Fundos de Investimentos

Se você gosta de investir em fundos de investimentos, muito provavelmente já sabe que existe uma grande variação nos seus formatos. Há, afinal, opções para renda fixa, para ações, multimercados e até fundos internacionais.

Até aqui, portanto, talvez não seja exatamente uma novidade. Mas e em relação às estratégias? Você sabia que fundos de uma mesma categoria podem trabalhar seus investimentos de diferentes maneiras?

Isso significa que, se você é conservador, não basta escolher um fundo de renda fixa. Da mesma forma, caso seja mais agressivo, também não se deve selecionar aleatoriamente um fundo de ações. É fundamental, até mesmo pensando nas suas expectativas com o investimento, entender como os fundos trabalham com o capital dos seus cotistas.

Não se preocupe se tudo isso é uma grande novidade. Neste artigo, nós vamos comentar as principais estratégias dos fundos de investimentos. Assim, conhecendo-as, ficará mais fácil você criar um filtro para aqueles que devem ter espaço na sua carteira.

Como funcionam os fundos de investimentos e quais as principais estratégias utilizadas?

Para falar sobre estratégias dos fundos de investimentos, nós precisamos separá-las por categorias. Não faz sentido, afinal, comparar o trabalho de um fundo de ações com um fundo de renda fixa, para usar o mesmo exemplo que mencionamos na introdução deste conteúdo.

Portanto, a seguir, vamos elencar os principais tipos de fundos de investimentos e, na sequência, comentar as formas mais comuns que esses fundos costumam trabalhar com o capital dos seus cotistas.

É bacana que você entenda essas estratégias antes de realizar qualquer investimento. Ninguém fica confortável aplicando dinheiro sem saber o que será feito com ele, não é mesmo? É exatamente esse o intuito do artigo: mostrar como escolher um fundo alinhado com os seus objetivos. Vamos lá!

Fundos de investimentos de renda fixa

Os fundos de renda fixa são, em tese, investimentos mais conservadores. Eles acompanham algum indexador e oferecem uma maior previsibilidade dos seus rendimentos. Ainda assim, ao contrário do que se imagina, não são fundos sem risco.

Aliás, elimine esse pensamento da sua cabeça. Existem ativos com baixíssimo risco, mas eles não são isentos deles. Um investimento atrelado à Taxa Selic (a nossa taxa básica de juros), por exemplo, tem como risco a exposição à queda dos juros, oferecendo piores rentabilidades como consequência direta.

Além disso, mesmo na renda fixa, existem ativos com alto risco. É o caso das debêntures (títulos emitidos por empresas privadas) onde há maior risco de crédito. Outro exemplo é o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários). Por outro lado, eles pagam mais do que aqueles títulos mais conservadores.

Quando pensando em fundos de renda fixa, há obrigatoriedade de que 95% do patrimônio líquido seja alocado em ativos da mesma categoria, isto é, de renda fixa.

Basicamente, são três estratégias principais nos fundos de investimentos de renda fixa: crédito privado, juros e inflação. Vamos entender um pouco mais sobre cada um deles.

Crédito Privado

Em uma estratégia de crédito privado, o fundo utilizará ao menos 50% do seu patrimônio em títulos privados. E quais seriam esses ativos? Podemos mencionar as emissões bancárias (no caso de instituições financeiras) e as debêntures (emitidas por empresas não financeiras).

Na prática, o funcionamento dos títulos é similar: o financiamento das atividades de cada negócio. O risco do investimento é diretamente proporcional ao perfil de crédito da empresa. Quanto mais incerto o pagamento do compromisso (ou seja, a chance de calote), maiores os juros que precisam ser oferecidos para a operação.

Neste sentido, vale reforçar que, ainda que sejam ativos de renda fixa, os fundos cuja estratégia está no crédito privado podem oferecer altos riscos aos seus cotistas. É, portanto, essencial entender quais as empresas que estão sendo financiadas na carteira da gestão.

Juros

Já no caso de um fundo de renda fixa com estratégia de juros, o objetivo passa a ser apenas acompanhar o comportamento da taxa básica de juros do Brasil, a Taxa Selic. O uso mais comum nesse sentido são as LFTs, um investimento em títulos públicos atrelados justamente à Taxa Selic.

Neste sentido, o principal problema é a exposição à taxa básica de juros do país. Em momentos de queda, como vivemos ao longo de 2019, os títulos dessa estratégia performam cada vez menos do que em momentos de alta da Selic. Portanto, é preciso ter isso e mente para não se frustrar com o investimento.

Por outro lado, por investir basicamente em títulos pós-fixados que não sofrem com oscilações no mercado secundário, esses fundos costumam ser os mais seguros e indicados inclusive como alternativa para a construção de uma reserva de emergência.

Inflação

Por fim, temos ainda a estratégia de inflação para os fundos de investimentos de renda fixa. Se a estratégia de juros busca acompanhar a Selic, uma estratégia de inflação busca acompanhar a variação de preços do país. É o caso justamente das NTN-Bs, títulos públicos que são indexados em parte ao IPCA (índice oficial de inflação no Brasil).

Essa é uma boa forma de investir pensando na proteção do poder de compra, evitando assim títulos cujos rendimentos que fiquem abaixo da inflação.

No entanto, esse tipo de investimento tem elevados riscos por conta da sua brusca oscilação no mercado secundário (também conhecido como risco de mercado). Por isso, não é um investimento recomendado para qualquer investidor, especialmente se não entender perfeitamente o seu funcionamento.

Para entender melhor os fundos de inflação, vale a pena ler nosso texto completo abordando esse assunto clicando aqui.

Fundos de investimentos multimercados

A principal característica dos fundos de investimentos multimercados (FIM) é a liberdade que possuem para trabalhar as alocações de capital dos cotistas. Não há, portanto, nenhuma obrigatoriedade de classe de ativo em carteira.

Isso não significa que não existam estratégias específicas dentro da categoria. Pelo contrário: é ainda mais importante que você, enquanto investidor, entenda a forma pela qual a gestão vai investir o seu dinheiro.

Em outras categorias, mesmo com a variação estratégica, você sabe os ativos que farão a composição majoritária da carteira. Nos fundos multimercados, não há como saber sem uma pesquisa prévia sobre a estratégia.

Macro

Os fundos multimercados com estratégia macro investem em diferentes classes de ativos, mas sempre levando em consideração o cenário macroeconômico. Isto é, questões como inflação, desemprego, política, PIB e taxa de juros, por exemplo.

Dependendo do cenário encontrado, o fundo traça suas decisões de investimentos para os três horizontes temporais (curto, médio ou longo prazo). Lembrando que os ativos podem ser de qualquer categoria: de renda fixa a renda variável, passando por moedas e investimentos internacionais.

Long & Short

Os fundos multimercados com estratégia Long & Short operam basicamente com ações, comprando (Long) ou vendendo (Short) ativos. O foco está em lucrar com a arbitragem na variação dos preços entre essas operações de compra e venda.

O interessante desse tipo de fundo, é que por não operar apenas em uma direção (podendo apostar na alta e na queda do mercado), ele acaba sendo descorrelacionado com o restante dos índices, tanto de renda fixa como de renda variável. Desta forma, esse tipo de fundo chama a atenção por ser uma alternativa de diversificação de carteira bastante interessante.

Se quiser se aprofundar mais no funcionamento dessa estratégia, pode ler mais sobre ela aqui.

Percebe a importância de conhecer as técnicas de cada fundo? Se você busca um fundo da categoria multimercado para fugir da volatilidade das ações, mas compra cotas de um fundo Long & Short, acaba não atingindo seu objetivo.

Trading

Ainda pensando nas ações, um fundo multimercado pode ter a estratégia de trading, buscando ganhos rápidos em operações de curto ou curtíssimo prazo.

Atualmente, muitos fundos desse tipo costumam utilizar de algoritmos avançados (popularmente conhecidos como robôs) para fazer operações de forma mais rápida e certeira que seres humanos, sendo esses o seu principal diferencial.

Esse é outro exemplo pelo qual é essencial entender a estratégia de um fundo de investimentos multimercados. Nem sempre eles oferecem baixo risco, como se pode imaginar em um primeiro momento.

Juros e moedas

Se você quiser investir em um fundo que não trate nem de ações, nem de renda fixa, a estratégia juros & moedas pode ser ideal. Neste tipo de fundo, o foco dos investimentos está em ativos atrelados às taxas de juros (como contratos de DI) ou ao câmbio (Dólar, Euro, Libra Esterlina, etc.).

Livre

Na estratégia livre, um fundo multimercado não tem qualquer tipo de regra específica sobre a alocação de capital dos seus cotistas. É, ainda mais do que os outros modelos estratégicos da categoria, essencial que você entenda o que está descrito no regulamento do fundo antes de investir.

Essa liberdade conferida à gestão vale tanto para a estratégia a ser utilizada (Macro, Long & Short, Juros & Moedas, entre outras que apresentamos neste tópico), como também para os ativos que serão utilizados (renda fixa, ações, câmbio, etc.). Portanto, apenas pela estratégia livre, é muito difícil mensurar o nível de risco do fundo.

Exterior

Por fim, há ainda a estratégia de investimentos no exterior. Aqui, é obrigatório que ao menos 67% do patrimônio seja alocado em ativos do exterior como participações em fundos internacionais, por exemplo.

Fundos de investimentos de ações

Se os fundos de renda fixa costumam atrair investidores mais conservadores, os fundos de investimentos em ações (FIA) são uma excelente alternativa para aquelas pessoas mais agressivas no Mercado Financeiro. Aqui, 67% da carteira deve estar relacionada ao Mercado de Ações.

Em função disso, como você já deve imaginar, o risco é consideravelmente maior. Ao mesmo tempo, é uma boa oportunidade para quem deseja se expor ao Mercado de Ações, mas ainda tem receio de fazê-lo por conta própria.

A divisão de estratégias para investimentos em ações é um pouco mais complexa do que vimos na renda fixa. Ainda assim, nada que você não possa entender com um pouco mais de calma. Vamos às explicações, começando pela estratégia Long Only.

Long Only

Os fundos de ações com estratégias Long Only só podem atuar comprados. Isto significa que os gestores precisam comprar os ativos, podendo depois vendê-los — o processo inverso (vendendo a descoberto) não é permitido.

Por essa razão, normalmente os investimentos são empresas com potencial de crescimento na medida em que vão oferecer retornos com o aumento do preço da ação. Isso inclui também as famosas Small Caps, pequenas empresas com grande potencial, mas alto risco.

Os fundos baseados em estratégias Long Only também podem explorar empresas que sejam boas pagadoras de dividendos. No Brasil, esse é um cenário comum para os grandes bancos, por exemplo. A ideia é garantir ganho de capital por meio dos proventos pagos pelas companhias.

O problema de uma estratégia Long Only surge nos momentos de crise do Mercado Financeiro. Como só podem atuar comprando ativos, os fundos de ações ficam restritos para se protegerem de um desempenho negativo da Bolsa de Valores.

Long Biased

Por outro lado, existem fundos de ações que podem tanto operar a compra de ações, como também posições vendidas. A grande vantagem é, claro, poder explorar tanto momentos de alta, como momentos de queda da Bolsa de Valores.

Essa maior liberdade aos gestores do fundo, também deve ser olhada com cautela por parte do investidor. A gestão ativa é benéfica caso a gestora tenha um bom histórico de desempenho e um time experiente. Por isso, sempre avalie o desempenho ao longo do tempo, inclusive em momentos ruins da economia.

Indexados

As estratégias Long Only e Long Biased trazem uma grande importância da gestão na medida em que os gestores fazem a composição da carteira de ações. Se você não gosta desse cenário, uma alternativa para entrar no mercado de ações são os fundos da categoria com estratégia indexada.

Neste caso, o objetivo é semelhante ao que vimos para juros e inflação nos fundos de renda fixa: replicar um indexador. É claro que, no caso de um fundo de ações, esse indexador precisa ser condizente com o mercado de atuação. Desta forma, o mais comum é que seja o Ibovespa, mas esse não é o único índice da categoria.

Para esse objetivo, a gestão do fundo irá compor sua carteira de maneira muito próxima às carteiras fictícias dos índices. Você encontrará, portanto, uma gestão mais passiva. Naturalmente que pode ser confortável em momentos de alta da Bolsa de Valores, mas lembre-se de que os índices do mercado acionário também podem ter comportamento negativo.

Em todo caso, como esse tipo de fundo tem uma gestão consideravelmente mais simples que os de gestão ativa, é muito importante o investidor estar atento em relação aos custos. Alternativas como ETFs possuem taxas de administração irrisórias, com a mesma liquidez de ações (pois são negociadas na bolsa).

Por isso, os custos dos fundos indexados precisam ser, no mínimo, compatíveis com os custos das ETFs.

Exterior

Por fim, ainda há a estratégia de investir no exterior para os fundos de investimentos de ações. Aqui, assim como vimos no caso dos fundos multimercados, a obrigatoriedade é que 67% do patrimônio líquido seja investido no exterior, sendo uma boa forma para quem busca exposição internacional.

Fundos de investimentos imobiliários

Um formato de investimento que vem crescendo bastante no Brasil são os fundos de investimentos imobiliários (FII). Nessa categoria de fundo, você pode investir em imóveis com uma quantia consideravelmente menor do que precisaria para comprar uma casa ou apartamento.

Além disso, os FIIs permitem o ganho de uma renda mensal recorrente na medida em que oferecem a distribuição de 95% do seu lucro em forma de rendimentos. Ainda assim, as estratégias podem variar e você deve conhecê-las antes de investir.

Geração de renda

Os fundos imobiliários são, em sua maioria, proprietários de imóveis. Assim, eles permitem a exploração de aluguéis para os seus cotistas, distribuindo 95% do lucro obtido mensalmente.

Existem diferentes formatos de fundos imobiliários como shopping center, lajes corporativas, galpões logísticos, hospitais e educacionais, por exemplo. Cada setor apresenta diferentes estruturas e níveis de risco.

Títulos e valores mobiliários

Apesar da forte presença em imóveis físicos, essa não é a única estratégia que você encontrará nos fundos imobiliários. Há também como investir em papéis do setor imobiliário, como CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) ou LCI (Letras de Crédito Imobiliário).

Os fundos de papéis, como são chamados os FIIs dessa estratégia, usam de ativos de renda fixa. No entanto, isso não necessariamente significa que sejam mais seguros: tudo dependerá dos emissores dos papéis.

Desenvolvimento

Por fim, há ainda um terceiro grupo de fundos imobiliários que trabalha com a estratégia de desenvolvimento de imóveis. Ou seja, eles investem na construção dos ativos para posterior exploração.

Após a realização do processo de construção, os imóveis podem ser usados tanto para gerar receita de aluguel (estratégia de desenvolvimento para renda), como para a comercialização (estratégia de desenvolvimento para venda).

Fundos de investimentos cambiais

Por fim, ainda temos os fundos de investimentos cambiais, os quais investem ao menos 80% do seu Patrimônio Líquido em ativos com relação ao mercado de cambial, isto é, moedas estrangeiras.

O mais comum é que eles invistam em ativos com relação a duas moedas com maior liquidez no Mercado Financeiro: o Dólar e o Euro. Pela obrigatoriedade de exposição ao câmbio, não há variação estratégica nesse tipo de fundo.

Os ativos que costumam ser mais empregados nas operações de fundos de investimentos cambiais são os contratos futuros de moedas, mas também podem surgir operações com outros derivativos desde que, obviamente, tenham relação com moeda estrangeira.

Deu para entender as principais estratégias dos fundos de investimentos?

O objetivo deste artigo foi apresentar para você as principais estratégias dos fundos de investimentos. É claro que não se trata de um guia definitivo de onde você deve investir, pois a composição da sua carteira exige uma análise muito mais ampla, começando pelo seu perfil de investidor.

No entanto, é fundamental entender que não basta escolher uma categoria de fundo — como renda fixa, multimercado, ações, imobiliário ou cambial. É preciso ir além e buscar informações acerca da estratégia que será empregada com o seu capital.

Vale destacar, apenas para finalizar, que ainda existem os fundos de fundos (FOF). Eles trabalham comprando cotas de outros fundos de investimentos e, portanto, as estratégias dependem da sua composição de carteira.

Se você precisar de ajuda para entender o melhor o funcionamento dos fundos de investimentos, aproveite e faça o seu cadastro no curso completo Como Investir nos Melhores Fundos, onde tudo isso é explicado de forma mais detalhada, inclusive dicas de como selecionar os fundos de acordo com os seus objetivos.

Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


7 indicadores infalíveis para identificar os melhores fundos de investimentos
Fundos de Investimentos
IVVB11 ou SPXI11? Qual a melhor ETF de S&P500?
Fundos de Investimentos
O que são Fundos Abutres? Saiba suas vantagens e desvantagens
Fundos de Investimentos
Gestão ativa x gestão passiva: qual a melhor opção?
Fundos de Investimentos
Veja mais Ver mais