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A vantagem dos indicadores antecedentes para acompanhar a economia

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21/02/2019
A vantagem dos indicadores antecedentes para acompanhar a economia
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Uma das principais coisas que um investidor deve fazer, para maximizar seu retorno, é acompanhar o andamento da atividade econômica do seu país.

Se o investidor opera em renda variável, esse acompanhamento é ainda mais essencial visto que o crescimento ou não da atividade econômica e seu ritmo impactam diretamente nos preços das ações e na distribuição dos dividendos.

Num exemplo simples, é pouco provável que você veja o preço das ações de empresas do varejo aumentando durante crises e queda de consumo de forma sustentável, a despeito de boa gestão e pontos positivos da empresa individualmente.

Ainda assim, nós sabemos que é muito difícil ficar acompanhando uma infinidade de indicadores para tentar imaginar o que vai acontecer com o país. Nem todo mundo tem tempo para acompanhar resultado do PIB, da indústria, do comércio, do emprego, das exportações e importações, dos indicadores financeiros e etc, mas eles são de suma importância.

Portanto, fica mais fácil se você puder acompanhar a tendência de apenas um indicador, que capte a mensagem principal desse grande bloco.

Mas o que seriam esses indicadores antecedentes? Em que lugar os encontrar?

Continue lendo, para saber mais sobre:

Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE)

Indicador antecedente da economia

Pensando exatamente em como antecipar os chamados ciclos econômicos, ou seja, períodos de crescimento e de crise da economia brasileira, o IBRE/FGV pegou emprestado da The Conference Board (Uma organização sem fins lucrativos de pesquisa e de associações empresarias americana) uma metodologia de um indicador que tenta ser essa bussola.

De fato, o chamado Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE) tem o objetivo diretamente escrito em seu nome: tentar antecipar acontecimentos na economia. Esse indicador é divulgado mensalmente na página da instituição, com os comentários de economistas.

O IACE compila uma série de indicadores importantes para tentar antecipar se a economia do país tende a entrar em crise num futuro, ou se vai aproveitar de um momento de crescimento como é o atual. O indicador é bem completo e abaixo temos as listas do que entra nessa “brincadeira”:

  • Taxa referencial de swaps DI pré-fixada – 360 dias
  • Ibovespa
  • Índice de Expectativas da Indústria
  • Índice de Expectativas dos Serviços
  • Índice de Expectativas do Consumidor
  • Índice de produção física de bens de consumo duráveis
  • Índice de Termos de troca
  • Índice de quantum de exportações

Para mostrar o poder do indicador, o mesmo IBRE/FGV é a instituição que costuma fazer a datação dos ciclos econômicos do nosso país. Eles reúnem alguns notáveis no Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) e avaliam quando uma crise começou e quando ela terminou em nosso país, bem como o período de expansão do nosso mercado.

Desta forma podemos elaborar o gráfico abaixo que demarca exatamente os períodos de crise da economia brasileira e que mostra como o IACE começa a recuar antes da crise acontecer, mostrando seu poder de antecipar, além de ressaltar como o IACE começa a subir antes mesmo da crise acabar, confirmando tal utilidade.

O momento atual do índice é de crescimento, dando força para as expectativas de mercado de que entramos num novo ciclo de crescimento após a dura crise passada, num período mais otimista e que se reflete em diversos indicadores e preços de mercado.

A melhora na confiança dos empresários de diversos setores é a pedra angular para um crescimento sustentável da economia, com geração de emprego e investimentos.

Indicador Antecedente Composto (CLI) da OECD

Indicador antecedente composto da OECD

A vontade de antecipar ciclos econômicos não é apenas nossa e pensando nisso a OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico) desenvolveu indicadores antecedentes dos 40 principais países do mundo.

O indicador é bem rico e reflete os sinais emitido por variáveis importantes como produção industrial; variáveis setoriais (aço bruto, petróleo bruto, etc.); tendências de negócios e consumo, variáveis de negócio que acompanham o tempo de entregas, estoque, novas encomendas; comércio internacional; construção civil; consumo doméstico; mercado de trabalho; índice de preços ao consumidor e produtor; agregados monetários; taxa de juros; taxa de câmbio, balança de pagamentos e outras variáveis financeiras.

Perceba quanta informação esse indicador carrega e como, novamente, ele se relaciona com os momentos de crise. Sempre começa a recuar antes, ligando um alerta vermelho para o mercado, e começa a crescer durante a crise, dando os primeiros sinais de que o período ruim para aquela economia está acabando.

A potência preditiva desse indicador pode ser vista olhando o desempenho do PIB brasileiro. A série do PIB divulgada pelo IBGE tem seu resultado comumente acumulado em 4 trimestres como uma das formas mais fáceis de acompanhar o ritmo e a direção da atividade econômica.

As informações crescimento trimestrais são importantes, mas essa métrica de análise é a melhor para avaliar a tendência e, portanto, sua comparação com o CLI é mais adequada.

Vejam como o indicador CLI antecipa os movimentos do nosso PIB, embora não tanto em sua intensidade.

É bom ressaltar novamente que a OECD elabora esse indicador para uma quantidade grande de países, o que facilita muito para quem precisa acompanhar o ritmo da atividade no cenário internacional. Os relatórios são divulgados mensamente aqui e estou postando abaixo uma tabela que evidencia o tipo de mensagem que é possível extrair desses dados.

Selecionado um grupo de países de interesse, bem como um indicador que compile a tendência do G7 e dos países membros da OECD, é possível ver a tendência recente da economia mundial. Há uma certa desaceleração da atividade econômica das principais economias do globo, o que chama bastante atenção.

Por outro lado, o Brasil segue no caminho contrário, em direção da aceleração da sua economia, buscando reformas e mudanças institucionais.

Obviamente esse movimento não passa despercebido pelos outros países e investidores, que acompanham com cuidado os acontecimentos aqui, na expectativa de aproveitar os retornos que esse novo momento de crescimento pode gerar.

Conclusão

Cada vez mais são produzidos e divulgados indicadores econômicos que buscam mensurar como está a atividade econômica de um país. Não à toa, os agentes do mercado mais experientes vivem acompanhando o resultado desses indicadores, que por vezes são a notícia mais esperada e aguardada do dia e que dá o tom do ânimo naquele momento.

A dificuldade de acompanhar um grande punhado de indicadores abriu espaço para indicadores que tentam captar o máximo de mensagens num único lugar, os chamados indicadores antecedentes.

De fato, acompanhar os relatórios que tratam desses indicadores é uma forma fácil e rápida de se manter atualizado quanto as expectativas para o ritmo de crescimento do país e, que em última instância, tem impacto direto nos ativos financeiros, seja por renda fixa, com impacto no juro, seja por renda variável, com aumento dos preços das ações e do Ibovespa.

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Sobre o autor

  • Arthur Lula Mota
  • Economista, já atuou no mercado financeiro e em departamento econômico, com elaboração de cenários macroeconômicos e estudos setoriais. Atualmente é Mestrando em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e dono de um dos maiores sites independentes de economia no Brasil – o Terraço Econômico.

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