Mercado Financeiro

Bilionário, apresentador, empresário, investidor, magnata e ex-presidente americano, Donald Trump construiu um império de cassinos, hotéis e arranha-céus.

Dono de uma fortuna calculada em 2,1 bilhões de dólares, Donald Trump desafiou todas as previsões ao concorrer à eleição de 2016 para presidência americana. Ao se tornar o 45º presidente dos Estados Unidos, Trump colecionou ainda mais polêmicas no seu currículo. Conheça a história de Donald Trump. 

Quem é Donald Trump?

Donald Trump nasceu em 14 de junho de 1946, em Queens, Nova Iorque, nos Estados Unidos, sob o nome Donald John Trump. Ele nasceu de uma família abastada do segmento imobiliário nova iorquino. 

Trump era o quarto dos cinco filhos do casal Mary Anne Macleod e Frederick Christ Trump. Mary Anne é de origem escocesa e imigrou para os Estados Unidos em 1930. A família de Fred Trump é de origem alemã e se mudaram para os Estados Unidos em 1899.

Herança Trump

Entre as décadas de 20 e 40, Frederik Trump, com apoio de programas habitacionais do governo americano, construiu casas geminadas e quase 28 mil unidades para as classes baixa e média, nos bairros de Queens e Brooklyn.

Graças a construções desses apartamentos, a família teve uma vida financeira cômoda. Frederick Trump construiu uma mansão de mais de 20 cômodos para sua família, no Jamaica Estates, um bairro de classe média alta. No mesmo bairro ficava a escola privada Kew-Forest, onde Donald Trump estudou até os 12 anos. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, Fred Trump construiu diversas moradias para os trabalhadores de estaleiros e o pessoal da Marinha, nos Estados da Pensilvânia e Virgínia, com apoio do Governo Federal. 

Anos depois, em 1954, o patriarca Trump foi investigado pelo Senado Federal, especificamente pelo Comitê Bancário. O empresário era acusado de superestimar custos desses projetos de construção, a fim de obter maiores empréstimos dos bancos comerciais. No seu depoimento, o pai de Trump admitiu que ergueu os apartamentos do complexo Beach Haven, no Brooklyn, por um valor menor ao valor do empréstimo oferecido pelo Governo, cerca de 3,7 milhões de dólares a menos. 

Em 1964, numa nova investigação do estado de Nova Iorque, precisou devolver ao estado cerca de 1,2 milhão de dólares, referente ao uso do lucro de um empréstimo de construção pelo estado para erguer um shopping center de sua propriedade.  A partir daí, Frederick Trump não teve mais garantias federais para empréstimos.

Comportamento

Já na adolescência, Trump alcançou seus 1,90m de altura. Com esse porte físico e seu perfil confiante e dominador, Donald Trump era provocador, competitivo, desafiador, indisciplinado e muitas vezes agressivo. Na escola, ele chegou a agredir seu professor de música, o deixando com o olho machucado. 

Apesar de participar pouco do cotidiano da família, Fred Trump era um pai bastante rigoroso. Quando Mary Anne lhe contou sobre o comportamento e o temperamento do filho, Fred Trump enviou o filho para o internato militar, quando ele tinha 13 anos. 

No início, Donald Trump foi bastante punido no internado pela sua falta de disciplina. Ele destruiu um bastão de beisebol e quase jogou um colega pela janela do segundo andar do internato, além de outros problemas em que se envolveu. 

O internato militar tinha um regime rígido, com horários específicos, inspeções diárias e punições corporais. Donald Trump começou a acordar antes do amanhecer, fazer a limpeza do seu quarto e de áreas comuns como banheiro, preservar os sapatos engraxados, compartilhar refeições etc. 

Com seu espírito de competitividade, Donald Trump se tornou obsessivo em seguir as regras do internato militar. Com o tempo, ficou conhecido pelos seus colegas como “Senhor Meticuloso” e ganhou diversos elogios e medalhas dos seus superiores. 

Trump também ganhou destaque no esporte, praticando futebol americano e beisebol. 

Em 1968, Donald Trump obteve isenção médica do recrutamento militar para A Guerra do Vietnã, por conta de um diagnóstico de esporas ósseas. 

Formação

Após o término da escola militar, Donald Trump voltou para casa dos pais, sem saber o que faria do seu futuro. Quando foi rejeitado pela Universidade Southern California, Trump decidiu seguir os passos do pai e se matriculou na Faculdade de Fordham, em Nova Iorque. 

Depois de dois anos, ele se transferiu para Universidade da Pensilvânia, onde concluiu o curso de Administração na famosa e célebre faculdade de negócios Wharton School, em 1968.

Na faculdade, Donald Trump deixou uma forte impressão entre seus colegas. Ele não fumava, não bebia e evitava as festas das fraternidades. Também era pouco participativo em atividades extracurriculares. Mas chamava a atenção, pois sempre aparecia com namoradas belas no campus. Trump manteve sua confiança durante a faculdade, com opiniões inflexíveis, arrogantes e duras.

Início da carreira

Durante sua época de estudante, Trump começou sua carreira na empresa de seu pai, a Elizabeth Trump & Son, o ajudando a gerenciar o extenso portfólio dos projetos residenciais e administrar os aluguéis. Estima-se que havia entre 15.000 a 22.000 unidades. 

Com uma “mesada” de 1 milhão de dólares de seu pai por ano, Donald Trump comprava as unidades construídas pelo seu pai na planta, e depois as revendia quando estavam prontos. 

Após se formar, Donald Trump se tornou o favorito para assumir os negócios da família e tomou o controle da companhia. O primeiro filho de Mary Anne e Frederick, Freddy Jr. havia se tornado piloto de avião. 

A irmã mais velha de Trump, Maryanne Trump Barry tornou-se juíza do Tribunal Distrital dos Estados Unidos e juíza do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para Terceiro Circuito. Ela se aposentou em 2011.

Em 1974, por conta da baixa reputação de seu pai no mercado imobiliário, Donald Trump reuniu todos os negócios da família e rebatizou a companhia com o nome de Trump Organization, ou Organização Trump. Donald Trump se mudou para Manhattan e começou a procurar por diversas oportunidades imobiliárias. 

Sob a sua liderança, a companhia familiar cresceu e expandiu seus segmentos para o mercado imobiliário de luxo como arranha-céus, campos de golfe, hotéis, resorts e cassinos. 

Ao longo dos anos, a marca Trump se tornou sinônimo de sucesso nos negócios. Com isso, ele passou a franquear seu sobrenome para diversos projetos. 

Em 1981, seu pai morreu precocemente aos 43 anos, por conta de alcoolismo. Desde então, Donald Trump passou a evitar o cigarro e o álcool em toda sua vida. Na época, Trump afirmou que seu pai foi sua inspiração. 

O magnata Donald Trump

Após sua mudança para Manhattan, em 1974, Donald Trump expandiu os negócios e começou seu primeiro grande projeto. Trump comprou o falido Hotel Commodore, o reformou com um empréstimo do seu pai e da Hyatt Corporation, que entrou como parceira do empreendimento. 

Na época, ele já tinha várias conexões e as usou para negociar um abatimento nos impostos por 40 anos, em troca de parte dos lucros. Isso atraiu os investidores. Trump fechou um financiamento de quase 80 milhões de dólares. Seis anos depois, Trump reabriu o imóvel como Grand Hyatt Hotel, com 1.440 acomodações. 

A partir daí, ele continuou seus investimentos em grandes edifícios na cidade de Nova Iorque, como a antiga sede do Banco Manhattan e o prédio do Hotel Plaza. 

Em 1983, Donald Trump inaugurou um complexo comercial, residencial e de escritórios, o Trump Tower. Em parceria com a Equitable Life Assurance Company, o edifício luxuoso está localizado na Quinta Avenida, rua mais importante e famosa de Nova Iorque. O prédio tem 58 andares e é a sede da Organização Trump e a residência da família num triplex superior. 

Com a venda das unidades, Trump faturou cerca de 300 milhões de dólares. 

No entanto, durante 16 anos, o magnata enfrentou um processo judicial por uso de mão de obra imigrante ilegal, jornada diária extensa e pagamento de salários baixos durante a obra. Apesar disso, a marca Trump era associada à habitação de luxo, deixando para trás os programas de habitação e as moradias para classe baixa e média, que foram a fundação da fortuna do seu pai. 

Propriedades Trump

Com os anos, Trump transformou seus negócios num verdadeiro império. Ele era um incorporador imobiliário arrojado, comprando, administrando e licenciando diversas propriedades como resorts, cassinos, hotéis e campos de golfe. Confira os principais empreendimentos de Trump:

  • Cassino Trump Plaza;
  • Trump Plaza;
  • Trump's Castle Casino Resort;
  • Trump Parc, complexo de condomínio de luxo;
  • Plaza Hotel;
  • Residencial World Trump Tower, com 72 andares;
  • Trump International Hotel and Tower;
  • Trump Taj Mahal, em Atlantic City, considerado o maior cassino do mundo;
  • Trump Palace, com 55 andares.

Durante toda a década de 80, Donald Trump diversificou seus negócios, emprestando seu nome para diversos empreendimentos como times de futebol, linhas de marca de roupa, companhias aéreas, alimentos e universidades.

 Ele comprou a companhia área Eastern Shuttle, que passou a se chamar Trump Shuttle. Trump também adquiriu o time da liga de futebol New Jersey Generals e um iate com 282 pés, considerado o segundo maior do mundo. Trump nomeou o iate de Trump Princess. 

Além disso, Trump comprou uma mansão de 118 quartos em Palm Beach, na Flórida. O imóvel foi construído pela herdeira dos cereais Marjorie Merriweather Post, em 1920. Em 1995, o empresário criou a Trump Entretainment Resort para operar seus cassinos pelo mundo. 

Além dos Estados Unidos, há empreendimentos como as Trump Tower nas Filipinas, Istambul, Mumbai, entre outros países. Há também diversos campos de golfe ao redor do mundo com a marca Trump. 

Na área educacional, a Trump University foi fundada em 2004. Nela, Donald Trump deu seminários sobre educação imobiliária, entre os anos de 2005 a 2010.

No início dos anos 2000, a Organização Trump era um conglomerado privado com aproximadamente 500 empresas, incluindo propriedades residenciais, comerciais, resorts, cassinos, hotéis, mercadorias, televisão e entretenimento. 

Recuperação judicial

No final da década de 80, com a compra do cassino Taj Mahal, em Atlantic City, Donald Trump investiu mais de 1 bilhão de dólares na sua reconstrução. Um ano depois da sua inauguração, em 1995, o empreendimento ingressou numa recuperação judicial, devido a um financiamento mal sucedido e o custo elevado da obra. Para negociar as dívidas com os bancos, Trump entregou 50% do cassino aos credores, além de outros empreendimentos como o iate Trump Princess e a companhia área Trump Shuttle. 

Essa foi a primeira vez que Donald Trump recorreu à recuperação judicial para preservar um empreendimento. Ao longo de sua carreira como empresário, ele usou esse trunfo mais de seis vezes, chegando a comemorar numa entrevista dada à revista Newsweek em 2011. Na época, Trump confessou que ele considerava as leis de recuperação judicial muito boas, e por isso as usava com facilidade. Com esse fato, Donald Trump poupou uma fortuna em pagamentos de impostos. 

Em 1996, o cassino Taj Mahal foi recomprado por Trump. Em 2004, o empreendimento entrou em recuperação judicial novamente, com uma dívida de quase 1,2 bilhão de dólares. 

Investigações criminais

Esses períodos de recuperações judiciais e a ausência de pagamento de tributos sempre estiveram presentes na vida de Trump, gerando controvérsias e investigações criminais. 

Pesa sobre ele, uma série de acusações. Uma delas é a subavaliação dos empreendimentos do seu pai e a criação de empresas para antecipar a transferência ilegal da herança, sem pagar os impostos devidos. Com a morte do seu pai em 1999, foi feito o inventário avaliado em 300 milhões de dólares. Especialistas consideraram o valor muito baixo. 

Quando se tornou presidente, Donald Trump foi alvo de investigações por parte dos seus adversários políticos, em que surgiram diversas dúvidas sobre seu patrimônio. Trump quebrou uma tradição política dos candidatos que concorrem à presidência dos Estados Unidos e não disponibilizou suas declarações de Imposto de Renda publicamente. 

Com seu perfil agressivo, Trump se aproveita de aberturas na lei para obstruir que contadores e bancos revelem seus dados fiscais e bancários para os investidores federais. Essas brechas também evitaram o pagamento de impostos por anos. 

Marca Trump

Com o excesso de recuperações judiciais e essas investigações, Trump não teve mais crédito em vários bancos. No entanto, a marca Trump já estava tão consolidada no mercado de luxo, que ele passou a franquear seu sobrenome para centenas de empreendimentos. 

Alguns deles se transformaram em fracassos grandes, como a The Trump Network, empresa de vendas de vitaminas; a GoTrump.com, site de buscas de hospedagem e passagens e a própria Universidade Trump. 

Um licenciamento internacional que também foi alvo de investigação e se tornou um fracasso, foi o edifício Trump Tower de Moscou, que incluía uma suíte de luxo para Vladimir Putin, presidente russo. Por conta da sua eleição à presidência em 2016, o empreendimento se tornou alvo de investigação, ligando-o aos oligarcas russos. 

Donald Trump no entretenimento

A carreira de Donald Trump não se restringe ao mercado imobiliário. O magnata também construiu um verdadeiro império na indústria do entretenimento. Entre os anos de 1996 e 2015, Donald Trump era dono da franquia dos seguintes concursos de beleza: Miss Teen USA, Miss USA e Miss Universo. 

Durante anos, Donald Trump apareceu em diversos filmes e séries como: The Nanny, Um Maluco no Espaço e Esqueceram de Mim 2. Além disso, ele lançou vários livros de sucesso, entre eles:

  • A Arte da Negociação 
  • Como ficar Rico
  • Crippled América
  • Como chegar lá
  • Pense grande nos negócios
  • Nunca desista!
  • Pense como um campeão
  • O toque de Midas
  • A arte do retorno
  • Trump 101: O caminho do sucesso
  • Pense como um milionário
  • Todo mundo odeia um vencedor
  • América Debilitada

Você está demitido!

O grande projeto no entretenimento de Donald Trump foi o reality Show The Apprentice - O Aprendiz. Criado, produzido e apresentado por Trump em 2004, o reality show foi sucesso em todo mundo. Veiculado pela NBC, The Apprentice era uma competição entre pretendentes a executivos de negócios por uma chance num cargo de gerência nas Organizações Trump. 

Trump foi apresentador por 14 programas, em que os competidores disputavam provas individuais e em equipe, focadas nas áreas de vendas. No final de cada episódio, um competidor é eliminado com o bordão mundialmente famoso: "You're fired!”, ou “Você está demitido”. 

Esse reality show fez Donald Trump ficar conhecido internacionalmente. Durante a exibição do programa, Trump recebeu 213 milhões de dólares, chegando a ganhar 1 milhão de dólares por episódio. Ele chamou atenção dos telespectadores com suas declarações fora do contexto, seu comportamento extravagante e se tornou uma das personalidades mais polêmicas dos Estados Unidos. 

No Brasil, a versão nacional do programa foi apresentada por Roberto Justus e depois pelo atual governador de São Paulo, João Dória. 

Devido ao seu sucesso com o reality show, Donald Trump recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, em 2007.

O presidente Donald Trump

No mundo dos negócios, Donald Trump sempre foi um visionário. Ele aliou seus conhecimentos acadêmicos às habilidades comerciais herdadas pelo seu pai. Mesmo sendo um magnata dos setores imobiliários e do entretenimento, Trump sempre esteve próximo da política americana. Desde nos anos 80, ele sempre esteve filiado a um partido:

1987 – Democrata

De 1987 a 1999 – Republicano

De 1999 a 2001 – Partido da Reforma 

De 2001 a 2009 – Democrata

De 2009 até o momento – Republicano

Durante o período do governo de Barack Obama, a participação política de Trump cresceu bastante. Ele era um dos maiores críticos ao presidente e atacava seus posicionamentos sobre as guerras no Oriente Médio, imigração, impostos e a reforma no sistema de saúde. 

Muitas vezes, as posições de Trump eram tão controversas que chegavam a ser ilegais, como confiscar o petróleo do Iraque para indenizar as famílias dos militares americanos mortos em conflitos. O antagonismo exagerado a Obama empurrou Donald Trump de vez no cenário político, com entrevistas e eventos do Partido Republicano. 

O Candidato

Em junho de 2015, Donald Trump anunciou que seria candidato ao cargo de presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano. Com o lema “Vamos fazer a América grande novamente”, Trump conduziu sua polêmica campanha com base nas seguintes promessas:

  1. Proibição temporária da imigração de muçulmanos;
  2. Construção de um muro na fronteira Estados Unidos – México;
  3. Fortalecimento da economia americana;
  4. Estreitamento de relações econômicas com a Rússia;
  5. Redução da parceria com a China;
  6. Maior proteção industrial aos Estados Unidos;
  7. Rompimento do acordo nuclear com o Irã;
  8. Rejeição a globalização

Boa parte da mídia americana e de integrantes do seu partido trataram o anúncio da candidatura dele uma piada. No entanto, no dia 19 de julho de 2016, o nome de Donald Trump foi confirmado nas primárias do partido Republicado. Com um discurso populista e nacionalista, o magnata atraiu boa parte do público mais conservador, com sua imagem de empresário excêntrico e bem sucedido.

Ao longo de toda corrida à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump esteve atrás das pesquisas de opinião contra a candidata democrata Hillary Clinton, mulher do ex-presidente Bill Clinton. 

Com uma campanha marcada por ataques pessoais, escândalos, polêmicas e interferências, ninguém acreditava que Trump venceria as eleições. Porém, no dia 09 de novembro de 2016, Donald Trump chocou o mundo e se tornou o 45º presidente dos Estados Unidos. Sua posse aconteceu em 20 de janeiro de 2017.

Eleições

Toda campanha de Donald Trump foi marcada por polêmicas e declarações controversas. Com seu discurso anti-imigratório, com palavras xenófobas, machistas, racistas e uma política intervencionista, Trump atraiu uma boa parte da população americana. 

Inspirado na campanha da Grã-Bretanha para sair da União Europeia, Trump afirmava que faria dos Estados Unidos 10 vezes Brexit. Com uma vitória impressionante, Donald Trump venceu pelo número de delegados nos colégios eleitorais. 

Nas urnas, Hillary Clinton havia ganho com uma diferença de quase 2,9 milhões de votos. A maior margem já registrada em toda história política americana, mas o que vale são os números dos colégios eleitorais. 

Com isso, Donald Trump foi eleito o primeiro presidente americano a nunca ter servido nas Forças Armadas ou exercido um cargo eleito. Ele já tinha feito história. Mike Pence, ex-governador de Indiana, assumiu a vice-presidência. 

O homem mais poderoso do mundo

Em 20 de janeiro de 2017, Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos. Assim que iniciou seu trabalho como presidente, Trump anulou vários acordos e políticas adotadas pelo seu antecessor, Barack Obama. 

Ele excluiu os Estados Unidos do acordo Transpacífico, que estabelecia uma parceria político-econômica com a China. Segundo Trump, o acordo não beneficiava os EUA. 

Trump também indicou juízes tradicionais e retrógrados para cortes federais, diminuiu impostos para as empresas e reprimiu a imigração para o país. Ele também excluiu os Estados Unidos do Acordo Ambiental de Paris, que trata do impacto das mudanças do clima global. Retomou os incentivos para as indústrias de petróleo e carvão e retirou os incentivos às indústrias sustentáveis. Trump afirmava que a história das mudanças climáticas era algo criado para favorecer a China e outros países. 

Com posições preconceituosas e fortes, Donald Trump começou a dividir o país e causou incômodo internacional. Sua política nacionalista provocou conflitos com países aliados como o Bloco europeu, Japão, Canadá e Coreia do Sul. 

Além disso, ele elogiava publicamente líderes autoritários e ditadores como Vladimir Putin, da Rússia, Viktor Orbán, da Hungria, Xin Jinping, da China e Kim Jong-um, da Coreia do Norte. Todo esse comportamento levantou questionamento sobre o futuro comportamento dos Estados Unidos diante do mundo. 

Conservadorismo e isolamento

Sob sua gestão, os Estados Unidos se afastaram de vários órgãos internacionais como OMS, Unicef, OMC, Otan e a própria ONU. 

Sem nenhuma prévia negociação, Donald Trump aumentos os impostos de importação sobre produtos de vários países aliados como Brasil, Índia, Austrália, União Europeia e Canadá. 

Para combater o crescimento comercial da China, Donald Trump elevou tarifas de vários produtos importados chineses. Além disso, ele impôs um bloqueio global contra qualquer empresa de tecnologia americana que tenha algum laço com o governo da China. O principal alvo era a Huawei, mas Trump também atacou as empresas WeChat e o aplicativo TikTok. 

Com essas medidas, Donald Trump forçou o governo chinês a discutir um novo acordo comercial para a entrada de produtos americanos no mercado da China. As negociações caminham lentamente para que os chineses acompanhem o resultado da nova eleição em 2020.

Sua política interna defendia pautas bem conservadores, como o encerramento do direito ao aborto e o uso de armas. Trump apoiou a política de separar famílias na fronteira, prendendo milhares de crianças em locais inapropriados. Essas imagens correram o mundo, tornando-o cada vez mais impopular. 

Alianças militares

No setor militar, Donald Trump enfraqueceu suas alianças militares que existiam desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele passou a cobrar repasses da Coreia do Sul e do Japão em troca do apoio militar. Além disso, ele diminuiu a participação militar no Afeganistão, reduziu soldados em vários países como Alemanha e retirou os Estados Unidos da Guerra da Síria. 

Trump também sinalizou a saída do acordo nuclear com a Rússia, o que garante a segurança da Europa. Apontou o Irã e a Coreia do Norte como inimigos dos Estados Unidos. Trump também criticou a interferência russa sobre países como Venezuela, Ucrânia e Síria. 

Controvérsias até o fim do mandato

Assim como sua eleição, todo o período da presidência de Donald Trump foi marcado por controvérsias. Sua primeira ordem executiva em 2017 foi proibir viagens aos Estados Unidos, com origem de sete países, em sua maioria muçulmana. Mesmo considerada xenófoba, a decisão de Trump foi mantida pela Suprema Corte. 

Ainda em 2017, Trump demitiu James Comey, diretor do FBI, e chocou o governo. A decisão foi considerada como uma potencial obstrução à justiça, por conta da investigação do órgão sobre o conluio entre a Rússia e a campanha de Trump nas eleições de 2016. 

Durante a tentativa de reeleição, Donald Trump também enfrentou a acusação de pressionar o governo ucraniano para sujar a reputação do seu rival democrata Joe Biden. Todas essas alegações o levaram ao primeiro processo de impeachment. Com isso, Donald Trump foi o terceiro presidente americano a sofrer um processo de destituição. Antes deles, somente Bill Clinton, em 1998 e Andrew Johnson, em 1868, sofreram esse processo. 

A derrota de Donald Trump

Como então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump sempre teve uma relação conflituosa com o Congresso americano. Esse relacionamento piorou bastante após as Eleições Legislativas de 2018.

Com essa dificuldade de negociar as propostas governamentais, inclusive com os membros do seu próprio partido, Trump avançou muito pouco durante seu mandato. Por falta de acordo no orçamento, o Governo Federal chegou a fechar. 

Mesmo assim, Donald Trump resolveu concorrer à reeleição contra o democrata Joe Biden. Em agosto de 2019, houve uma denúncia anônima feita por um membro da inteligência americana. Numa conversa entre Trump e o presidente recém-eleito da Ucrânia, o então presidente norte-americano solicitou ao presidente ucraniano que investigasse Joe Biden. 

Diante dessa denúncia, a situação política de Trump se complicou bastante. A Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de destituição, após investigação, pelos crimes de obstrução do Congresso e abuso de poder. Não houve voto republicano. Já no Senado, onde a maioria é republicana, o processo teve duração de duas semanas e os crimes foram rejeitados. 

Durante todo seu mandato, o Donald Trump atacou adversários (membros da imprensa, republicanos e democratas). Utilizando as redes sociais, em especial o Twitter, Trump fazia acusações pesadas a qualquer um que opunha contra ele. 

Pandemia e reeleição

Toda a campanha de Donald Trump para a reeleição de 2020 estava concentrada nos números da economia. Durante seu governo, a economia norte-americana cresceu e o desemprego reduziu, batendo uma margem mínima de 3,5%. 

No entanto, com a pandemia do Covid-19 e a estratégia desastrada de Trump no combate ao vírus, os Estados Unidos amargaram o primeiro lugar no ranking dos países que foram mais afetados pelo coronavírus. Por consequência, o desemprego no país explodiu.

Com essa condução patética e errática da pandemia e a economia americana entrando em colapso, Trump acabou perdendo as eleições para Joe Biden, em novembro de 2020.

Mesmo derrotado, Donald Trump obteve 73 milhões de votos, a segunda maior votação da história americana, representando 47,2% dos votos. Ele venceu em estados americanos importantes como Flórida e Texas. 

No entanto, Joe Biden foi eleito com 80 milhões de votos, a maior votação dos Estados Unidos, representando 51,1% dos votos para os democratas. Ele venceu em estados como Wisconsin, Michigan, Pensilvânia, Arizona, Geórgia, entre outros. 

Além das questões econômicas e do tratamento incorreto perante a pandemia, o perfil agressivo e instável de Trump, o uso de linguagem racista e machista, xingamentos nas redes sociais e o confronto incessante foram fatores que determinaram sua derrota. Boa parte dos americanos estavam cansados das as polêmicas do então presidente e gostariam de um candidato que se comportasse de forma mais convencional. 

Contestação de resultado

Durante dias após a eleição, Donald Trump contestou o resultado, ameaçando as instituições legislativas. Ele contestou judicialmente o resultado em diversos estados como Michigan, Pensilvânia, Arizona e foi derrotado em todos. Além disso, Trump alegou que toda eleição de forma generalizada havia sido fraudada, com roubo de votos. 

No dia 14 de dezembro de 2020, o Colégio Eleitoral confirmou a vitória de Joe Biden com 306 votos, contra 232 do então presidente Donald Trump. A vitória de Biden no Colégio Eleitoral foi incontestável. Biden ganhou com diferença de 74 votos a mais que Trump e 36 a mais que ele precisava para ser eleito. 

Mesmo depois da votação do Colégio Eleitoral, Donald Trump continuou alegando fraude nas eleições, afirmando que o partido democrata havia roubado, com grande volume de votos pelos correios. Com essas acusações infundadas, Trump provocou uma série de manifestações, que terminaram, muitas vezes, em violência. 

No dia 26 de dezembro de 2020, Trump usou seu perfil no Twitter para reforçar que houve fraude nas eleições americanas, chegando a chamar o presidente eleito Joe Biden de “presidente falso”. O Twitter passou a contestar as afirmações do então presidente americano. 

No dia 6 de janeiro, o Congresso americano confirmou a vitória de Joe Biden como o 46º presidente dos Estados Unidos. 

Durante a sessão de contagem dos votos, apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio após um discurso inflamado do presidente afirmando que não aceitaria o resultado eleitoral. Durante o incidente morreram cinco pessoas. 

A sessão precisou ser suspensa e foi retomada dias depois para confirmar a eleição de Joe Biden à presidência americana. Diante disso, Trump voltou a publicar no Twitter uma série de declarações desrespeitosas e infundadas sobre a fraude nas eleições. Doze horas depois, a plataforma removeu essas postagens e bloqueou a conta de Trump. 

Segundo impeachment

Após incitar a invasão ao Capitólio, o Congresso instaurou o segundo processo de impeachment contra Donald Trump, que se tornou histórico. Caso fosse considerado culpado, Trump ficaria inelegível, pois teria seus direitos políticos cassados. 

No dia 13 de fevereiro de 2021, o ex-presidente Donald Trump foi absolvido no segundo processo de impeachment. Para ser cassado, Trump precisaria de 50 votos democratas e mais 17 votos republicanos. No entanto, a votação finalizou com 57 votos a favor do impeachment e 43 contra o processo. Com isso, Donald Trump vai poder a concorrer à presidência em 2024 novamente e vai continuar sendo essa figura tão polêmica e polarizada. 

A Vida pessoal de Donald Trump

Donald Trump foi casado por três vezes e tem cinco filhos. Em 1976, Trump se casou pela primeira vez com a modelo, atleta e a empresária tcheca Ivana Marie Zelnichova. Eles se conheceram quando ela visitou Nova Iorque. Com Ivana, Donald Trump teve três filhos: Donald Jr., Eric e Ivanka. 

Durante sete anos, Ivana foi executiva nas Organizações Trump e chegou ao cargo de CEO de projetos em Atlantic City e vice-presidente de design de interiores. Em 1991, o casal se separou com uma batalha judicial bastante complexa e escandalosa. 

O divórcio foi capa de diversos tabloides, com acusação por parte de Ivana de Trump ser abusivo e da sua relação extraconjugal com a modelo e atriz Marla Maples. Mesmo com o divórcio conturbado, seus três filhos ajudam Trump na administração das Organizações Trump. 

Segunda e terceira esposas

Em 1993, Donald Trump se casou Marla Maples e tiveram uma filha chamada Tiffany. O casamento terminou três anos depois, também por conta de infidelidade. No ano, Marla foi pega em flagrante com um segurança de Trump pela polícia, numa praia deserta. Donald Trump negou a traição, mas demitiu o segurança. Alguns meses depois, veio a separação. 

Em 1998, Trump conheceu a modelo eslovena Melania Knauss numa festa e começaram a namorar. Em 2005, eles se casaram no clube de Mar-a-Lago. Um ano depois, nasceu o filho do casal, Barron. Em 2017, após a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, Melaine Trump se tornou a primeira-dama norte-americana nascida no estrangeiro, cuja língua nativa não é o inglês. 

Após a derrota da eleição de 2020, Trump e Melania voltaram a viver em sua mansão na Flórida.

O Futuro de Donald Trump

Ao deixar a Casa Branca no dia 20 de janeiro de 2021, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e sua esposa Melania Trump embarcaram no Marine One, com destino a Flórida. 

Bloqueado das redes sociais Youtube, Instagram, Twitter, Snapchat e Facebook, desde a invasão ao Congresso pelos seus apoiadores no dia 6 de janeiro, Donald Trump pretende retomar às redes sociais com a criação da sua própria plataforma.

Motivos do bloqueio à Trump 

Durante a invasão ao Capitólio, onde Trump havia incentivado seus apoiadores, ele questionou novamente a legitimidade das eleições e elogiou o grupo. A ação resultou em cinco mortes. A partir daí, as redes sociais começaram a bani-lo. 

O Twitter retirou várias postagens do ar alegando que o ex-presidente violou a política da plataforma ao incentivar a violência e suspendeu sua conta @realDonalTrump. Na época, Trump tinha 88 milhões de seguidores. O Facebook derrubou um vídeo de Trump, filmado durante a invasão, com a afirmação de “risco de violência”. 

O Youtube também alegou que o ex-presidente violou sua política de incitação à violência. A plataforma não permitiu a transmissão ao vivo nem o envio de novos vídeos. 

Nova plataforma

O porta-voz da campanha de Donald Trump em 2020, Jason Miller, afirmou recentemente na emissora americana Fox News que o ex-presidente vai retornar às redes sociais com plataforma própria que vai redefinir o jogo. 

Donald Trump continua bastante influente no partido Republicano, mesmo que muitos políticos importantes tenham se distanciado recentemente. Com sua absolvição do processo de impeachment, é possível que Donald Trump se prepare a voltar à política em 2024, para concorrer ao segundo mandato. 

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