Última modificação em 14 de outubro de 2020

O que é carry-over?

Carry-over é um conceito em Inglês que, em tradução livre para o Português, pode significar transferência ou excesso, por exemplo. Na economia, é um termo utilizado para representar uma herança estatística.

A herança estatística é um conceito importante em termos financeiros que consiste em apresentar uma situação em que uma base de dados reflete na sua continuidade. Ou seja, há um efeito entre o passado e como ele afeta o presente.

Esse é um cenário extremamente comum ao pensarmos em indicadores econômicos, como a avaliação de resultados do PIB  (Produto Interno Bruto), crescimento da indústria ou aumento do desemprego, por exemplo.

É, portanto, muito importante avaliar a influência de um carry-over ao avaliar qualquer tipo de resultado numérico, como vamos entender na sequência.

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Como funciona o carry-over?

O carry-over, como vimos, representa uma herança estatística para um conjunto de dados — sejam eles econômicos ou não. O principal problema é que, por vezes, uma análise pode ser enganada justamente pela herança estatística.

Na prática, o que acontece é que, como os indicadores costumam ser apresentando comparando ano com ano anterior ou mês com mês anterior, o carry-over é fortemente presente em qualquer tipo de análise nesse sentido.

Vamos conferir alguns exemplos para que esse conceito fique mais fácil de entender na prática.

Exemplo #1

Suponha, primeiramente, que o Brasil passou por uma forte crise financeira, como ocorreu entre 2015 e 2016. Sendo assim, os resultados do comércio e do varejo despencaram, apresentando uma forte queda no PIB.

No ano seguinte, existe uma herança estatística em relação a esse cenário. Ou seja, ele não se encerra com o final do ano, sendo carregado para o exercício posterior. Cria-se, em resumo, uma "base baixa" de vendas. Consequentemente, é mais fácil apresentar um crescimento das vendas assim do que em momentos positivos, em que temos uma "base alta" de vendas.

O que isso significa na prática? Que mesmo em crescimento, o volume de vendas do comércio e do varejo precisa ser monitorado em relação à média de anos anteriores para reduzir o efeito do carry-over.

Caso contrário, aumenta o risco de ter uma conclusão positiva quando, na prática, o que ocorre é apenas uma herança estatística que torna o cenário mais "fácil" para o crescimento.

Exemplo #2

O contrário também pode ocorrer. Isto é, um bom crescimento dos indicadores em um ano que leva essa herança estatística para o ano seguinte. Aqui, seria o contrário: mesmo um crescimento baixo poderia ser positivo na medida em que a base de comparação já é elevada.

Novamente, é necessário um cuidado especial em relação à herança estatística (carry-over) para não tomar algum tipo de conclusão precipitada. É preciso ponderar o ambiente econômico para entender até que ponto o resultado é bom ou ruim.

Carry-over em outros setores

Não é apenas em indicadores da economia brasileira que o carry-over aparece e deve ser monitorado. A herança estatística também pode influenciar outros setores e ambientes, com alguns exemplos destacados a seguir.

Vendas

No caso das vendas, temos um cenário parecido com o que sinalizamos no exemplo anterior. Um ano muito positivo da economia pode aumentar demais o faturamento, tornando mais desafiador para o resultado do ano seguinte.

Os resultados de vendas, portanto, devem levar também em consideração a herança estatística. Essa é a melhor maneira de monitorar a evolução de um negócio.

Orçamento

O orçamento das companhias e seus respectivos projetos também apresentam carry-over. Se há um gasto extraordinário, por exemplo, isso pode comprometer o caixa da empresa na competência atual.

Naturalmente que essa herança estatística vai afetar o orçamento e a capacidade de investimento da organização para o ano seguinte — algo que precisa ser monitorado de perto pelos seus gestores.

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