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Moral Hazard

O que é Moral Hazard?

Moral Hazard quer dizer risco moral. Em uma relação contratual em que as partes possuem interesses divergentes, os incentivos são assimétricos; ou seja, alguns ganham às custas de muitos que perdem.

Ele é um conceito bastante usado no mercado financeiro:

  • Mercado de crédito: um cliente presta informações incorretas na hora de tomar um empréstimo. O banco, não tendo condições de verificá-las, adota uma taxa de juros maior em todos os seus contratos;
  • Mercado de seguros: um cliente contrata um seguro para o seu carro e, por conta disso, passa a ser menos cuidadoso com ele. A seguradora, desconfiando que esse seja um comportamento comum, cobra valores mais altos de todos os seus segurados.

O que a crise de 2008 diz sobre o moral hazard?

Ela começou a partir da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers.

O então secretário do Tesouro, Hank Paulson, tinha decidido não o socorrer como uma forma de se desestimular o moral hazard. Durante a década anterior, muitas instituições financeiras tinham sido socorridas, dando a impressão de que estariam sempre cobertas.

Para evitar o risco sistêmico, o governo usava os recursos públicos, bancados pelos contribuintes, para socorrer os bancos em dificuldades (conhecido como “bail out”). Os bancos, cientes disso, tomavam mais riscos em suas operações.

No caso do Lehman Brothers, mesmo tendo o Tesouro a intenção de reduzir os riscos no sistema financeiro, essa decisão literalmente travou o seu funcionamento. Mercado e governo viram, na prática, as consequências da quebra de uma instituição importante, criando-se o termo “too big to fail” (grande demais para quebrar).

A crise americana acabou se espalhando por todos os cantos do mundo e muitos governos tiveram que usar o mesmo recurso para também salvarem os seus bancos.

Passados os piores anos da crise e, como forma de resolver essa situação, a regulação bancária passou a considerar o “bail in”. Ao invés de ser socorrido por um agente externo (o governo), o banco usaria os seus próprios recursos (o capital de seus acionistas e os papéis detidos pelos seus grandes credores).

Tendo esses recursos “em risco”, tanto acionistas como credores fariam o monitoramento dessas instituições, policiando-as e refletindo nos preços dos seus ativos (ações e bonds) o bom desempenho, ou não, das suas atividades. Isso lidaria de forma satisfatória com o chamado problema agente-principal, evitando a imprudência por parte do agente (banco).

Apesar das regras mais severas que passaram a valer como consequência da crise, os reguladores sempre se deparam com a seguinte dificuldade: como induzir os incentivos certos para que os bancos cumpram o seu papel sem trazer grandes transtornos financeiros?

Como o Fundo Garantidor de Créditos lida com o moral hazard?

Todos os países que implementaram o seguro de depósitos usaram regras semelhantes:

  • Limite para o valor garantido;
  • Exclusão de determinados produtos financeiros.

Elas são impostas para que todos sejam mais cautelosos na hora de prover seus recursos aos bancos, evitando um comportamento inconsequente por parte desses.

O que a União Europeia nos mostra em termos de moral hazard?

Países como a Grécia se beneficiaram muito quando adotaram o Euro. Ao fazerem os ajustes orçamentários e abrirem mão de suas moedas, passaram a ter acesso a financiamentos com baixas taxas de juros, dada a estabilidade da moeda única e a solidez do Banco Central Europeu, ambos concebidos a partir do rigoroso modelo econômico alemão.

Mostrando um exemplo clássico de risco moral, os gregos se aproveitaram dos juros baixos e começaram a tomar empréstimos em larga escala para financiar o consumo ao invés de investir para ganhar competitividade frente aos seus pares europeus.

Impossibilitada de desvalorizar a sua moeda, pois já tinha adotado o Euro, ou de gastar mais, porque tinha que seguir as regras da União Europeia, a Grécia precisou ser socorrida pelos outros governos europeus e pelo FMI após a crise de 2008 para manter a estabilidade da zona do euro.

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