Mercado Financeiro

Certificações do mercado financeiro: o que são e para que servem?

O mercado financeiro concentra grandes salários e assim, trabalhadores muito qualificados. A disputa por uma vaga é imensa. Lembro na minha época de faculdade como eram…

Data de publicação:24/09/2018 às 03:24 - Atualizado 4 anos atrás
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O mercado financeiro concentra grandes salários e assim, trabalhadores muito qualificados. A disputa por uma vaga é imensa. Lembro na minha época de faculdade como eram concorridos os estágios.

Por ser um setor de alta performance (e não poderia ser diferente já que os profissionais mexem com grandes quantias de dinheiro) as empresas demandam uma alta qualificação dos profissionais.

Além de uma boa formação, é praticamente imperativo que o profissional tenha qualificações extras.

As certificações são uma dessas qualificações extras que são quase um pré-requisito. Elas além de indicarem que o profissional é dedicado e tem aquele skill, fornecem um aprendizado muitas vezes bastante especifico.

Vamos conhecer um pouco mais sobre cada uma dessas qualificações, que os profissionais do mercado obtém.

Por isso, continue lendo para saber um pouco mais sobre cada uma delas:

CPA-10 e 20
CEA
CGA
Ancord
CNPI
CFP
CFA

CPA-10 e 20

Essas duas certificações são dadas pela Anbima. A Anbima é a associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. É um órgão de autorregulação e representação do mercado.

O 10 e 20 só se referem à série de cada uma. A diferença é que uma é mais abrangente que a outra. Ambas são destinadas a bancários envolvidos na distribuição e comercialização de produtos de investimento.

O CPA-20 é destinado ao segmento mais alta renda (private, corporate e investidores institucionais).

Seguindo as melhores práticas de mercado, profissionais que atuam nas atividades de atendimento e assessoria de investimentos, devem ter, obrigatoriamente, alguma classe do CPA.

É por essa razão que trata-se de uma certificação muito demandada, e até bastante popular. É comum profissionais terem tal certificação.

O exame abrange assuntos diversos como: sistema financeiro, economia, princípios de investimentos, ética, leis, tributação e regulação do mercado, fundos e produtos de investimento. Não se trata de uma certificação tão difícil de ser obtida. Basta estudar direitinho que ela sai.

CEA

O CEA também é uma certificação da Anbima e significa Certificado de especialista em investimentos Anbima. Trata-se de uma certificação mais abrangente do que as séries do CPA. Dessa forma, os profissionais certificados com CEA também podem exercer as funções de um profissional com CPA-10 ou 20.

A CEA se destina a certificar Profissionais das Instituições Participantes que assessoram os gerentes de contas de investidores pessoas físicas em seu planejamento de investimentos.

Os profissionais com CEA são autorizados a indicar produtos de investimento disponíveis na instituição que trabalham.

A cerificação do CEA indica que o profissional é capaz de entender os produtos que o mercado disponibiliza e, dado o perfil do cliente, indicar a melhor opção para ele.

A prova basicamente trata dos mesmos conceitos dos CPAs, porém a profundidade é muito maior. A parte de matemática é mais difícil, além de solicitar assuntos mais específicos como previdência e fundos não bancários.

CGA

O CGA é mais uma certificação da Anbima, literalmente é a Certificação de Gestores Anbima.

Como o nome sugere, trata-se da certificação dos gestores de fundos de investimentos. Ou seja, os profissionais que administram os recursos de terceiros. E trata-se de uma obrigatoriedade. Todos aqueles que gerem, de alguma forma, o dinheiro de outras pessoas são obrigados a terem o CGA.

Esse certificado atesta conhecimentos tanto financeiros, ou seja, as técnicas que um profissional precisa dominar ao operar no mercado financeiro, bem como princípios a serem seguidos ao tratar do dinheiro alheio, seja ética ou mesmo de caráter legal.

Colocamos o CGA como a última a abordar entre os certificados Anbima de forma proposital. Trata-se da prova mais pesada e mais difícil de ser aprovado.

Primeiro, a prova contém dois módulos, com 60 questões cada. O primeiro módulo é mais objetivo e abrange matemática, finanças, conhecimento de leis e produtos financeiros.

Algumas questões de ética e legislação também são abordadas nesse módulo.

Já o segundo módulo é mais subjetivo e leva em conta teorias de gestões de carteira, seja renda variável ou fixa, gestão de riscos e modelos de precificação de ativos. Como você pode perceber, não existe uma verdade absoluta aqui, trata-se de conhecimento das teorias mais abordadas no mercado.

Ao final, é esperado que além do conhecimento técnico que um gestor tem de ter, o profissional certificado também entenda os objetivos de seu cliente (o cotista do fundo), bem como o perfil de risco que pode operar.

Ancord

A Ancord é a Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias. É a principal representante das instituições de intermediação de recursos, ou seja, as corretoras e distribuidoras de valores.

A certificação Ancord se destina aos profissionais que atuam como agentes autônomos de investimentos. Esse é o profissional responsável por intermediar operações no mercado.

Também é chamado de assessor de investimentos. O agente de investimentos é responsável por todo o relacionamento com o cliente: é ele quem distribui aplicações financeiras e tira as dúvidas dos aplicadores.

Os agentes atuam como representantes das corretoras ao redor do Brasil, realizando atividades como prospecção e captação de clientes; recepção, registro, e transmissão de ordens de compra ou venda de ativos; e prestação de informações.

A prova da Ancord é composta por 80 questões e abrange diversos temas como: economia e finanças, estrutura do sistema financeiro nacional, administração de riscos, fundos e clubes de investimentos, matemática financeira, produtos financeiros, ética e legislação, e por fim, a atividade de uma agente autônomo.

Essa também é uma certificação obrigatória. Agentes autônomos necessariamente têm de obtê-la.

CNPI

O Certificado Nacional do Profissional de Investimentos é um certificado da Apimec (Associação dos analistas e profissionais de Investimento de Mercados de Capitais).

Segundo a própria Apimec, o CNPI objetiva testar conhecimentos dos profissionais acerca de experiência profissional, grau de escolaridade, nível de conhecimento profissional.

A CVM exige que profissionais que atuem analisando ativos e dando recomendações, tenham a certificação CNPI. Esses profissionais realizam as análises, que você já deve ter visto, dizendo que tal ação tem potencial de compra pois está barata e vice-versa. Eles utilizam técnicas especificas seja de análise técnica ou fundamentalista e julgam o potencial de cada ação.

Dessa forma, o CNPI analisa o conhecimento do profissional em relação às técnicas de análise financeira, produtos disponíveis, finanças e economia, matemática e estatística, além de, como sempre, a legislação.

O CNPI ainda se divide entre o CNPI-T, que é voltado para análise técnica de ações (aquela relativa a gráficos e indicadores) e CNPI-P, que abrange tanto a análise técnica como fundamentalista.

CFP

O CFP (Certified Financial Planner) é uma certificação que foi criada nos EUA e trazia ao Brasil, concedida pelo instituto IBCPF, que virou instituto Planejar (Associação Brasileira de planejadores financeiros). eu papel é implantar, certificar e controlar a atividade de planejador financeiro pessoal, assim como de representar esses profissionais perante o mercado, governo e sociedade.

Mundialmente reconhecida, ela se constitui como um dos documentos mais importantes para aqueles que almejam exercer as atribuições comuns ao planejamento financeiro.

Segundo o próprio instituto planejar, o CFP abrange seis áreas de conhecimento: (i) Planejamento Financeiro e Ética; (ii) Gestão de Investimentos; (iii) Planejamento da

Aposentadoria; (iv) Gestão de Riscos e Seguros; (v)Planejamento Fiscal e (vi) Planejamento Sucessório.

O CFP vai nos moldes do CPA-20, porém é muito mais profundo e, portanto, exige uma qualificação maior. O exame engloba (i) Planejamento Financeiro e Ética, (II) Gestão de

Ativos e Investimentos, (III) Planejamento de Aposentadoria, (IV) Gestão de Riscos e Seguros, (V) Planejamento Fiscal e (VI) Planejamento Sucessório.

O profissional que possui o CFP é qualificado para organizar melhor as finanças pessoais dos seus clientes, observado objetivos, perfil e restrições do investidor. O CFP garanta que o profissional siga uma metodologia padrão reconhecidamente efetiva na execução do planejamento das finanças pessoais do cliente.

Para ser elegível ao CFP não basta passar no exame, mas também possuir curso superior e experiência de atuação na área de no mínimo 3 anos. A prova contém 140 questões abrangendo os seis módulos que citei acima.

CFA

O suprassumo entre as certificações do mercado financeiro. O CFA (Chartered Financial Analyst) é um certificado internacional concedido pelo CFA institute.

Trata-se da certificação mais abrangente e profunda do mercado financeiro. Ter o CFA é uma sinalização muito forte tanto de conhecimento técnico sobre finanças e resiliência, pois se trata de um certificado complexo de ser obtido.

No Brasil, o CFA não é obrigatório para nenhuma profissão, mas ela abrange, por exemplo, o CGA. Caso tenha o CFA, você pode trabalhar em áreas que exigem o CGA. O escopo de atuação de um profissional com CFA é extenso. Ele pode trabalhar com investiment banking, gestor de carteira, M&A (fusões e aquisições), analista financeiro, trader, enfim, praticamente todas profissões do mercado.

Como disse, o CFA é uma certificação difícil de ser obtida. O processo é rigoroso e engloba três módulos (para falar que possui o CFA, é preciso passar em todos). Além disso, como é um certificado internacional, a prova é realizada em inglês.

O nível 1 é composto de 240 questões mais gerais de finanças e ferramentas de investimentos, assim como alguma coisa de economia.

O nível 2 é composto de 20 mini cases e as questões são mais complexas e envolvem muito de como precificar ativos. Envolve bastante teoria também.

O nível 3 é composto por questões discursivas e objetivas e está mais relacionado à aplicação de todo o conhecimento no dia-dia e efeitos que uma carteira atravessa.

O exame engloba os seguintes temas. Cada um com um peso diferente:

  • Padrões Éticos e Profissionais
  • Métodos quantitativos
  • Economia
  • Relatórios e Análises Financeiras
  • Finanças corporativas
  • Investimentos igualitários
  • Renda Fixa
  • Derivados
  • Investimentos alternativos
  • Gerenciamento de Carteira e Planejamento de Riqueza

Conclusão

A vida de um profissional financeiro envolve atividades extra-curriculares e as certificações desempenham um papel relevante nesse sentido.

Em várias profissões, as certificações são obrigatórias para o profissional trabalhar. Além de atestar o conhecimento do assunto, desempenham o papel de ensinar ao profissional como funciona a legislação da área que atua, bem como princípios éticos, necessários para quem trabalha com dinheiro constantemente.

Para você investidor é importante ficar de olho no nível de quem está te auxiliando ou mesmo mexendo com os seus recursos. Por isso, conheceu todas as certificações do mercado financeiro hoje.

E se ficou com alguma dúvida adicional ou quer contribuir mais com o assunto, comente abaixo!

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Sobre o autor
Vinicius AlvesEconomista, atuou no departamento econômico de empresas de sell side no mercado financeiro. Já foi Top-5 de projeção de inflação de curto prazo do BC.