Mesmo que aqui seja um blog para falarmos de investimentos, vez ou outra é preciso recorrer a algum tipo de crédito.

Por mais que a recomendação básica das finanças pessoais seja você primeiro acumular os recursos necessários antes para depois consumir, nós sabemos que na prática nem sempre isso é possível.

Na verdade, isso é parte do processo de qualquer economia. O básico do mercado financeiro é que existe um agente poupador e outro que demanda recursos, então financiamentos são comuns.

E a profundidade de crédito de uma economia diz muito sobre o desenvolvimento dela. Em economias maduras, é comum o estoque de crédito ultrapassar o volume anual do PIB, enquanto no Brasil, por exemplo, temos que o crédito é de cerca de 50% do PIB.

Agora, uma vez que você precise recorrer a algum tipo de crédito, é importante que pelo menos saiba o que está fazendo para poder tomar a melhor decisão.

Por isso, hoje vou apresentar algumas das principais modalidades de crédito do Brasil.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

Empréstimo pessoal

Empréstimo pessoal

Empréstimo pessoal é a forma clássica e mais fácil de conseguir recursos. Bancos e financeiras liberam o dinheiro para o cliente cobrando uma taxa de juros. Simples assim.

É, portanto, o inverso do que fazemos ao adquirir um título. Aqui você receberá a totalidade dos recursos e em troca pagará parcelas mensais embutidas de uma taxa de juros (que geralmente é bem salgada).

Além disso, existe um imposto sobre o valor desembolsado. O IOF geralmente é de 0,38% do valor recebido.

Essa forma de empréstimo é utilizada geralmente para cobrir despesas correntes, algum conserto de casa, alguma dívida ou imprevisto, por exemplo.

Como é um tipo de crédito que não envolve grandes garantias, costuma ser também um dos formatos mais caros de conseguir dinheiro em uma necessidade.

Por isso, em geral sinaliza um descontrole das finanças pessoais de quem toma esse tipo de empréstimo, logo, deve ser a prioridade das suas dívidas a serem pagas.

Financiamento

Financiamento

Essa modalidade é utilizada para a compra de algum bem específico, seja um carro, uma motocicleta, ou imóvel ou alguma máquina.

Como o destino desse dinheiro já é determinado ao obter os recursos, esse tipo de crédito é mais barato. Afinal, o bem que você está financiando é dado como garantia do crédito em caso de não pagamento.

Diferente do crédito pessoal, o recurso não é apenas liberado para o cliente fazer o que bem entender com ele. Aqui existe um fim especificado.

Tendo esse fim, existe também o mecanismo de alienação fiduciária, algo que ajuda também a baratear esse crédito.

A alienação fiduciária funciona como uma garantia para o banco ou financeira. Trata-se do processo que permite essas instituições a recuperarem o bem financiado em caso de inadimplência.

Por exemplo, caso uma pessoa não pague em dia as prestações do seu financiamento, o banco ou financeira pode retomar o bem financiado e o levar a leilão para reaver parte do prejuízo. Em geral, esse processo se dá após 90 dias de inadimplência.

O financiamento é uma modalidade de crédito muito mais preferível do que o simples empréstimo pessoal por conta de seu custo ser consideravelmente menor. Por isso, é muito utilizada para adquirir bens de valor mais alto.

Leasing

Leasing

Esse termo em inglês significa arredamento mercantil. É feito um contrato em que o adquirente (quem pega o crédito) pagará o arrendatário (quem oferece o dinheiro) por um período.

“Arrendatário? Implica locação, certo?” Exatamente!

Na prática o banco ou financeira está comprando o bem que você deseja e o repassando a você por algum período mediante um pagamento mensal.

Assim, o bem adquirido ainda não é de fato do adquirente. As instituições financeiras são as donas e o adquirente só fica com o bem quando o prazo contratual é cumprido.

É possível também estipular um contrato em que o bem é devolvido após o término do contrato.

Essa modalidade é bastante comum para se adquirir maquinas, pois elas depreciam com o tempo e têm de ser substituídas, assim faz sentido que sejam alugadas.

Existem 3 formas de leasing: o Financeiro, Operacional e Leasing Back.

No Leasing Operacional a arrendadora é que arca com os custos de manutenção. A arrendatária pode desfazer o contrato bastando apenas esperar o período mínimo de 90 dias do início do contrato.

O Leasing Financeiro é similar a um contrato de locação, sendo que no fim do contrato existe a opção de se adquirir o bem por um preço pré-determinado.

O Leasing Back se dá quando uma empresa necessita de capital de giro para suas operações e vende seus bens a uma empresa que os aluga de volta.

Portanto, o leasing é um tipo de crédito mais comum para empresas que precisam realizar renovação de seu maquinário de tempos em tempos.

Consignado

Consignado

O empréstimo consignado pode ser entendido como uma forma de empréstimo pessoal visto que não existe um fim específico para os recursos liberados.

Para se fazer um empréstimo consignado, o cliente deve possuir um emprego com carteira assinada. Isso porque as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamentos. Ou seja, parte do salário que a pessoa iria receber vai diretamente para o banco em forma de pagamento do empréstimo.

Isso funciona como uma espécie de garantia para o banco.

A instituição tem mais perspectiva de recebimento. E, por isso, essa forma de empréstimo tem uma taxa de juros menor comparada ao empréstimo pessoal.

É uma modalidade relativamente interessante por ser mais barata que a maioria das outras, mas deve ser tomada com cautela.

Como as prestações são descontadas diretamente no seu contracheque, antes mesmo de você receber o dinheiro, em casos de situações extremas você pode passar por sérias necessidades. Afinal, não terá como atrasar o pagamento do empréstimo.

Consórcio

Consórcio

Um consórcio não é uma forma de financiamento propriamente dito, apesar de estar envolvido com a compra de um bem.

O consórcio é feito como união de diversas pessoas que desejam adquirir um determinado bem e que não tenham necessidade de ter esse bem em mãos imediatamente.

Cada integrante do grupo aporta recursos mensalmente com vistas a acumular e poder adquirir o bem posteriormente. Uma empresa faz a administração desse grupo e cobra uma taxa de administração por isso.

Essa taxa de administração é o custo do consórcio. Ou seja, é diferente de um financiamento em que é cobrada uma taxa de juros.

Como diversas pessoas estão contribuindo mensalmente, é possível a empresa comprar o bem em questão e contemplar um dos integrantes do grupo via um sorteio.

Além desses sorteios, os consórcios permitem que os participantes ofereçam lances com vistas a buscar antecipar a obtenção do bem em questão.

Esses lances são geralmente uma percentagem do valor do bem e quanto maior o valor oferecido, maior a chance de ser contemplado.

Na verdade, o contemplado adquire uma carta de crédito para adquirir o bem desejado. Isso não impede que essa carta seja usada para outra finalidade na maioria dos consórcios.

Em relação ao financiamento, muitas pessoas preferem o consórcio por não ter que pagar juros.

Isso, é claro, depende de quanto é a taxa de administração. Em geral, é de fato menor do que os juros que serão pagos.

Mas é preciso levar em conta também que o bem não é adquirido imediatamente pelo consórcio, sendo que pelo financiamento você o terá de “bate pronto”.

O consórcio pode ser entendido como uma poupança forçada.

Eu penso que já que o bem não vai ser adquirido imediatamente, compensa mais ter a disciplina e formar a poupança através de investimentos.

Além de não pagar a taxa de administração, seu dinheiro estará sendo remunerado e você conseguirá adquirir aquilo que deseja pagando menos e mais rápido.

Conclusão

Como você viu, existem diversas modalidades de crédito.

Sempre digo que o ideal é evitá-los, se concentrar nos investimentos e ter a disciplina para abrir mão do consumo presente. Ou seja, poupando e adquirindo aquilo que deseja no futuro, com os juros te ajudando (e não atrapalhando como em um empréstimo).

No entanto, diversas situações ocorrem em nossa vida e eventualmente podemos necessitar de empréstimos.

Cada modalidade tem a sua peculiaridade, por isso fique atento para escolher a que melhor se encaixa aos seus objetivos e que potencialmente poderá te custar menos.

Você já conhecia todos esses formatos de empréstimo? Comente abaixo!

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