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Heurística da Disponibilidade

O que é a heurística da disponibilidade?

A heurística da disponibilidade é um processo cerebral, em que a mente humana define a probabilidade de um evento acontecer a partir da facilidade com que se lembra de um evento similar ter acontecido no passado.

É um mecanismo desenvolvido desde os tempos primitivos, em que o homem vivia em meio à natureza selvagem e precisar possibilidades não era uma ciência exata.

Nos tempos modernos, inclusive, a heurística da disponibilidade surge também diante de questões de difícil precisão imediata.

Por exemplo, se um amigo te pergunta “quão segura é a sua cidade?”, qual é a sua resposta? Sem consultar o Google ou qualquer pesquisa, usamos a memória para definir o nosso grau de segurança (a probabilidade de sermos assaltados, agredidos, assassinados…).

Nesses casos, precisamos confiar na capacidade de julgamento do nosso cérebro para interpretar a mundo ao nosso redor e encontrar respostas.

Afirmamos coisas como “é uma cidade pouco/muito segura” baseados na lembrança de um amigo furtado ou da violência exposta na TV. Nada de dados ou números.

Mas temos uma novidade para você: o seu cérebro não é tão confiável assim!

Isso porque, em diversos momentos, a “precisão imprecisa” da heurística da disponibilidade resulta em um viés (uma distorção da realidade). Ou seja, acabamos por julgar o mundo a partir de uma ideia mental parcial ou totalmente equivocada.


O que é uma heurística?

Antes de desbravarmos mais detalhes acerca da heurística da disponibilidade, é importante entender a sua origem.

São chamados de heurísticas os fenômenos mentais que se utilizam de atalhos de raciocínio para tornar a tomada de decisões mais fácil.

Se você já ouviu o conto a respeito de Arquimedes e o seu grito de “eureka!”, deve notar alguma semelhança no som das duas palavras.

Isso porque ambas derivam do grego heuriskein, que significa descobrir.

Aliás, provavelmente é “eureka!” que seu cérebro grita todas as vezes em que, após juntar uma série de informações armazenadas aí dentro, encontra uma resposta convincente para perguntas como:

  • Com o que será que essa mulher sentada ao meu lado no metrô trabalha?
  • Será que é muito difícil ser aprovado no vestibular da USP?
  • Como será que é a casa daquela minha vizinha que eu detesto?

Veja bem, são perguntas sobre as quais não temos todos os dados do problema, no momento em que são feitas. Nunca visitamos a vizinha ou conversamos com a mulher do metrô.

O que fazemos, então, é usar aspectos como estereótipos, afinidade e relatos para construir uma resposta.

Todos as formas de heurística possuem essa característica, mas a aplicam de diferentes modos. Heurística do afeto, da representatividade, da ancoragem… São todos fenômenos observados e formulados através das teorias da dupla de psicólogos Amos Tversky e Daniel Kahneman.

E, é claro, há ainda a nossa querida heurística da disponibilidade.

Pronto para conhecê-la melhor?

Como a heurística da disponibilidade funciona?

A premissa da heurística da disponibilidade é muito simples: quanto mais rapidamente você é capaz de se lembrar de um exemplo para um acontecimento, mais frequente ou provável ele é.

Parece uma lógica correta, não é mesmo?

Afinal, se eu pego engarrafamentos todos os dias, a probabilidade de ficar preso no trânsito amanhã, de novo, é grande. Logo, eu devo me preparar para o trajeto e não me atrasar.

De fato, a heurística da disponibilidade não é de todo mal. Ela existe para nos ajudar a sobreviver no mundo em que vivemos no momento.

Voltando lá na selva (a origem de tudo), imagine se tivéssemos que decidir entre correr ou lutar contra um animal… Não podíamos sacar uma planilha com o índice de mortes em confrontos desse tipo ou estudar as melhores formas de ataque já empregadas.

As decisões tinham que ser tomadas rapidamente.

Lembramos, então, de quantos semelhantes perdemos recentemente estraçalhados por leões e outras feras.

Decidimos que a vantagem desses animais ainda é maior e a probabilidade de morrermos, alta (mesmo sem prova matemática), então fugimos.

Afinal, “quem se importa se aquele bicho não ia mesmo me matar? O importante é que eu decidi correr antes de descobrir”. E seguimos usando a mesma lógica hoje em dia.

“Quem se importa se pode ser que, justo hoje, não tenha trânsito algum na cidade? Pelo menos saí com antecedência para não ser pego de surpreso.” Você já pensou algo desse tipo?

Repetimos: a heurística da disponibilidade é muito útil em nosso dia a dia. Muitas vezes, o atalho mental resulta em uma visão correta da situação.

O problema maior surge, no entanto, quando somos dominados por ela e nos tornamos incapazes de buscar por outros dados, referências e maiores informações para construirmos a “verdade”. Confiamos na falha memória, tão subjetiva e facilmente influenciada por emoções (como podemos perceber na heurística do afeto, por exemplo).

No mercado financeiro, isso é especialmente terrível e vamos te contar o porquê.

Como a heurística da disponibilidade afeta o mundo financeiro?

Você já refletiu sobre o efeito manada que o comportamento de alguns ativos produz?

É o seguinte: as ações de uma determinada companhia começam a se valorizar, por exemplo, e de repente todos as mídias de investimentos estão falando sobre elas.

Existe um otimismo enorme no ar e muitos investidores se jogam de cabeça.

Mas quantos deles realmente fizeram um estudo aprofundado da oportunidade? Usaram todas as ferramentas de planejamento e previsão à sua disposição?

Pior: quantos compraram ações pensando que, se elas subiram tanto ultimamente, devem continuar crescendo daqui para frente?

Bom, parte da culpa por isso é da heurística da disponibilidade. No momento de avaliar se um investimento é ou não vantajoso, muitos aplicadores trazem na memória esse julgamento atrelado a um ativo.

A memória do sucesso, para alguns, é suficiente para fazê-los investir ou não. Quanto mais recente for a “onda de crescimento”, mais facilmente os fracassos passados que geravam resistência em relação a uma companhia, por exemplo, são enterrados na lembrança e desconsideradas no raciocínio.

E esse é apenas um exemplo da atuação da heurística da disponibilidade no mercado financeiro.

O que conclui-se, portanto, é que o maior problema não é a sua existência, mas sim o ato de ignorá-la e (ainda assim) segui-la cegamente. Para enriquecer estrategicamente não tem outro jeito: é preciso abrir o olho (e o cabeção também!).

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