pelo BC e ele deve fazer isso por meio dos Swaps Cambiais.

Então, ainda devemos ouvir falar muito do instrumento nos noticiários.

Pelo menos agora você saberá perfeitamente do que se tratam.

Conclusão

Os swaps são instrumentos importantes de proteção financeira e podem ser utilizados como Hedge de diversas formas. São trocas de riscos.

Utilizando desse instrumento, o Banco Central desenvolveu uma ferramenta especifica que o permite atuar no mercado cambial: o Swap Cambial.

No contexto que vivemos, o BC tem atuado cada vez mais com esses instrumentos e é provável que continue os utilizando com o que ainda devemos passar.

IMPORTANTE: Vale ressaltar que o cenário descrito, bem como os efeitos nas cotações do dólar apresentados tem propósito único e exclusivamente educacionais e em nenhum momento você deve encarar qualquer parte do texto como recomendação de investimentos.

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Swap: entenda o que é, como funciona e para que serve o Swap do Banco Central
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