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Rateio da oferta

O que é Rateio da Oferta

O Rateio da Oferta é um conceito associado à Oferta Pública Inicial (IPO) de ações de uma empresa e ao bookbuilding, o processo para avaliação da demanda do mercado pelas ações.

O Rateio da Oferta é a solução encontrada para lidar com o excedente de demanda, ou seja, quando existe uma demanda para comprar mais ações do que a empresa efetivamente pretende emitir em seu IPO.


Como funciona o Rateio da Oferta

 

Antes do IPO, a empresa que pretende emitir ações realiza um processo chamado de bookbuilding, que permite entender a demanda do mercado e definir o preço para a oferta.

Porém, ele tem outra utilidade: possibilita aos investidores fazer uma reserva para a compra das ações. O bookbuilding é realizado tanto com investidores institucionais quanto investidores de varejo.

Ao final desse processo, a empresa observa qual foi o número de reservas. Eventualmente, pode haver reserva de um volume de ações superior ao que a empresa pretende colocar no mercado.

Quando isso acontece, é preciso fazer um rateio. Isso significa que cada investidor só vai poder comprar uma porcentagem das ações que reservou durante o Bookbuilding.

Métodos de Rateio da Oferta

Existem diferentes métodos para realizar o rateio da oferta.

O método tradicional consiste em fazer o rateio de acordo com a proporção entre o total da oferta e o total de reservas.

Imagine que a empresa fictícia ABC Metais vai fazer seu IPO com R$ 100 milhões em ações. O bookbuiding aponta um total de R$ 200 milhões em reservas. A relação, aqui, é de 50%. Portanto, cada investidor poderá comprar 50% do que reservou.

A crítica ao método tradicional de rateio da oferta é que os grandes prejudicados são os pequenos investidores. Afinal, seguindo esse método, quanto menor a reserva, menor a compra que o investidor efetivamente terá direito a fazer.

Em 2005, uma parceria entre técnicos da BOVESPA e a empresa Suzano Petroquímica deu origem a um novo método de rateio. A proposta era que as ações do IPO fossem distribuídas, uma por uma, a cada investidor que fez uma reserva, obedecendo o limite dessa reserva, até que as ações ofertadas acabassem.

Imagine que, no mesmo caso da ABC Metais, o bookbuilding de R$200 milhões corresponde às reservas de 4 investidores:

  • O investidor A reservou R$ 10 milhões
  • O investidor B reservou R$ 40 milhões
  • O investidor C reservou R$ 50 milhões
  • O investidor D reservou R$ 100 milhões

Vamos pegar o equivalente a R$ 100 milhões em ações, que é o IPO, e começar a distribuir uma por uma pelos quatro investidores (uma ação para o investidor A, uma para o investidor B, uma para o investidor C, uma para o investidor D, outra para A, outra para B, e assim sucessivamente) até o limite que cada um reservou.

Então, quando o investidor A chegar ao equivalente a R$10 milhões em ações, ele sai do rateio, porque foi isso que ele reservou. O rateio continua entre os outros três, até acabarem os papeis ou até que chegue no limite da reserva de outro investidor. Nesse caso, continua entre os que sobraram. O resultado final será:

  • O investidor A poderá comprar R$ 10 milhões
  • O investidor B poderá comprar R$ 30 milhões
  • O investidor C poderá comprar R$ 30 milhões
  • O investidor D poderá comprar R$ 30 milhões

Perceba que os investidores que reservaram menos (A e B) conseguiriam comprar uma proporção maior da sua reserva. A conseguiria comprar 100% do que reservou, mas D apenas 30%.

Esse método beneficia os menores investidores. Quanto menor a reserva, maior a probabilidade de receber todas as ações reservadas. Por outro lado, quanto maior a reserva, menor a porcentagem que efetivamente poderá ser comprada.

Casos reais de Rateio da Oferta

Um caso real interessante de rateio da oferta foi o IPO da Visanet, em 2009. Ele foi considerado o maior IPO da História do mercado brasileiro, até aquele ponto.

As ações da empresa geraram um interesse tão grande entre investidores do varejo, que cada um só conseguiu comprar 38,35% do valor reservado. Isso significa que a demanda foi quase 3x maior do que a oferta.

Mais recentemente, o caso do IPO da Vivara também merece atenção. A empresa usou uma estratégia diferente para o seu rateio da oferta.

A demanda pelas ações da Vivara superou a oferta em 5x. Com a intenção de incentivar a adesão dos investidores a uma cláusula de Lock-up, a Vivara ofereceu preferência no rateio para aqueles que aceitassem a cláusula.

 

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