Nos últimos doze meses o índice S&P, um paralelo do Ibovespa no mercado norte-americano, subiu 13% e o Nasdaq, índice que reúne empresas de tecnologia, subiu outros 22,13% no mesmo período.

São justamente as empresas de tecnologia que se destacam no mercado americano (como não poderia deixar de ser dado que esse é o “futuro”).

A Apple, por exemplo, se tornou a empresa mais valiosa do mundo recentemente em valor de mercado, chegando a marca de US$ 1 trilhão. Isso mesmo, 1 trilhão de dólares!

É quase metade do PIB brasileiro (usando uma taxa de câmbio de 3,50).

Infelizmente, aqui no Brasil não temos muitas empresas de tecnologia para investir.

Mas fique calmo, você pode investir no exterior!

Muitas vezes podemos ter impressão que investir no exterior é algo muito restrito e inviável, mas você verá que não é bem assim.

Hoje vou desmistificar isso aqui.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre as formas de investir no exterior:

  1. BDR
  2. Fundos que investem no exterior
  3. ETF
  4. COE
  5. Outras formas

BDR

BDR

BDR é a forma mais conhecida e simples de ter acesso a empresas do exterior.

A sigla significa Brazillian Depositary Receipts, são certificados ou direitos representativos de valores mobiliários emitidos por companhias abertas com sede no exterior, negociáveis no mercado brasileiro e emitidos por instituição depositária no Brasil.

Funciona assim: a companhia emissora (ou seja, a empresa de fora do país) escolhe uma companhia depositária que irá emitir os BDR.

A companhia depositária é um banco de investimentos. Ela tem a reponsabilidade de garantir que os BDRs tenham lastros (estejam de fato vinculados) à títulos emitidos no exterior.

Desta forma, a instituição depositária mantém uma conta em um custodiante no exterior onde permanecem depositados e bloqueados os respectivos valores mobiliários utilizados como lastro dos BDRs.

Na prática, então, são títulos emitidos por empresas com sede no exterior e que podem ser negociados aqui no mercado interno através de uma empresa depositária.

Hoje existem mais de 130 BDRs no mercado brasileiro, entre as quais, a Apple (citada na introdução), Xerox, Microsoft, McDonald’s e outras.

Funciona assim, a instituição depositária adquire os títulos no exterior (que serão utilizados como lastro) e assim que têm o ativo em sua conta, está autorizada a emitir os BDRs.

Os BDRs são negociados como ações, normalmente, cotados em reais. Por exemplo, no final de julho, a farmacêutica uruguaia Biotoscana estreou na Bovespa. A companhia precificou seus papéis em R$ 26,50.

Os BDR são classificados em 3 níveis:

  • Nível 1 – são dispensados do registro da companhia emissora na CVM. Só podem ser adquiridos no Brasil por instituições financeiras ou fundos de investimento. Apenas investidores institucionais podem investir.
  • Nível II e nível III– exige certificação da companhia emissora na CVM. A diferença é que o nível III é registrado de forma aceita de distribuição pública simultânea no exterior e no Brasil. Qualquer investidor pode adquirir.

No caso do BDR nível 1, a companhia estrangeira não é registradas como companhia aberta na CVM nem listadas na BM&FBOVESPA, por isso elas não estão sujeitas às mesmas regras de divulgação de informações que as companhias brasileiras.

Já no caso dos BDRs nível 2 e 3 patrocinados, as companhias estrangeiras são registradas na BM&FBovespa, por isso adotam os mesmos procedimentos das empresas brasileiras para enviar informações e se comprometem a informar o mercado brasileiro simultaneamente à bolsa do seu país de origem.

Em resumo os níveis II e III são os mais acessíveis ao público brasileiro por terem maior vigilância dos órgãos supervisores internos.

Ok, agora você sabe o que é um BDR. Mas como investir?

Na verdade, o investimento em BDR é tão simples quanto o de uma ação normal. Os BDRs também são negociados pela BM&FBovespa (agora B3), então basta procurar um agente intermediário, ou seja, uma corretora ou instituição financeira autorizadas e regularizadas na CVM.

Cabe frisar que ao adquirir um BDR, diferentemente de adquirir uma ação aqui, você não é o sócio direto da empresa. Sua relação é indireta através da instituição depositária.

Outro ponto importante é que, apesar de terem os seus valores influenciados pelas cotações das empresas no mercado original e também pela variação do câmbio, esse ativo é negociado em reais.

Fundos que investem no exterior

Fundos que investem no exterior

Uma outra forma bem direta de ter seus recursos investidos no exterior é através de fundos de investimentos que aplicam no exterior.

Dentre as 3 principais categorias Anbima (Renda Fixa, Ações, Multimercados) todas têm subcategorias que indicam um fundo que investe no exterior.

Seja qual for a macrocategoria (renda fixa, ações ou multimercados) que têm em seu regulamento investimento no exterior, eles objetivam aplicar 40% ou mais de seus recursos em ativos fora do país.

A primeira denominação é sempre mantida, ou seja, caso seja um fundo de renda fixa, por exemplo, mesmo utilizando ativos no exterior eles terão de ser de renda fixa. O mesmo vale para ações e multimercados.

O ponto ruim dessa modalidade é que fundos que têm investimentos no exterior em seu regulamento só podem ser acessados por investidores qualificados.

ETF

ETF

Uma outra maneira mais indireta de investir em ativos do exterior é através dos chamados ETFs. A sigla para Exchange Traded Funds, como já abordamos aqui, são fundos que podem ser negociados como ativos em bolsa que buscam replicar algum indicador de referência.

A alternativa mais conhecida de ETF que investe em ativos no exterior, é o ISHARES S&P 500 FDO INV COTAS FDO INDICE (IVVB11). Este é um fundo que busca replicar o S&P 500 em reais.

Como dissemos no início, uma espécie de “Ibovespa do mercado norte-americano”.

As cotas desse ETF são negociadas na BM&FBOVESPA de forma semelhante às ações.

Ao adquirir as cotas desses fundos, o investidor passa a deter, indiretamente, as ações que compõem tal índice, semelhante ao adquirir o Ibovespa.

Dessa forma, o ETF pode proporcionar mais rapidez e eficiência no momento de diversificar seus investimentos.

COE

COE

O Certificado de Operações Estruturadas – COE é um tipo recente de investimento no Brasil. É um título emitido pelos grandes bancos que serve como uma forma de captação de recursos para eles. O banco estrutura a operação e vende ao cliente.

O COE mescla elementos de Renda Fixa e Renda Variável. Ele é estruturado com base em cenários de ganhos e perdas selecionadas de acordo com o perfil de cada investidor.

É a versão brasileira das Notas Estruturadas, muito populares na Europa e nos Estados Unidos. Representa uma alternativa de captação de recursos para os bancos.

Como é o banco que estrutura o COE, ele pode embutir o cenário externo na estruturação e, assim, utilizar ativos do exterior.

A emissão desse instrumento poderá ser feita em duas modalidades:

  1. Valor Nominal Protegido: quando há garantia do valor principal investido.
  2. Valor Nominal em Risco: quando há possibilidade de perda até o limite do capital investido.

O COE tem a vantagem de investir internacionalmente sem a necessidade de enviar recursos ao exterior. Também é fácil de acompanhar seu desempenho, já que aparece como um único ativo para o investidor.

Outras formas

Outras formas de investir no exterior

Você também pode ter diretamente uma conta lá fora em uma corretora ou banco, nos moldes de sua brasileira, e fazer suas próprias operações.

Essa, no entanto, é uma opção mais restrita devido aos altos valores para serem desembolsados.

Como os EUA são o principal destino, vamos falar deles como exemplo.

Para abrir uma conta lá é necessário no mínimo US$ 30 mil. Isso é possível para operar no mercado de renda variável e commodities como petróleo e ouro.

Para ter uma carteira de renda fixa, o normal é se ter US$ 100 mil.

Além disso, é preciso recolher o imposto de renda mensalmente dessas operações.

Como não se trata de algo comum de nosso dia a dia, a menos que você tenha larga experiência no mercado financeiro, o ideal é que essa modalidade seja feita apenas com o auxílio de especialistas.

Conclusão

Nesse ano, a bolsa brasileira vem passando por dificuldades após um ano de 2017 muito bom e a Selic caiu bastante, dificultando os investimentos em renda fixa.

Mais do que nunca acessar outras formas de aplicações se tornou necessário. Isso é, diversificar, apesar de sempre ser necessário, se tornou imperativo agora.

A poupança dos brasileiros está muito concentrada no Brasil, seja em ações, seja em renda fixa.

Assim, uma reversão de cenário afeta todos os investimentos e investir em outras praças é uma boa forma de evitar maiores sustos com uma piora conjuntural interna.

Como de costume, se ficou com qualquer dúvida, comente aqui abaixo!

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Como Investir no exterior: saiba como funciona e quais os melhores investimentos
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