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Economista ortodoxo

O que é um economista ortodoxo?

O economista ortodoxo é aquele que segue a escola neoclássica.  Ela surgiu com o fim do Keynesianismo, que entrou em declínio com a “estagflação” da década de 70.

Como o próprio nome diz, ela é um retorno à teoria clássica da economia, onde os agentes tomam suas decisões de forma racional, maximizando o seu resultado econômico, enquanto suas próprias interações geram o equilíbrio.


Como pensa o economista ortodoxo?

Sua linha de pensamento segue uma “cartilha” recomendada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de boas práticas em economia, chamada de “Consenso de Washington”.  Ela se baseia em:

  1. Controle de gastos do governo;
  2. Estabilidade de preços via metas de inflação;
  3. Câmbio flutuante.

Qual a principal dificuldade dos economistas ortodoxos?

A Constituição de 1988, inspirada no modelo de bem-estar social, incorporou novas responsabilidades ao Estado, sem que houvesse novas fontes de receita.

Desde então, nenhum governo obteve êxito em reduzir suas despesas como proporção do Produto Interno Bruto (PIB).  As evidências são apontadas em um levantamento do FMI, de 2015.

No que diz respeito aos gastos do governo, eles representam:

  • 43,30% do PIB no Brasil;
  • 39,22% do PIB na média dos países desenvolvidos;
  • 31,54% do PIB de outros países emergentes;
  • 20,20% do PIB dos países mais pobres.

Para uma carga tributária de:

  • 32,70% do PIB no Brasil;
  • 36,61% do PIB na média dos países desenvolvidos;
  • 27,60% do PIB de outros países emergentes;
  • 16,40% do PIB dos países mais pobres.

Um outro estudo, feito pela Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, aponta o mesmo quadro.  Entre 1991 e 2015, 65% do aumento das despesas do governo foi em programas de transferência de renda, sem nenhuma contrapartida pelo lado das receitas.

Por que os economistas ortodoxos são impopulares no Brasil?

Desconsiderando algumas características bastante peculiares do orçamento federal, quando a arrecadação de impostos não cobre as despesas, o governo emite títulos públicos (dívida).  Não havendo um limite para o aumento de gastos, as despesas só crescem.

Para não perder o controle da inflação, o Banco Central (BC) usa uma taxa de juros altíssima.  Isso tem sido praxe desde 1994.

Entretanto, cedo ou tarde, os governos são obrigados a impor um maior rigor fiscal.  Quando os economistas ortodoxos são chamados para ajustar o orçamento, as pessoas com menor renda os associam aos “banqueiros que estão defendendo os seus interesses”.

Isso se deve ao fato das pessoas comuns não entenderem o impacto das contas públicas no nível da taxa de juros.  Quando se propõe algum programa de cortes, logo vem a ideia de que se está “tirando dos pobres para dar aos ricos”.

Por que governos populistas têm escolhido economistas ortodoxos?

Essa tendência pode ser observada em vários países, apesar das condutas polêmicas de seus governantes.

Na Rússia, Vladimir Putin reuniu uma equipe altamente qualificada para controlar o orçamento e pilotar o BC.  A inflação deixou de ser uma ameaça, as taxas de juros já foram maiores e a moeda local, o rublo, é a que mais se valorizou em 2019.

Isso contrasta com um outro país que optou por um líder igualmente polêmico.  Na Turquia, o presidente do país demitiu o presidente do BC por discordar do nível da taxa de juros. A sua moeda, a lira turca, se desvalorizou após o episódio, levando o país à crise.

A mesma analogia pode ser feita com o Brasil, que escolheu um ministro da Economia ortodoxo e o México, cuja moeda tem oscilado com as indicações pouco comuns do seu presidente para formar o seu gabinete.

Mais importante do que quem está na cadeira do presidente é a mentalidade da equipe que ele forma.  Se forem essencialmente de economistas ortodoxos, não há porque temer.

 

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