Ganhar dinheiro com investimentos parece ter um apelo extremamente sedutor. Afinal, você pode controlar seus investimentos de casa, de seu smartphone. O trabalho é mínimo.

Você que já vive o mundo dos investimentos (ótima decisão, por sinal) já deve ter escutado que fulano teve um ganho astronômico com determinado investimento.

Assim, por vezes, pode ser bem tentadora aquela aplicação e você pode esquecer de algo extremamente importante: os Riscos dos Investimentos

Em finanças, existe uma relação que em geral é bem seguida: Quanto maior o retorno de um investimento, maior tendem a ser os riscos dos investimentos.

O que quero dizer com risco? Existe mais de um tipo de risco? É possível me proteger dos riscos dos investimentos? Como fazer isso?

São essas perguntas chaves que vamos abordar hoje.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

  1. O que é Risco
  2. Principais tipos de Riscos dos investimentos
    1. Risco Diversificável
    2. Risco de Mercado (não diversificável)
    3. Risco de Liquidez
    4. Risco de Crédito
    5. Risco Legal
    6. Risco Operacional
  3. Como proteger meu dinheiro dos Riscos dos investimentos

O que é Risco

O que é risco nos investimentos

Muitas vezes falamos que tal coisa “tem risco elevado” ou outra coisa “não é nada arriscada”, porém não paramos para pensar de fato, o que é risco, principalmente no mundo das finanças.

Se eu falar para você: “não venda casaco de pele no nordeste”.

Por que isso parece tão óbvio? Claro que existe um risco muito grande de não vender nada e ter prejuízos.

A probabilidade de que algo não se realize conforme esperado é o risco disso. Nos investimentos, não é diferente.

Vamos dar um passo atrás e definir formalmente retorno em primeiro lugar, e depois, risco.

O retorno é medido como média dos retornos em um período. Ou seja, em média, quanto é esperado que aquela aplicação me dê de lucro.

Risco, por outro lado, é quanto aquele retorno pode variar no mesmo intervalo de tempo.

Vamos para um exemplo prático para ficar mais fácil de visualizar essa diferença. Observe a tabela a seguir que nos diz o rendimento mensal de um hipotético investimento.

Tabela rendimento

Observe que a média, que é na maioria das vezes como é medido o retorno, foi de 8,0% a.a., algo nada extraordinário, mas que pode ser considerado satisfatório com a taxa de juros a 6,5% a.a.

No entanto, olhe mais a fundo e perceba o quão oscilante foram os rendimentos pelos meses. Tiveram vários períodos negativos, outros de retorno exuberante.

Imagine abrir sua conta de investimentos e perceber um rendimento de 32% (mês de maio) e no outro verificar uma perda de 12% (junho). Não é algo desejável para o seu dinheiro.

Se alguma coisa pode dar um retorno maravilhoso, isso é ótimo! Entretanto se, ao analisarmos essa aplicação verificarmos que dificilmente aquele retorno ocorre, então já não é mais tão interessante assim.

A ideia mais geral de risco é, desse modo, a probabilidade de não ocorrência de algo que prevíamos.

Portanto, o risco mais conhecido e importante é aquele de seu rendimento esperado não ocorrer.

Por isso, é importantíssimo saber se investimentos de risco realmente são adequados para você. E a melhor forma de saber isso é compreendendo seu perfil de investidor.

É por isso que preparamos um teste exclusivo de forma totalmente inovadora, simples e divertida de fazer. Você não leva nem 2 minutos para terminar e ainda recebe uma surpresa no final! Clique abaixo para fazer o teste agora:

Porém, te digo que existem diversos tipos de riscos dos investimentos. A seguir vou falar sobre cada um deles com mais calma.

Tipos de riscos dos investimentos

Tipos de riscos

Por lógica, o risco relacionado ao valor financeiro que posso perder é o mais interessante. Por outro lado, existem outros riscos que devem ser levados em conta na hora de se investir.

Os riscos obviamente estarão relacionados a perda de capital. Alguns são mais diretos, afetando o próprio valor do seu investimento e outros mais indiretos, impactando alguma condição que pode gerar prejuízos mais a frente.

Vamos ver com detalhes esses riscos, começando pelos mais diretos e depois pelos indiretos.

Risco Diversificável

Este é o risco mais geral e aquele relacionado às perdas financeiras de um investimento especifico. Está relacionado à qualquer tipo de fato que leve tal aplicação a não ter a performance esperada.

Por exemplo, imagine que as ações da Vale estão indo super bem, tendo valorização expressiva. No fim do trimestre, surpreendentemente a Vale reporta um lucro menor do que o esperado porque as vendas de minério caíram.

As ações iriam se desvalorizar repentinamente.

Este risco é chamado risco diversificável porque está relacionado a um único investimento: as ações da Vale.

Logo, é muito provável que enquanto as ações da Vale caiam, outras ações subam. Ou seja, era possível ter um outro investimento que se comportaria de maneira contrária e assim o risco da carteira como um todo seria menor.

Risco de mercado ou não-diversificável

O Risco de Mercado, diferentemente do anterior, atinge todo o mercado e assim não é possível diversificar sua carteira para mitigar esse risco. Afinal todos os ativos serão afetados em conjunto nesse caso.

Esse tipo de risco geralmente está relacionado à eventos que afetem a economia (e por consequência, o mercado) como um todo. Inflação, crescimento baixo, mercado externo com desempenho ruim são exemplos desse tipo de risco.

Para exemplificar, imagine que as vendas da Vale estão indo extremamente bem e o preço do minério de ferro subindo. As ações tenderiam a ter um bom desempenho.

Agora suponha que a bolsa norte-americana teve um dia bastante ruim devido a, digamos, fatores políticos. As ações da Vale seriam afetadas mesmo que tivessem perspectiva boa.

Isso ocorreria porque a situação descrita (bolsa norte-americana ruim) afeta todos os investimentos do mercado financeiro.

Dessa forma, não seria possível encontrar uma aplicação alternativa que permitisse diversificar todos os riscos dos investimentos.

Risco de liquidez

Este é o risco de não conseguir achar alguma contraparte da sua operação no mercado, isto é, caso queira vender um ativo, não achar um comprador para ele e vice-versa.

Por exemplo, imagine que você conseguiu uma rentabilidade expressiva com um fundo imobiliário. Você claramente irá querer embolsar essa rentabilidade.

No entanto esbarra em um problema: Este ainda não é um investimento muito popular e não existem muitas pessoas participando do mercado.

Por conta disso você não encontra alguém que queira comprar sua cota, te obrigando, de forma não desejada, a ficar com este investimento na carteira.

Ou ainda, mesmo que conseguisse encontrar poucos compradores, teria que vender “a preço de banana” suas cotas para conseguir colocar o dinheiro no bolso novamente, fazendo que que boa parte do seu rendimento fosse perdido.

Risco de Crédito

Risco de Crédito está relacionado à inadimplência de um crédito.

Afinal, será que aquele rendimento combinado será de fato recebido? A contraparte da operação (quem pegou o dinheiro emprestado) tem capacidade de honrar esse compromisso e te devolver o dinheiro investido e mais os juros?

Portanto, esse risco está relacionado a não obter o retorno combinado ou até mesmo receber de volta o valor investido, por conta do “calote” que teria levado da outra parte.

De maneira simples, imagine que você emprestou R$ 10 mil para um amigo para ele te pagar com juros em 3 meses.

Ao final do período, esse amigo relata que não irá conseguir pagar por algum motivo qualquer.

Você teria então sido impactado diretamente pelo Risco de Crédito e, portanto, não receberia o valor acordado (e nem mesmo o dinheiro emprestado inicialmente).

No mercado financeiro funciona da mesma forma.

Um banco pode quebrar e não honrar o CDB que você possui. Uma Debênture pode não ser horada caso a empresa emissora venha a quebrar. Ou seja, eventos que incorram no não pagamento do combinado.

É nesse sentido que existem diversas agências de classificação de crédito.

Elas avaliam centenas de emissores de dívidas e emitem opinião se aquela empresa, banco, ou mesmo país são bons pagadores ou não.
Dessa forma, ajudam a diminuir o Risco de Crédito do mercado financeiro e dos investidores finais.

Este tipo de risco está associado a possíveis ilegalidades que venham a ocorrer seja por uma antiga lei não cumprida ou pela alteração de uma lei no meio do caminho (algo bastante comum no Brasil). Em outras palavras, é o prejuízo causado no investimento pelo não cumprimento da legislação, seja a que dita os mercados, tributária, trabalhista e assim por diante.

Recentemente tivemos algo bem característico de risco legal.

Fundos Exclusivos, que são aqueles acessíveis apenas para famílias com patrimônio maior que R$ 10 milhões, até recentemente tinham vantagens de tributação de isenção do come-cotas.

Em novembro de 2017, no entanto, o governo editou uma MP que iguala a tributação desses fundos com os demais, causando um prejuízo aos investidores de Fundos Exclusivos do dia para a noite.

E não tem o que o investidor fazer. Uma vez instituída a nova lei, terá que se adequar a ela ou trocar de investimento.

Risco operacional

Este último risco está relacionado à possíveis falhas no processo de investimento, seja na aplicação, na custódia ou liquidação de uma operação. Podem envolver falhas humanas ou de equipamentos.

Suponha que você deu uma ordem de resgate de seus recursos em um fundo de investimentos, porém, o custodiante está passando por problemas de sistema e não consegue liquidar a operação. Você não receberá os recursos na data solicitada, podendo ser postergado o pagamento.

Apesar da existência de todos esses riscos dos investimentos, existem algumas formas de proteger seu dinheiro para poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo de noite.

A seguir abordarei algumas das principais formas de proteger seu dinheiro dos riscos.

Como proteger meu dinheiro do Risco dos Investimentos

Como me proteger dos riscos

Agora que já sabemos que além dos riscos de perdas financeiras existem também outros riscos no mundo das finanças, vamos passar ao mais importante: Como me proteger desses riscos.

Primeiro vamos falar da proteção dos riscos mais importantes (aqueles relacionados diretamente às perdas financeiras) e prosseguiremos aos riscos dos investimentos que também levam a perdas financeiras, de forma indireta.

Como já citado lá em cima, a maneira mais adequada de diminuir os riscos de perda é diversificando a sua carteira. Vale aquela frase clichê do mercado aqui: “não ponha todos os ovos na mesma cesta”.

O que quero dizer com isso é que se ocorrer uma adversidade e você tiver apenas um tipo de investimento perderia muito dinheiro, ao contrário do que aconteceria se tivesse uma parcela em outros tipos de investimento.

Pegue como exemplo como o câmbio afeta as empresas.

Enquanto uma empresa exportadora é beneficiada pela desvalorização da taxa de cambio (os produtos que vende ficam mais caros), uma importadora é prejudicada pela desvalorização do câmbio (sua matéria-prima fica mais cara).

Naturalmente a desvalorização do câmbio irá afetar as ações dessas empresas de modo contrário.

Por isso, se você tiver seus recursos em apenas uma delas, correrá maiores riscos de ser afetado do que se tivesse uma carteira diversificada.

No entanto, quanto mais ativos diferentes você tiver em sua carteira, menor serão os riscos dos investimentos que poderão ser mitigados.

Afinal, lembre-se que temos também o risco de mercado que afeta todos os investimentos e que não temos como fugir.

Para entender melhor, veja o gráfico abaixo:

Gráfico de risco dos investimentos

Dessa forma, sempre tente investir em diversos ativos, e de preferência aqueles que se movem de maneira contrária, assim quando “passar um calor” em algum deles, será resguardado pelo outro.

Ainda relacionado ao risco de perda, no Brasil temos um mecanismo importante para o investidor mais conservador.

O FGC (Fundo Garantidor de Crédito) é um fundo que as instituições financeiras criaram para honrar os compromissos caso algum banco ou financeira quebre. O interesse dessas instituições é que uma quebra não contamine todo o sistema financeiro.

O FGC garante ao investidor até R$ 250 mil em investimentos de cada pessoa, física ou jurídica.

Isto equivale a dizer que caso você tenha um CDB de um banco e ele por ventura quebre, o FGC te devolverá até R$ 250 mil do seu dinheiro investido.

Os seguintes créditos fazem parte da garantia do FGC:

  • Depósitos à vista – essa é sua conta corrente básica, também está coberta
  • Poupança
  • CDB
  • Letras de Câmbio (LC)
  • Letras imobiliárias (LI)
  • Letras de crédito imobiliário (LCI)
  • Letras de crédito do agronegócio (LCA)
  • Letras hipotecárias (LH)

O FGC é um instrumento bem importante e dá uma garantia crível de recebimento e ajuda a diminuir o risco como um todo.

Os demais riscos relacionados a eventos que dificultem recebimento ou operacionalização dos seus investimentos são diminuídos, principalmente, escolhendo entidades sólidas e com boa reputação para investir.

Por isso, verificar as classificações de crédito das agências também é sempre recomendado.

Conclusão

Os riscos são intrínsecos à atividade financeira e por isso devem sempre ser levados em consideração na hora de se investir.

Também é preciso lembrar que uma relação sempre presente no mundo das finanças é a de que quanto maior o retorno, maior tende a ser o risco desse investimento.

Tome muito cuidado com investimentos que prometam o céu e a terra, (rendimento elevado, risco baixo e com bastante liquidez).

Provavelmente essa proposta se tratará de uma tentativa de golpe e/ou pirâmide financeira.

Use sempre os mecanismos de proteção contra os riscos explicados acima.

E se ficou com alguma dúvida adicional ou quer contribuir mais com o assunto, comente abaixo!

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Principais Riscos dos Investimentos: Como proteger o meu dinheiro?
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