O que é a heurística da representatividade?

Heurística da representatividade é o nome dado a um fenômeno mental no qual, diante da necessidade de tomar uma decisão de relativa complexidade, o ser humano se apoia em seu repertório pessoal para julgar uma coisa, pessoa ou situação.

A heurística da representatividade é considerada, sobretudo, um atalho de raciocínio. Quando temos informações limitadas sobre uma questão, buscamos condições semelhantes vividas no passado e as trazemos para o momento presente, como base para o nosso julgamento. Assim evitamos, ao mesmo tempo, o cansaço da reflexão e a angústia da ignorância.

O grande problema é que, tão acostumados a esse processo, ele se automatiza a ponto de se tornar quase imperceptível no cotidiano.

É por isso que muitos categorizam a heurística da representatividade como a arte de usar os estereótipos para analisar o presente. Sim, ele é a tia preconceituosa do mundo das heurísticas.

Porque, como bem sabemos, os estereótipos nem sempre estão corretos – e não raro, ao utilizá-los, caímos no que se denomina de viés: uma representação distorcida da realidade.

Mas juramos, ela não é de todo mal. O porquê te contamos a seguir.

O que é a heurística?

A heurística é uma categoria de atalhos mentais que o cérebro humano desenvolveu para facilitar a tomada de decisões.

Em seu universo, existem diversos subgrupos: a heurística do afeto, da disponibilidade, da ancoragem… Você pode, inclusive, ler cada um dos artigos que preparamos sobre esse assunto e encontrará em todos eles uma explicação como esta à respeito dos princípios da heurística.

Isso porque somente ao entender como a heurística geral funciona é que se pode vislumbrar a importância da heurística da representatividade. É impossível falar da água sem citar o oxigênio e o hidrogênio, certo?

Mas vamos lá: as explicações para a existência desses atalhos mentais remontam à própria vida humana na selva.

Eu não sei se você, que vive em uma era tão desenvolvida e tecnológica, sabe, mas antigamente não existiam planilhas de Excel ou apresentações de PowerPoint para garantir a sobrevivência.

Para isso, tínhamos que confiar na maior ferramenta que dispunhamos: o nosso cérebro. E tal qual fazemos agora com um computador, desenvolvemos os nossos próprios processos para automatizar a maior parte das atividades.

O resultado é que somos hoje, como espécie, mais reativos do que imaginamos. Nos programamos, desde aquele tempo, para ler o ambiente, agir de acordo com o desenrolar das situações e tentar prever todos os perigos à nossa volta.

Isso não é de todo mal, veja bem! Se uma parte de nossa casa pega fogo, entendemos que nossa vida está ameaçada e corremos. Se escorregamos o pé na escada, apoiamos a mão no corrimão para não cair. Se vemos nosso ônibus se aproximando, estendemos o braço em sinal de parada. Não precisamos pensar muito: apenas reagimos e vivemos.

O problema surge quando nos tornamos reativos demais, abandonando a análise crítica e a consciência. Como veremos a seguir, no caso da heurística da representatividade, as consequências disso se estendem por toda a nossa vida – inclusive, a financeira.

Como a heurística da representatividade funciona?

Há alguns parágrafos atrás, te contamos que na vida selvagem automatizamos várias atividades diárias, como forma de agilizar a tomada de decisões.

Uma das formas que encontramos foi padronizar características, de modo a ter sempre um “parâmetro” para usar nos momentos mais difíceis.

“Um bicho tem um alto rugido? Bom, da última vez que encontrei algo parecido eu quase perdi a perna”.

“A água está com um tom esverdeado? Da última vez que bebi algo assim, passei mal por uma semana”.

Esses pensamentos eram tão rápidos, que mal nos dávamos conta.

O rugido poderia sim vir de um animal indefeso e a água ser da própria fonte da juventude, mas os perigos eram tantos que não discutíamos muito.

A questão é que conforme a nossa estrutura social foi evoluindo, mais complexos ficaram os objetos do nosso julgamento.

Hoje em dia, não são mais os bichos ou os mantimentos que pedem nossa maior atenção. Temos que tomar decisões ligadas a relacionamentos, carreira, estudos, investimentos… Mas seguimos usando a heurística da representatividade:

“O meu filho quer fazer uma tatuagem? Da última vez que alguém assim tentou uma vaga na minha área, não passou nem da entrevista” – Decisão: o meu filho não deveria fazer uma tatuagem;

“O vizinho tem um carro novo? Da última vez que eu conheci alguém que pudesse pagar por um modelo desses, ele era muito rico” – Decisão: o meu vizinho é um homem rico.

“Eu tenho que escolher quais ações comprar? Da última vez que eu li sobre investimentos, o mercado x era muito sólido” – Decisão: investir no mercado x.

Perceba que essas afirmações poderiam estar certas. O vizinho pode mesmo ser rico e o mercado x pode ser mesmo uma boa opção.

O problema é que, usando apenas uma pequena amostra (e desconsiderando todos os outros atributos da circunstância), as afirmações podem estar muito erradas. E quando pensamos na quantidade de decisões que tomamos todos os dias, as chances aumentam ainda mais.

Se a sua intenção é evoluir como investidor, se certifique de se atentar ao papel que os estereótipos têm sobre a sua maneira de investir. É possível que esse simples ajuste (se tornar mais focado na análise crítica) seja o suficiente para alcançar a riqueza que você tanto planeja, mas nunca sai do papel.