O que é Rateio por ordem de chegada?

Rateio por ordem de chegada é uma das formas possíveis para o rateio da oferta, isto é, uma das formas para distribuir as ações na Oferta Pública Inicial (mais conhecida como IPO, sigla para Initial Public Offering) quando a demanda do mercado é maior do que o volume de papéis que se pretende emitir.

Descomplicando a Bolsa de Valores

Entendendo o Rateio por ordem de chegada

Quando uma empresa decide abrir seu capital e negociar ações na bolsa de valores, ela faz uma oferta inicial de ações, chamada de IPO. Existe um processo longo e complexo que precisa ser seguido para completar o IPO. 

Em uma das etapas desse processo, os investidores informam quantas ações desejam comprar e o preço máximo que pretendem pagar por elas. Essas informações ajudam a empresa a determinar o valor final da ação no IPO, e também permite identificar se a demanda dos investidores está ultrapassando o volume de títulos que se pretende emitir.

Imagine, por exemplo, a seguinte situação. A empresa XYZ Frigoríficos vai fazer seu IPO. Os investidores apresentam sua intenção de compra, na seguinte ordem. 

O investidor A quer comprar 1.000 ações. 

O investidor B quer comprar 3.000 ações. 

O investidor C quer comprar 5.000 ações. 

O investidor D quer comprar 10.000 ações. 

Portanto, a demanda total é de 19.000 ações. 

Se a XYZ Frigoríficos só pretende emitir 15.000 ações, alguém não vai conseguir comprar tudo que gostaria. A questão, então, é como a empresa vai distribuir essas 15.000 ações. 

Uma das formas de resolver a questão é pelo rateio por ordem de chegada. 

No rateio por ordem de chegada, as ações são distribuídas de acordo com o recebimento das ordens de compra, quando os papéis são liberados para negociação no mercado.

Vamos trabalhar com dois cenários. 

No primeiro, imagine que os investidores enviaram suas ordens de compra na mesma sequência da intenção de compra. 

Nesse caso, A vai conseguir comprar todas as 1.000 ações que havia declarado.

Logo depois, B também vai conseguir comprar todas as 3.000 ações que havia declarado.

Depois, chega a ordem de compra de C, que também vai conseguir comprar todas as 5.000 ações que havia declarado.

Quando entra a ordem de compra de D, sobraram apenas 6.000 ações, daquelas 15.000 que a XYZ Frigoríficos emitiu. Então, D vai ser o único investidor que não conseguirá comprar todas as ações que pretendia.

Agora, no segundo cenário, imagine que as ordens de compra sejam enviadas primeiramente por D e depois por C, A e B.

Nesse caso, D vai conseguir comprar todas as 10.000 ações que havia declarado.

Logo depois, C também vai conseguir comprar todas as 5.000 ações que havia declarado.

Quando entram as ordens de compra de A e B, não sobrou nenhuma ação, daquelas 15.000 que a XYZ Frigoríficos emitiu. Então, esses dois investidores simplesmente não conseguirão comprar ações no IPO.

O que acontece com os investidores prejudicados no rateio por ordem de chegada?

Em qualquer tipo de rateio, alguém sai prejudicado. Alguns investidores não conseguirão comprar todas as ações que pretendiam, ou nem conseguirão comprar nenhuma ação, como nos exemplos que foram apresentados.

O que acontece com esses investidores é que eles devem aguardar até que as ações da empresa comecem a ser negociadas no mercado secundário. No caso do segundo exemplo, em que A e B saíram “de mãos vazias”, eles devem aguardar até que os investidores C e D comecem a vender os papéis que compraram no IPO. 

É importante notar que o IPO costuma ter uma regra, chamada de lock-up, determinando que os investidores devem ficar com as ações compradas por um tempo mínimo antes de negociá-las no mercado secundário. Então, quem não foi beneficiado no rateio por ordem de chegada também precisa esperar o fim do lock-up para conseguir comprar esses papéis de outros investidores.

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