Faculdade a escolher, certificações a tirar, melhor área para se trabalhar. Todo profissional (me incluo nisso) do mercado financeiro passa por essas questões a resolver quando inicia sua carreira.

O mercado financeiro desperta interesse de muitos jovens e é uma indústria bem abrangente. A abrangência vem da necessidade de especialização.

Por mais que possa parecer que alguém que é especialista em finanças conheça todo o mercado, e isto é verdade, a especialização demanda diversos tipos de profissional.

Apenas como exemplo, um especialista em renda variável, muitas vezes não é especialista em renda fixa e vice-versa. Além disso, legalmente, alguns profissionais podem falar de investimento X mas não falar de investimento Y.

Para você, investidor, é sempre importante estar atento ao trabalho desses profissionais e como eles podem te ajudar a conquistar um melhor resultado nos seus investimentos.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

  1. Principais profissões do mercado financeiro
  2. Importância da segregação
  3. Certificações do mercado financeiro

Principais profissões do mercado financeiro

Principais profissões do mercado financeiro

São diversas as áreas de atuação que o mercado financeiro possibilita. Aqui, como você investidor é quem tentamos ajudar, procuramos nos concentrar nas profissões que influenciam na vida do investidor pessoa física.

Sem mais delongas, passemos a essas profissões:

O que faz um Analista de Investimentos

O analista é o profissional que ajuda o investidor com recomendações, qual produto é o mais adequado dada a análise de perfil, quando sair do investimento e assim por diante. Ou seja, trata-se do profissional que faz um balanço do mercado e pontua as melhores alternativas.

Não existe uma formação específica, mas geralmente são administradores ou economistas. Importante é ter certificações (vamos falar delas mais a frente) que atestem seu conhecimento sobre o mercado financeiro.

É importante o analista ainda ter independência nas suas recomendações, isto é, não se verificar conflitos de interesse.

Por exemplo, imagine que o analista está comprado em uma ação. Seria natural pensar que ele recomendaria compra dessa ação pois quanto mais pessoas comprando, mais a ação subirá e ele acabaria ganhando com isso.

Por isso, existem regras da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que buscam inibir o conflito de interesses.

O que faz um Agente Autônomo de Investimentos

Este profissional, muitas vezes tem seu papel confundido de forma incorreta com o do analista.

No entanto, a função do agente autônomo é explicar de forma simples o funcionamento dos mercados, falar dos produtos disponíveis, riscos, auxiliar o investidor na hora de aplicar seu dinheiro, entre outras coisas.

Diferente do analista que geralmente é um profissional contratado e remunerado diretamente por empresas como bancos, corretoras e casas de análise, o agente autônomo tem seus rendimentos vindos da intermediação dos negócios.

No fim, o agente autônomo é uma empresa que tem receitas (intermediação) e despesas (geralmente têm um escritório) e utilizam a plataforma de uma corretora credenciada de sua escolha para fazer essa intermediação.

A qualidade de um agente autônomo é medida por sua capacidade de trazer opções novas para o investidor sempre alinhadas a seu perfil, auxiliar no acompanhamento dos investimentos e por fim passar o máximo de conhecimento e informações para quem é leigo no assunto.

O que faz um Consultor de Investimentos

O trabalho do consultor vai mais a fundo que o analista no sentido que não apenas fala quais ativos comprar ou não, mas participa diretamente da vida financeira do investidor, desde seus investimentos até suas próprias finanças pessoais, como renda e despesas da família.

Com acesso mais amplo às finanças pessoais, ele elabora os melhores cenários para atingir os objetivos do investidor. Como tem uma relacionamento mais “pessoal” com o investidor, ele consegue montar um plano completo e personalizado para seus clientes.

No entanto, ele não vai “colocar a mão na massa” no sentido de pegar o dinheiro da pessoa e investir por si próprio. Ele vai desenhar todo o programa e orientar seus clientes no que deve ser feito, mas quem realizará as operações será o próprio investidor.

 O que faz um Gestor de Investimentos ou Administrador de Carteiras

Esse profissional é o responsável por gerir os recursos de um fundo de investimentos (ou simplesmente carteiras de investidores individuais).

É o gestor que toma as decisões sobre como aplicar os recursos do fundo e que desenvolve estratégias.

Em grandes empresas de gestão, o gestor atua em conjunto com uma equipe de analistas para encontrar as melhores oportunidades e executar suas estratégias.

Ele é o responsável pela performance do fundo e é por isso que aplicar em um fundo com um bom gestor é importante para você.

O gestor tem de ter uma qualificação técnica elevada e conhecimento amplo de finanças, afinal ele será responsável por obter o maior rendimento possível para o dinheiro de milhares pessoas, sempre zelando pelo patrimônio delas. Também necessita de certificações para atuar.

Além dessas profissões que destaquei que influenciam mais em sua vida, ainda temos o (i) trader, que executa as estratégias comprando e vendendo ativos; (ii) economista, que traça o cenário para econômico para o gestor; (iii) Analista de fusões e aquisições, desenha todo um planejamento quando empresas vão se fundir ou adquirir outras empresas. Isto sem contar todas as áreas de suporte como risco, compliance, entre outros.

Vimos que são muitas profissões no mercado financeiro. Vejamos um pouco mais porquê dessa diversidade.

Importância da segregação das atividades

Importância da segregação das atividades

Em todos os ramos de atividade temos diversos tipos de profissionais. Isso ocorre porque executar uma função específica permite que o trabalhador tenha mais qualificação, já que não precisa participar de todo o processo.

Imagine no passado em que um artesão fazia sozinho uma peça de roupa. Agora pense como funciona hoje, em que uma confecção tem diversas etapas no processo de fazer, por exemplo, uma blusa. Essa segmentação permite que sejam feitas mais blusas e num tempo menor.
No mercado financeiro isso é mais importante ainda, afinal estamos tratando de dinheiro.

As qualificações que um gestor tem de ter são muito diferentes de um agente autônomo, como você pôde perceber no tópico anterior.

Um gestor pode ter uma qualificação técnica impressionante, mas não necessariamente, consegue transmitir esse conhecimento de forma simples e fazer os investidores entenderem tudo. Ao mesmo tempo, um agente autônomo pode não ter a qualificação técnica que uma gestão de fundos demanda.

Além disso, é muito importante que haja uma segregação das atividades que possuem conflitos de interesse, conforme explicado no início do texto sobre os analistas.

Assim como analistas não podem negociar ações que recomendam, agentes autônomos que são remunerados pela intermediação não podem fazer gestão dos investimentos. E assim por diante.

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Dessa segmentação, surgem diversas certificações especificas. Veja mais sobre elas a seguir.

Certificações do Mercado Financeiro

Certificações do mercado financeiro

As certificações são uma forma de sinalizar que o profissional possui a qualificação necessária para executar aquela função. Além disso, os órgãos de regulação também exigem que para desempenhar determinada função se tenha uma certificação específica para tal.

Separei as principais a seguir:

CPA-20 – Certificação Profissional ANBIMA – Série 20

Segundo a própria ANBIMA, o CPA-20 certifica profissionais que atuam na venda de produtos de investimento ou na manutenção de carteiras nos segmentos varejo alta renda, private banking, corporate e investidores institucionais. Apesar de não ser obrigatória, os analistas de investimentos geralmente possuem essa certificação. Ela possibilita conhecimento das leis e principais produtos que os investidores têm à disposição. É uma certificação mais comum entre bancários como gerentes de contas de grandes bancos.

ANCORD – Certificação de Agente Autônomo de Investimentos

Essa é uma certificação obrigatória para quem atua como agente autônomo, segundo a CVM. A Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras), é a responsável por servir como autorreguladora que ajuda a CVM a fiscalizar os profissionais, além de ter a função de os credenciar.

Para isso, realiza um exame que analisa o conhecimento do profissional de produtos, leis e como se dá a atuação do agente autônomo.

Atualmente essa prova é feita pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e tem uma dificuldade relativamente alta, com taxa de aprovação de menos de pouco mais de 20% dos candidatos.

CFP – Certified Financial Planner

O CFP vai nos moldes do CPA-20, porém é muito mais profundo e, portanto, exige uma qualificação maior. O exame engloba (i) Planejamento Financeiro e Ética, (II) Gestão de Ativos e Investimentos, (III) Planejamento de Aposentadoria, (IV) Gestão de Riscos e Seguros, (V) Planejamento Fiscal e (VI) Planejamento Sucessório.

O profissional que possui o CFP é qualificado para organizar melhor as finanças pessoais dos seus clientes, observado objetivos, perfil e restrições do investidor.

Para ser elegível ao CFP não basta passar no exame, mas também possuir curso superior e experiência de atuação na área de no mínimo 3 anos.

CNPI – Certificado Nacional do Profissional de Investimento

É um certificado pela APIMEC (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais). Segundo a própria APIMEC, é um programa de qualificação para profissionais de investimentos orientados para os mercados financeiro e de capitais no Brasil.

Para se trabalhar como analista, indicando ações e outros ativos financeiros, é preciso ter o CNPI.

O CNPI ainda se divide entre o CNPI-T, que é voltado para análise técnica de ações (aquela relativa a gráficos e indicadores) e CNPI-P, que abrange tanto a análise técnica como fundamentalista.

CGA – Certificação de Gestores ANBIMA

O CGA, como o nome sugere, é mais uma certificação da ANBIMA. Ele certifica os profissionais que atuam na gestão de recursos de terceiros, com poder para tomar decisões de investimento.

É obrigatório para quem atua como gestor de fundos ou de carteiras. É um exame bem técnico e difícil, por isso profissionais com esse certificado têm um conhecimento profundo de finanças.

CFA – Chartered Financial Analyst

O CFA é o “suprassumo” das certificações do mercado financeiro. Ele é um certificado internacional (a prova, inclusive, é feita em inglês). Para se ter uma ideia, apenas cerca de 800 brasileiros possuem esse certificado.

Costuma-se dizer que ele é a certificação mais completa do mercado financeiro.

O CFA é composto por 3 módulos e para se ter a aprovação completa é preciso passar nas três provas. Um profissional com CFA é muito técnico e possui um conhecimento enorme de finanças.

Conclusão

As profissões no mercado financeiro são diversas e isso é bom, pois cada profissional pode se especializar na função que desempenha.

As certificações indicam o nível de qualificação que o profissional tem. Para você, investidor, é importante sempre ficar de olho no nível de quem está te auxiliando ou mesmo mexendo com o seu dinheiro.

E se ficou com alguma dúvida adicional ou quer contribuir mais com o assunto, comente abaixo!

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