Open Nav

Como as políticas econômicas influenciam seus investimentos?

Por:
18/02/2020

Obter bons resultados em investimentos depende, basicamente, de uma única coisa: onde você escolhe colocar seu dinheiro. Coloque no lugar certo, nos ativos certos, e você pode se tornar o próximo milionário na capa da Forbes. Coloque no lugar errado e você pode perder tudo em questão de dias.

É claro que isso cria uma pressão muito grande para tomar as decisões de investimentos certas. Afinal de contas, como você escolhe onde colocar seu dinheiro? Existem muitos fatores que exercem uma influência, mas um dos menos considerados, especialmente por investidores iniciantes, são as políticas econômicas.

Quantas vezes você já pensou nas políticas econômicas antes de escolher um ou outro ativo? Se você adotar esse hábito, pode observar uma melhora considerável nos seus rendimentos. Nesse artigo, vamos abordar mais a fundo essa relação.

Comece entendendo as políticas econômicas

Então, você precisa analisar as políticas econômicas e considerar o que elas significam para suas decisões de investimento. Porém, você só pode fazer isso se entender, pelo menos, os conceitos mais básicos relacionados a esse assunto.

Na realidade, política econômica é um termo guarda-chuva, usado para se referir a um conjunto de ações que o governo planeja e executa, com o objetivo de produzir um impacto específico na economia. Esse impacto pode ser, principalmente, de quatro naturezas: incentivar o crescimento, promover a estabilização, melhorar a distribuição de renda ou aumentar a eficiência.

Além disso, a política econômica pode ser de curto prazo, para resolver situações pontuais, ou de longo prazo, para realmente mudar a estrutura da economia. 

Dentro do conjunto de ações mencionadas, existem vários tipos de instrumentos. Em outras palavras, a política econômica é composta por outros tipos de políticas. As mais importantes são a política fiscal, a monetária e a de renda.

A política fiscal está ligada às contas do Estado, ou seja, o que ele gasta e o que ele ganha. E não podemos esquecer de que os ganhos do Estado estão vinculados, principalmente, à arrecadação de tributos.

A política monetária está ligada ao dinheiro em si. E não estamos falando apenas do dinheiro físico, mas também do crédito e, consequentemente, das taxas de juros.

A política de renda, por sua vez, está ligada à maneira como a riqueza é distribuída entre a população. De maneira geral, essas políticas sempre visam melhorar a distribuição, reduzindo desigualdades.

Esses são os conceitos essenciais sobre políticas econômicas que você precisa entender, para começar a ser mais consciente em relação a como elas podem influenciar seus investimentos. Agora, vamos ao que interessa: a parte prática.


Descubra as principais relações entre políticas econômicas e decisões de investimento

Existem várias maneiras pelas quais uma política econômica pode influenciar seus investimentos, e você precisa considerá-las para tomar decisões. Então, vamos ver algumas delas?

1. Criação de tributos

Sabemos que as políticas fiscais fazem parte das políticas econômicas, e uma delas é a criação de tributos. De maneira geral, isso é feito para aumentar a arrecadação e evitar um maior endividamento estatal.

Por exemplo, se o governo cria tributos que afetam uma certa atividade econômica, isso pode reduzir os lucros das empresas que exercem essa atividade. Então, se você tem ações ou outros tipos de ativos ligados a uma dessas empresas, seus rendimentos de investimento também diminuem.

2. Concessão de benefícios fiscais

Aqui temos, basicamente, a situação oposta ao item anterior. O governo concede, a algumas empresas, a possibilidade de pagar menos tributos ou até eliminá-los completamente. O objetivo é incentivar as empresas a ser mais produtivas.

Ao receber esses benefícios, portanto, a margem de lucro das empresas aumenta. E, se você tiver ativos ligados a essas empresas, terá uma probabilidade de alcançar rendimentos mais altos.

3. Ampliação da base monetária

E se o governo aumenta o volume de dinheiro disponível na economia? Ao fazer isso, ele estimula o consumo. Esse aumento da base monetária pode ser ampliada por meio da redução da taxa de depósito compulsório.

Explicando de maneira muito breve, se os bancos precisam guardar uma parcela menor do dinheiro que é depositado, eles podem usar uma parcela maior para empréstimos. E, toda vez que o banco empresta dinheiro, ele amplia a base monetária. 

O que isso tem a ver com investimentos? Se o governo reduz a taxa de depósito compulsório, o banco pode emprestar mais. Isso significa que o acesso a crédito fica mais simples, o que leva muitas empresas a aproveitar o momento para expandir suas operações. Um cenário possivelmente positivo para os acionistas.

4. Constrição da base monetária

Em geral, quando o governo diminui o volume de dinheiro disponível na economia, está tentando colocar a inflação sob controle. Porém, existe um outro efeito: afetar a taxa de câmbio. 

Menos dinheiro significa que haverá uma tendência à valorização do real diante do dólar e de outras moedas estrangeiras fortes. Logo, quem se interessa em investimentos envolvendo Fundos Cambiais, por exemplo, deve estar atento a esse movimento.

Não é só isso: se o real valoriza, torna-se mais barato importar. Por isso, empresas que dependem de operações de importação também devem apresentar resultados melhores, beneficiando os seus investidores.

5. Aumento do salário mínimo

Entre as políticas de renda, a mais importante é o salário mínimo, que sofre reajustes ao menos uma vez por ano. O reajuste é o que possibilita que mesmo os trabalhadores que ganham menos continuem sendo capazes de prover suas necessidades, mesmo com o aumento dos preços.

Acontece que o aumento do salário mínimo representa um custo adicional para as empresas e para o próprio Estado. Isso pode prejudicar os rendimentos de alguns ativos de renda variável. 

Por outro lado, se o aumento é efetivo, ele promove uma mudança no padrão de consumo da população. Os trabalhadores podem passar a gastar com coisas que não compravam antes, como lazer e itens de luxo. Isso pode beneficiar os rendimentos dos ativos ligados a essas indústrias.

Veja um exemplo recente de políticas econômicas: os cortes da taxa de juros

O exemplo mais recente de políticas econômicas com impacto considerável sobre os investimentos foram os cortes da taxa de juros, que, a rigor, é uma medida de política monetária. Entre 2019 e 2020, o COPOM determinou a redução da taxa Selic várias vezes, atingindo recentemente o piso histórico de 4,25%.

Ao fazer isso, muitos ativos de renda fixa tornam-se escolhas inadequadas, porque o retorno real de um investimento nesses títulos pode ser negativo. A indexação à Selic não vai ser capaz de proteger o dinheiro contra as perdas inflacionárias. Resumindo, você pode colocar hoje R$ 1.000,00 na poupança e retirar, daqui a um ano, considerando a inflação, apenas R$ 995,00 (do ponto de vista do poder de compra real).

Portanto, essa é uma política econômica que está levando os investidores atentos a reequilibrar suas carteiras, optando por uma proporção maior de ativos de renda variável ou ativos de renda fixa de maior prazo ou risco.

Conclusão

Nesse artigo, você viu alguns exemplos de como as políticas econômicas influenciam seus investimentos e porquê você deve estar atento a elas, na hora de tomar decisões sobre o seu dinheiro. Essa foi uma introdução ao tema, pois ele é realmente complexo.

Nós vimos apenas algumas das relações possíveis entre política econômica e investimentos. Além disso, não se esqueça de que várias medidas são implementadas em conjunto, nem sempre de maneira alinhada. Portanto, sem uma análise do caso real, não é possível prever adequadamente os efeitos que serão gerados e determinar como isso deve afetar suas escolhas.

Quer aprender mais? Aproveite para fazer o download do nosso livro gratuito Investidor Especialista, e domine o essencial para acelerar seus investimentos!

Descomplicando a Bolsa de Valores

Avalie esse texto e nos ajude a melhorar cada vez mais.

Leia também:

Sobre o autor

  • Clara Mangolin
  • Clara Coelho Mangolin é formada em Letras pela Universidade Estadual de Campinas e trabalha com a produção de conteúdo desde 2009. Tem Pós-graduação em Administração de Empresas pela FGV-SP e especialização em Financial Markets pela Proseek. Atualmente, cursa graduação em Direito na Facamp. É especialista em conteúdos sobre gestão, economia e finanças, serviços jurídicos e tecnologia.

Deixe seu comentário aqui

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Deixe seu e-mail e receba conteúdos antes de todo mundo.

100.000 investidores já fizeram isso!