Índices e Indicadores

O ano de 2020 ficará marcado para sempre na história em função de uma pandemia. Além de todos os efeitos de saúde que ela causou, o impacto no mercado de ações foi direto, fruto do aumento de uma volatilidade já esperada em função do cenário econômico.

No entanto, como o investidor deve encarar essa volatilidade? Ela é positiva ou negativa? Gera oportunidade ou desespero? É sobre isso que vamos conversar no texto de hoje.

O que é volatilidade?

Não há como discutir a volatilidade sem entender a fundo o significado do conceito. Em resumo, ela é uma métrica que mede a velocidade e a intensidade pela qual o preço de um ativo oscila.

Ou seja, mais do que grandes variações de precificação, um ativo com alta volatilidade oferece oscilações intensas e rápidas. Isto é, em curto período de tempo, ele pode apresentar grande valorização ou grande desvalorização.

É importante entender que essa característica pertence à renda variável, ambiente em que se insere naturalmente o mercado de ações. Desta forma, o investidor precisa estar consciente que nem sempre os mercados vão subir. E, quando a situação se inverte, é preciso saber como lidar com ela de maneira tranquila e consciente.

Volatilidade só aparece em tempos de crise?

É normal que, na maior parte das vezes, o tema da volatilidade no mercado de ações apareça com frequência em momentos de crise econômica. Nesse cenário, afinal, os investidores ficam com maior aversão ao risco e tendem a vender suas posições para usar de ativos mais seguros.

No entanto, a volatilidade não se aplica apenas à queda dos preços. Ela é uma métrica de oscilação do valor e da sua intensidade, algo que também pode acontecer em momentos de alta do mercado financeiro.

A questão é que, especialmente no Brasil, a população se acostumou com ganhos constantes e permanentes. Não por acaso, uma parcela gigantesca dos brasileiros ainda utiliza a caderneta de poupança a qual, até pouco atrás, oferecia uma remuneração percentual anual de quase dois dígitos.

Desta forma, é natural que, enquanto o mercado de ações apresenta um movimento de alta, as pessoas não se preocupem com a volatilidade. No entanto, ela está sempre presente, com maior ou menos força, dentro do sistema de renda variável.

Quando a volatilidade no mercado de ações é positiva?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a volatilidade do mercado de ações não é, necessariamente, ruim. Muito pelo contrário: existem alguns casos em que ela é amplamente positiva.

Isso vale especialmente para o trader, que é o nome dado ao perfil de investidor que busca as oscilações de curto prazo. Ou seja, ele não pretende manter o ativo em carteira por longos períodos temporais. Sendo assim, a oscilação rápida do seu preço é excelente para que ele possa encerrar a sua posição.

Além disso, vale lembrar que um trader pode operar vendido no mercado financeiro. Esse é o nome dado a um processo de alugar ações e, posteriormente, recomprá-las, obtendo lucro ou prejuízo na direção contrária ao método tradicional de comprar ações para depois vender. De forma resumida, quer dizer apenas que nesse caso o investidor ganha quando o mercado cai e não quando sobe.

Neste caso, ao operar vendido, um trader pode obter grandes lucros em períodos de crise e desvalorização dos preços dos ativos. E, novamente, a volatilidade pode ser uma aliada nessa estratégia de investimentos.

E para o investidor de longo prazo? Não existe benefício da volatilidade? Claro que sim! Podemos enxergar pontos positivos desse processo nas duas direções:

Quando a volatilidade no mercado de ações é negativa?

O cenário anterior é uma visão otimista da volatilidade, pois desconsidera os efeitos negativos da forte variação de preços. É claro que também vamos abordar o outro lado da moeda: os riscos de um mercado de ações volátil.

O primeiro deles é para o investidor de longo prazo. Em momentos de crise, os ativos tendem a sofrer uma desvalorização forte, algo que aconteceu em 2020. Muitas empresas viram seus papéis cair mais do que 50% em poucos dias. Essa perda se apresenta também no patrimônio do investidor, fazendo com que você veja uma queda significativa no seu capital.

Aqui, contudo, é importante ponderar que essa perda só é realizada se você acabar vendendo os ativos no desespero. Ao mantê-los em carteira e até, por que não, aproveitar para aumentar a sua posição na companhia, ele pode se recuperar no longo prazo e gerar ganhos atrativos.

Mesmo para um trader, a volatilidade também oferece seus riscos. Isso porque, como há forte movimentação dos preços, o mercado tende a ficar mais irracional e, desta forma, nem sempre a posição escolhida estará na direção correta. Ao perceber que houve um erro na operação, esse investidor precisa encerrá-la com brevidade — ou então terá impactos bem negativos no seu resultado.

Quais são os principais efeitos da volatilidade no mercado de ações?

Como vimos, portanto, a volatilidade não é boa ou ruim. Ela é apenas uma característica do mercado de ações com a qual os investidores precisam lidar. Por outro lado, surgem algumas consequências comportamentais.

Quando há um forte crescimento do mercado, com aumento rápido dos preços, o risco fica por conta da tentação de achar que esse movimento será constante e, assim, investir mais do que o seu perfil permite na renda variável. Quando há uma inversão desse movimento, algo que é natural ao longo do tempo, o impacto pode ser grande.

Além disso, não podemos ignorar o efeito emocional que a volatilidade traz ao investidor. É mais difícil manter a calma e tomar boas decisões em períodos de irracionalidade do mercado. E isso pode levar o investidor a se precipitar no mercado.

Imagine que você tinha ações de empresas no meio dessa crise de 2020. Em questão de dias, sua posição poderia ter se desvalorizado em 50%. O que fazer nesse momento? Agora, que os mercados já apresentaram boa recuperação, é fácil dizer que a queda foi exagerada. Na hora de tomar a sua decisão, porém, é preciso agir sem saber se haveria essa recuperação ou a empresa viria a quebrar, algo que resultaria em uma perda permanente.

Diversificação: a ferramenta para lidar com a volatilidade

Como vimos, a volatilidade faz parte do mercado de ações. E não adianta fechar os olhos para essa característica e torcer para que a Bolsa de Valores permaneça estável por longos períodos. Essas oscilações vão e voltam com frequência.

Neste caso, a melhor amiga de um investidor é a diversificação, processo que consiste em dividir o seu patrimônio em diferentes classes de ativos, equilibrando a sua carteira entre rentabilidade e risco.

Imagine que, por exemplo, você resolva investir todo o seu capital no mercado de ações. Se a volatilidade faz com que os ativos se desvalorizem em 50%, isso representa uma perda de metade do patrimônio.

Agora, suponha que você respeitou o seu perfil de investidor e percebeu que o ideal é ter no máximo 20% do seu dinheiro investido em ações. Veja que a mesma queda de 50% traria um efeito limitado sobre o seu patrimônio: uma desvalorização de apenas 10%. Ou seja, ainda restaria 90% do seu capital para seguir trabalhando no mercado financeiro.

E mesmo entre a parte de ações da sua carteira, o ideal é que você invista em diferentes setores para balancear a volatilidade dessa parte. Assim, por exemplo, por mais que suas ações de companhias aéreas tivessem despencado, outros ativos mais resilientes como ações de grandes bancos ou de empresas estrangeiras (dolarizadas) poderiam ter segurado a volatilidade média para algo bem menos crítico.

Portanto, mais do que um clichê entre investidores, a diversificação é a grande ferramenta para equilibrar risco e retorno, oferecendo assim o melhor potencial de valorização para o seu capital e, ao mesmo tempo, reduzir os impactos da volatilidade no mercado de ações.

Quer aprender mais sobre o mercado de ações?

A volatilidade é apenas um dos fatores que envolvem o mercado de ações e demanda algum nível de atenção. Ao mesmo tempo, é justamente essa característica que oferece boas oportunidades aos investidores. É preciso estar sempre de olho no mercado.

Caso queira aprender mais sobre o mercado de ações e melhorar a sua tomada de decisão nos investimentos de renda variável, aproveite para baixar gratuitamente o nosso livro 12 pilares que todo investidor de ações precisa conhecer.

Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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