O ano é 2017, começamos vislumbrando, com chance bastante alta, a aprovação da reforma da previdência e uma recuperação mais consistente da economia naquele mesmo ano.

Somos acostumados com juros altos e grande parte dos investimentos são alocados em renda fixa (me coloco no meio disso também, afinal esse foi o caminho mais fácil a seguir).

No entanto, o ano passado se mostrou bastante desafiador para esse “senso comum” e o mercado financeiro em geral.

A queda arrojada que a taxa SELIC teve durante o ano, de um lado, foi força motriz para que gestores buscassem diversificar rendimentos, em especial em ações.

Do outro lado, um evento particular abalou em rendimentos dos fundos: o episódio JBS (sim, a política, em especial no Brasil, desempenha papel relevante nos mercados) minou as chances de reforma da previdência e “virou” o mercado, já que todo mundo, em maior ou menor grau, apostava na aprovação da reforma e, portanto, alocou recursos dessa forma.

Em geral, em um ambiente desafiador como o que acabei de descrever, os melhores fundos de investimentos de 2017, tiveram que readequar e buscar novas estratégias de investimentos e tomar mais risco.

Isso ocorreu por uma conjunção de fatores: a já citada queda de juros; uma retomada, mesmo que ainda tímida, da economia brasileira; a implementação de outras reformas, como a trabalhista (a economia real importa), dando mais a cara de que o país estava fazendo o dever de casa, apesar da frustação com a previdência; e um setor externo bem benéfico (mercado acionário norte-americano renovando picos históricos).

Mas você talvez esteja pensando “ok, isso já passou, o que você pretende com este texto, então?”.

Primeiramente, conforme este excelente texto escrito pelo Arthur aqui no Mais Retorno, a economia no ano de 2018 pode ter uma toada parecida com 2017 (recuperação atividade, ainda incertezas no caminho, taxa de juros ainda baixa).

Segundo, o desempenho passado é sim importante termômetro para o futuro (nesse sentido, fique também ligado à nossa ferramenta de fundos). Obviamente, não sabemos se o fundo irá ou não repetir o desempenho passado, porém, o passado nos dá um bom indicativo de como o fundo se comportará.

Olhar para o passado recente e verificar os melhores fundos de investimentos de 2017 é, portanto, um bom caminho para seus investimentos.

Economistas (espero que minha classe esteja fazendo a lição de casa) utilizam muito de estatística para suas análises (sim, mesmo com todas imperfeições, a média é algo comum a nós e nos diz muita coisa) porque é o jeito mais objetivo de inferir algo sobre algum fenômeno (neste caso, os melhores fundos de investimentos de 2017).

Assim, o passado nos diz, EM MÉDIA, qual a performance esperada do fundo. Ou seja, em situações normais, o fundo tende apresentar o rendimento passado.

Antes de nos aprofundarmos nos melhores fundos de investimentos de 2017 para que você possa identificar qual fundo de investimento é melhor neste momento, pontuo que, com intuito de trazer as informações mais atualizadas para você, leitor, os dados de desempenho dos fundos estão no período dos últimos doze meses e não o consolidado para 2017.

FUNDOS DE RENDA FIXA

Fundos de renda fixa

AF Investimento FI em renda fixa crédito privado GERAES

Vamos iniciar a análise dos melhores fundos de investimentos de 2017 com a categoria de renda fixa.

Este fundo de investimento da gestora mineira Araújo fontes é bastante conservador, com atuação principalmente no mercado secundário de renda fixa. O fundo teve rendimento de 10,36% em doze meses contra 9,38% do CDI, ou seja, rendem 110,4% do CDI. Ainda teve uma volatilidade de 0,19% com Sharpe de 7,26.

Definitivamente, isso mostra que você não deverá ter surpresas ao investir nesse fundo. Como o gráfico de rendimento mostra, espere um desempenho muito próximo do CDI.

No entanto, dado todos os fatos que citei na introdução desse texto, na categoria renda fixa este foi o fundo que mais rendeu.

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO AF INVESTIMENTO FI X CDI

Gráfico AF Investimento

Rentabilidade AF Investimento

Outras características do fundo:

  • Taxa de administração: 0,50% a.a
  • Taxa de performance: não há
  • Aplicação inicial: R$ 25.000,00
  • Público alvo: Pessoas físicas e jurídicas, sem restrições

BB Amplo fundo de investimentos em cotas de fundos de investimentos Longo Prazo

Este fundo do gigante banco estatal (de economia mista, na verdade) tem desempenho de 9,08% em doze meses.

O fundo segue o perfil conservador, aplica seus recursos em fundos de investimentos com carteira composta por títulos públicos federais ou títulos privados.

Mais do que o fundo da Araújo Fontes, o BB amplo FIC segue de muito perto o CDI, conforme figura abaixo.

Em 12 meses, o fundo apresenta volatilidade de 0,14% com Sharpe de 0,88.

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO BB AMPLO FIC X CDI

Gráfico BB Amplo

Rentabilidade BB Amplo

Outras características do fundo:

  • Taxa de administração: 0,30% a.a
  • Taxa de performance: não há
  • Aplicação inicial: R$ 100,00
  • Público alvo: Pessoas físicas e jurídicas, sem restrições

FUNDOS MULTIMERCADOS

Fundos multimercados

ATUALIZADO(06/03/18): VERSA LONG BIASED FIM

Colocamos a pedidos aqui mais um fundo da promissora gestora GTI. O multimercado versa sofreu durante anos e não conseguia bater nem mesmo o CDI. Esse cenário mudou a partir de 2016 e o fundo apresentou sólidos rendimentos a partir de então.

Em 2017, o fundo apresentou rendimento de 165% e em doze meses o rendimento está ainda maior, da ordem de 217,6%.

Todo esse ganho é obtido com volatilidade de 31,14% e sharpe de 6,70. A volatilidade pode ser considerada um pouco elevada em relação aos outros pares multimercados que comparamos, entretanto o Sharpe é extremamente elevados, fruto do ótimo rendimento.

O perfil do Versa é bastante arrojado. O fundo busca rendimentos através de gestão ativa de carteiras ações, com alavancagem e posições vendidas à descoberto, utilizando também derivativos financeiros. Em entrevista recente o gestor do fundo deixou transparecer esse perfil de que gosta de tomar riscos.

Esse perfil arrojado se traduz na volatilidade alta do fundo. Assim, ao investir no Versa tenha sangue frio.

O fundo vem performando extremamente bem, porém os percalços também podem ser grandes.

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO VERSA LONG BIASED FIM X CDI

Gráfico Versa Long Biased FIM

Rentabilidade Versa Long Biased FIM

Outras características do fundo:

  • Taxa de administração: 2% a.a (máxima de 2,3% a.a.)
  • Taxa de performance: 20% sobre o que exceder do CDI
  • Aplicação inicial: R$ 5.000,00
  • Público alvo: Investidores profissionais, que entendam os riscos inerentes de um fundo alavancado.

SPX Raptor Feeder

Fundo multimercado da famosa Gestora SPX investe no irmão Raptor Master e tem como política de investimentos estratégias globais nos mercados de juros, índices de preços, taxas de câmbio, commodities e ações. O fundo pode manter 40% dos recursos aplicados no exterior.

O Raptor Feeder tem desempenho extremamente satisfatório de 29,16% em doze meses. Com o sólido background macroeconômico que a equipe da SPX possui, o fundo também foi beneficiado por investir no exterior, o que amplia o leque de possibilidades de investimentos (desde que seja feito com habilidade, algo que a SPX possui de sobra).

A volatilidade do Raptor Feeder foi de 11,07% em doze meses, com um Sharpe de 1,82. Estatísticas bastante positivas, uma volatilidade em linha com fundos multimercados, com um rendimento alto, resultando em um Sharpe elevado.

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO SPX RAPTOR FEEDER X CDI

Gráfico SPX Raptor

Rentabilidade SPX Raptor

Outras características do fundo:

  • Taxa de administração: 2% a.a (máxima de 2,3% a.a.)
  • Taxa de performance: 20% sobre o que exceder do CDI
  • Aplicação inicial: R$ 1.000,00
  • Público alvo: Investidores profissionais, sem restrição

Exploritas Alpha America Latina FIC FIM

Este fundo é gerido pela Exploritas, empresa com experiência nos mercados da América Latina e Emergentes, e tem estratégia operações nos mercados de juros, câmbio, ações, commodities e dívida.

Em 12 meses o Exploritas Alpha tem rendimento de 20,15% com volatilidade de 8,07%, resultando num Sharpe de 1,39.

Essas estatísticas evidenciam quão satisfatório foi o desempenho do Exploritas Alpha.

O fundo apresentou um rendimento próximo ao dos fundos multimercado que mais renderam, com uma volatilidade baixa para esta classe de fundos. O que resultou no Sharpe elevado para fundos multimercados.

Além disso, uma olhada rápida na rentabilidade histórica do fundo mostra que seus resultados possuem alta consistência.

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO EXPLORITAS ALPHA AMERICA LATINA GLOBAL X CDI

Gráfico Exploritas Alpha

Rentabilidade Exploritas Alpha

Outras características do fundo:

  • Taxa de administração: 2,00%, máxima de 2,50%
  • Taxa de performance: 20% sobre o que exceder do CDI
  • Público alvo: Investidores qualificados

Absolute Alpha Global FIC FIM

Este fundo de investimento da gestora Absolute adquire cotas de seu fundo irmão, o Absolute Alpha Global Master FIM, que busca retornos superiores ao CDI com atuação nos mercados de ações, juros e câmbio. O fundo utiliza ativos tanto domésticos quanto internacionais.

O rendimento em 12 meses é de 11,61% ou 139% do CDI. Teve uma volatilidade de 2,43% com um Sharpe de 1,09. Ou seja, mostrou um rendimento bastante consistente e mesmo em um ambiente desafiador, teve volatilidade baixa para um fundo multimercado e um Sharpe bem aceitável.

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO ABSOLUTE ALPHA GLOBAL X CDI

Gráfico Absolute Alpha

Rentabilidade Absolute Alpha

Outras características do fundo:

  • Taxa de administração: Mínima de 1,90% e máxima de 2,50%
  • Taxa de performance: 20% sobre o que exceder do CDI
  • Aplicação inicial: R$ 50.000,00
  • Público alvo: Público geral

FUNDOS DE AÇÕES

Fundos de ações

Venture Value FIA

Gerido pela Venture Invest, o Venture FIA é um fundo de investimentos em ações que mostrou desempenho extraordinário no ano passado. Pela política do fundo, o objetivo é proporcionar ganhos de capital, primordialmente no mercado acionário, sem perseguir uma correlação com qualquer índice.

Para isso é preciso confiar na gestora, e nesse sentido o histórico de rentabilidade conta a favor deles.

Desde de sua criação, o fundo superou o Ibov na esmagadora maioria dos meses, e de fato, confirma a excelente performance em doze meses com um fabuloso rendimento de 73,24%, 41,94 pontos percentuais acima do Ibovespa! (Desde a criação o fundo acumula variação 97,37 p.p. acima do Ibovespa).

Além do rendimento extremamente favorável, o fundo não apresentou uma volatilidade excessiva se considerarmos que se trata de um fundo em ações (23,13% de volatilidade em 12 meses), resultando num Sharpe bastante satisfatório de 2,78.

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO VENTURE VALUE X IBOVESPA

Gráfico Venture Value

Rentabilidade Venture Value

Outras características do fundo:

  •  Taxa de administração: 2% a.a
  • Taxa de performance: 20% do que exceder o IBOVESPA
  • Aplicação inicial: R$ 10.000,00
  • Público alvo: Pessoas físicas e jurídicas, sem restrições

ALASKA BLACK FIC FIA BDR NIVEL I

Dificilmente da para falar dos melhores fundos de investimentos de 2017 sem citar o Alaska.

Este fundo da gestora Alaska aloca 97% dos recursos no fundos irmão ALASKA BLACK MASTER. O fundo, através do investimento em empresas, procura gerar rendimento consistente ao benchmark (Ibovespa).

O fundo tem rendimento de 37,66% em doze meses contra 31,30% do Ibovespa. Apresentou uma volatilidade 44,72% e índice de Sharpe de 0,59.

Essas estatísticas mostram que o fundo teve um desempenho bastante significativo, porém uma considerável volatilidade, que resultou em um Sharpe razoável. Ou seja, apesar do alto rendimento, esse fundo (como a maioria) “passou calor” no ano.

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO ALASKA BLACK X IBOVESPA

Gráfico Alaska Black

Rentabilidade Alaska Black

Outras características do fundos:

  • Taxa de administração: 2% a.a
  • Taxa de performance: 20% acima IPCA+6%
  • Aplicação inicial: R$ 5.000,00
  • Público alvo: exclusivo para investidores qualificados e fundos de investimentos

GTI Dimona Brasil FIA

Este fundo da gestora GTI há tempos que vem apresentando desempenhos excelentes. O fundo busca superar o Ibovespa através de investimentos em ações cujos preços em bolsa sejam considerados “baratos” pelos gestores.

2017 foi mais um ano que o GTI Dimona variou mais que o Ibovespa (bem mais na realidade, 31,76 p.p. acima) com rentabilidade de 63,06% em doze meses e volatilidade comportada de 17,40%, resultando em um Sharpe excelente de 3,11.

Conforme falamos acima, o GTI Dimona Brasil vem se provando ao longo do tempo e acumula 183,7 p.p. acima do Ibovespa desde sua criação em 2007. Ou seja, além de apresentar excelente desempenho, não é um fundo recém-nascido (seu rendimento não é fruto do acaso).

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO GTI DIMONA X IBOVESPA

Gráfico GTI Dimona

Rentabilidade GTI Dimona

Outras características do fundo:

  • Taxa de administração: 2% a.a
  • Taxa de performance: 15% sobre o que exceder do Ibovespa semestralmente
  • Aplicação inicial: R$ 5.000,00
  • Público alvo: Investidores em geral

CONCLUSÃO

O ano de 2018 deve ter ainda taxas de juros baixas, o que implica que mais investimentos conservadores devem perder atração e mais risco deve ser tomado para quem quer manter um rendimento satisfatório.

Dessa forma, quero de novo deixar claro que o desempenho passado não é garantia de performance futura, mas sim um excelente parâmetro para se guiar. Algo como “para onde eu olho?”.

E é exatamente este o objetivo do texto, fornecer as ferramentas para que você tome a melhor decisão dentre diversas opções.

Afinal, escolher entre os melhores fundos de investimentos de 2017 me parece muito melhor do que escolher ao acaso, não acha?

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