Previdência

Reforma da Previdência: se você não ainda não se deparou com essa expressão, onde você tem estado nos últimos anos? Um dos assuntos mais discutidos da política e da economia em 2019, a questão central é simples. Sem uma reforma na Previdência Social, ela poderia quebrar nos próximos anos.

Enquanto muitas pessoas imaginam se vão conseguir se aposentar algum dia pelas novas regras, outras começam a pensar em alternativas de renda vitalícia para complementar (e, talvez, substituir) o benefício oferecido pelo Estado nos seus anos de velhice. É aí que entra a previdência privada, ou previdência complementar.

A renda vitalícia na previdência privada ainda é uma oportunidade pouco explorada pelos brasileiros. Dados da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) referentes ao 3° trimestre de 2019 indicavam que apenas 13,3 milhões de pessoas tinham aderido a um plano.

Para que você possa decidir se a renda vitalícia na previdência privada vale a pena ou não, o primeiro passo é entender o que isso significa para a sua vida financeira – atual e futura.

Como funciona a Previdência Privada

A previdência privada é, basicamente, um plano de aposentadoria alternativo, independente do Estado. É um produto financeiro oferecido por bancos e corretoras, de maneira semelhante aos seguros.

Ela garante uma renda complementar ao benefício do INSS; porém, não se engane pelo termo "complementar". Se você fizer um bom planejamento, sua previdência privada pode render bem mais do que a social.

A previdência privada funciona como um investimento. O dinheiro que você paga todos os meses é usado pelo banco ou corretora responsável para comprar ativos, como ações e títulos de dívida. O rendimento desses ativos compõe um valor acumulado, com o qual será pago o seu benefício.

Uma preocupação comum é se o banco pode perder tudo que você já acumulou, fazendo uma aposta no ativo errado. Bom, pode ficar tranquilo.

É verdade que tudo no mercado financeiro tem um risco. No entanto, a carteira de investimentos montada para os planos de previdência costuma ter uma composição com boa proporção de ativos de baixo risco. Isso é um reflexo do perfil das pessoas que contratam os planos, pois priorizam segurança acima de retorno.

Por outro lado, não se esqueça de que esses planos são um projeto de longo prazo. Portanto, de maneira geral, não é uma boa ideia tentar recuperar antecipadamente o dinheiro já aplicado, ou você pode sair no prejuízo.

Como ter Renda Vitalícia na Previdência Privada

Uma das razões pelas quais muitos brasileiros ainda têm um certo receio de contratar a previdência privada é que existem muitas opções; tantas que chega a ser confuso entender as diferenças entre elas e decidir qual é a mais adequada.

Você provavelmente já ouviu os termos PGBL e VGBL, que sempre aparecem na hora de declarar o imposto de renda, com especialistas discutindo qual dos dois é mais interessante do ponto de vista tributário.

Outro ponto em que existem várias opções é a forma de recebimento do benefício previdenciário. Para simplificar um pouco, vamos entender as três principais alternativas: renda vitalícia, renda temporária ou resgate.

Não existe segredo para ter uma renda vitalícia na previdência privada. Você só precisa indicar a sua preferência no momento da contratação do plano.

Porém, antes disso, vale a pena pesquisar como você pode garantir que a sua previdência vai pagar um valor suficiente para atender suas necessidades e manter seu padrão de vida na "terceira idade".

Parece confuso? Vamos dar um passo atrás.

Quando você contrata um plano de previdência privada, provavelmente tem uma expectativa em relação ao valor do benefício mensal que vai receber no futuro. Dois fatores principais determinam o valor que você realmente receberá: o investimento mensal e o período de contribuição.

Vamos usar uma simulação para que essa dinâmica fique mais clara. Essa simulação foi feita usando a ferramenta do Banco Santander. Vários bancos oferecem ferramentas similares, que você pode acessar pela internet.

Imagine que uma pessoa do sexo feminino de 25 anos pretende se aposentar aos 65 anos; portanto, vai contribuir por 40 anos. Ela vai investir R$ 400,00 por mês, com uma rentabilidade média de 5% a.a.

Nesse cenário, a projeção de valor acumulado é de R$ 593.009,84, assegurando uma renda vitalícia de R$ 1.980,56 ao mês.

Agora, essa mesma pessoa vai se aposentar somente aos 70 anos; portanto, contribuindo durante 45 anos. De resto, o investimento mensal e a rentabilidade média permanecem iguais: R$ 400,00 por mês e 5% a.a.

Com o aumento de cinco anos no período de contribuição, a projeção de valor acumulado passa a ser de R$ 783.973,02, assegurando uma renda vitalícia de R$ 3.157,77 ao mês.

Por fim, imagine que a mesma pessoa vai se aposentar aos 65 anos, contribuindo durante 40 anos. No entanto, dessa vez, seu investimento mensal será de R$ 500,00 por mês, com a mesma rentabilidade média de 5% a.a.

Com o incremento de R$ 100,00 no investimento mensal, a projeção de valor acumulado passa a ser de R$ 741.262,30, assegurando uma renda vitalícia de R$ 2.475,70 ao mês.

Esses exemplos demonstram que, para ter mais segurança de receber uma renda vitalícia de valor adequado no futuro, você precisa analisar com cuidado a sua situação: quanto tempo você pode esperar para começar a receber o benefício e quanto dinheiro você pode destinar para esse investimento atualmente.

Outra coisa que você pode observar é que o melhor cenário é o segundo. Ou seja, do ponto de vista financeiro, a melhor estratégia é investir durante um período mais longo, ainda que fazendo aportes mensais menores.

Justamente por isso, uma recomendação que todo especialista faz é começar o mais cedo possível. Mesmo jovens que acabaram de completar 18 anos já podem pensar no futuro e contratar um plano de previdência!

Como o banco calcula a renda vitalícia

Uma dúvida comum entre as pessoas que se interessam pela renda vitalícia é como o banco calcula essa renda. Ele leva em consideração vários fatores e, entre eles, a expectativa de vida do indivíduo.

Essa estimativa é feita a partir da tábua atuarial, também chamada de tábua de vida, ou tábua de mortalidade. Trata-se de uma tabela que combina dados censitários sobre a expectativa de vida da população com fatores relevantes do perfil do indivíduo, como sexo, idade e profissão. O cruzamento dessas informações permite fazer uma estimativa de quantos anos a pessoa irá viver e por quantos anos ela vai receber a renda vitalícia.

Assim, o banco tem tudo que ele precisa: o valor e o tempo de contribuição, o rendimento que o plano de previdência oferece e a duração do benefício. Com esses dados, o banco determina quanto o beneficiário vai receber por mês.

Quando a renda vitalícia na previdência privada vale a pena

Chegamos aqui ao ponto principal do artigo, nossa pergunta do título. E então, a renda vitalícia na previdência privada vale a pena? Como na maioria dos casos, a resposta não é tão simples. 

Por um lado, a renda vitalícia certamente traz mais segurança para a pessoa. Ela tem a garantia de que vai receber um certo valor de benefício até o fim da vida. Isso significa que, mesmo quando chegar aos dias mais avançados da velhice, naquele ponto em que não vai ser possível trabalhar, sempre haverá uma fonte de renda para cobrir seus gastos.

Por outro lado, o banco entende que é mais arriscado oferecer uma renda vitalícia. Afinal, mesmo com a tábua atuarial, ele não tem como prever com certeza até qual idade a pessoa irá viver, nem o quanto ele vai gastar com o pagamento desse benefício. A fim de compensar esse risco, o banco toma para si uma parte maior dos rendimentos na modalidade de renda vitalícia do que na modalidade resgate (aquela em que você simplesmente retira a renda toda de uma única vez).

Além disso, quando o investidor opta por transformar a sua previdência em renda, ele deve estar consciente de que está cedendo seu patrimônio acumulado para o banco. Ou seja, caso ele precise ou decida resgatar o montante total que aplicou durante a vida, não terá mais essa opção.

Outro problema é que caso o investidor venha a falecer antes do esperado, os herdeiros não receberão o patrimônio acumulado na previdência (com exceção de alguns tipos de renda que também passam para os herdeiros e, obviamente, custam ainda mais caro).

É por isso que a modalidade de transformar a previdência em renda tem caído cada vez mais em desuso, seja pelo elevado custo financeiro, seja pelas desvantagens que esse modelo trás consigo.

Então, podemos dizer que, para quem prioriza muito a segurança e tranquilidade, a renda vitalícia na previdência privada pode valer a pena, desde que o investidor esteja plenamente consciente dos custos (financeiros e não financeiros) incorridos nessa alternativa. No entanto, mesmo nesse caso, talvez seja mais interessante reservar apenas uma parte dos acúmulos de previdência ao longo da vida com esse fim.

Já para quem quer obter a maior renda possível com esse investimento, a modalidade resgate é a mais indicada. Lembrando que nesse caso a disciplina de resgatar apenas o necessário no futuro é extremamente importante.

Conclusão

Agora, você já entende como funciona a contratação de um plano de previdência privada, para obter renda vitalícia no futuro. Não se esqueça de que existem outras alternativas: o resgate e a renda temporária. Procure se informar bem sobre todas elas, antes de tomar uma decisão.

Gostou desse artigos? Então, acompanhe outros conteúdos exclusivos do blog da Mais Retorno e aprenda mais sobre previdência!

Descomplicando a Bolsa de Valores

Mestre em Ciências Contábeis e profissional do mercado financeiro há mais de 20 anos se especializando em investimentos. Tem como sonho levar de forma simples e dinâmica a informação sobre o mercado financeiro para todos os brasileiros. Autor do livro "Indicadores no mercado financeiro", apresentador do RetornoCast, metido a youtuber e sócio da Mais Retorno.


Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Previdência
Infográficos
Previdência
Previdência
Veja mais