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Drawdown: saiba o que é e qual sua utilidade

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16/04/2019

Navegando pelo grande mundo das finanças, você por acaso já se deparou com o termo drawdown? Chegou a se perguntar o que é isso? Há alguma utilidade? Vale a pena conhecer o termo? Vamos aqui dar a definição e alguns exemplos para facilitar a compreensão.

O conceito já foi introduzido em “7 indicadores infalíveis para identificar os melhores fundos de investimentos” aqui no Mais Retorno. Se quiser, dê uma passada lá e depois volte aqui.

O que é Drawdown

O que é Drawdown

De forma direta e bem simplificada, é a mensuração da queda de uma variável em relação ao seu pico. Complicado? Como é um conceito utilizado em diversas áreas, vamos focar apenas nas aplicações para as finanças.

Esse é um conceito importante para medir o risco histórico de diferentes investimentos, abrindo a possibilidade de comparação entre diferentes ativos. Você intuitivamente já sabe, pois sente no bolso quando acontece. Se formos colocar em termos matemático, seria assim:

Imagine que você tenha comprado PETR4 no início de 2005 por R$ 11,60 e em meados de 2008 o papel já tenha atingido R$ 52,51 (que é o máximo até hoje), mas você não vendeu. Como esse foi máximo da série, obviamente você estará sempre abaixo dela e o quão abaixo é representado pelo drawdown.

Perceba que é possível você estar abaixo do pico máximo, ou seja, deixou de ganhar tudo aquilo, mas ainda assim acima do preço que você entrou e, portanto, não está perdendo.

Veja que é possível calcular diversos drawdown e, dentre eles, devemos destacar o Máximo Drawdown (MDD).

O chamado MDD é um caso especial de drawdown que mensura o pior cenário possível, ou seja, pega o maior pico contra o nível mais baixo (o menor vale). No caso da PETR4 na figura acima, é a comparação entro o pico de maio de 2008 e o vale de fevereiro de 2016.

Pela definição, o exercício acima é apenas uma das formas de ver o drawdown, ainda que não o mais usual. O comum é fazer esse cálculo olhando para o retorno acumulado.

Vamos imaginar que você tenha comprado a ação lá no começo de 2005 e ainda não tenha vendido (corajoso!). Essa seria a evolução em percentual:

Perceba que o gráfico tem uma cara bem parecida, mas a informação agora é outra. Se o leitor tivesse entrado no início de 2005 e vendido em meados de maio de 2008, seu ganho teria sido de incríveis 351%!

Ok, mas o amigo não quis aproveitar essa oportunidade e o mercado virou, caindo para um nível ainda em novembro de 2008 (por conta da crise mundial) em que seu retorno acumulado desde 2005 volte para 45%, ou seja, uma perda de 306 pp em relação aquele pico de ganho de maio.

Como o efeito da crise foi rápido no mercado acionário, o retorno bateu num fundo e voltou rápido, e você está lá firme e forte com o papel. O problema é que a situação não foi fácil para a empresa e o jogo virou de novo, chegando no pior momento, em 2016, em que o valor da ação está menor do que aquele que você comprou.

Desta forma, o drawdown é ainda maior, pois soma o que você deixou de ganhar quando estava em 351% e soma com a perda acumulada até o momento de 2016 (-64 pp). Assim, seu drawdown chega a incríveis -415 pp!

Cabe notar que aqui fizemos o cálculo do drawdown envolvendo preço de ações e retorno, mas poderia ser facilmente feito com o seu rendimento acumulado ao longo dos anos em R$ ou qualquer outra variável financeira que evolua ao longo do tempo. Quer ver?

Vamos supor que você tenha comprado R$ 5.000 em PETR4 no começo de 2005, o que daria algo como 430 ações, essa seria a evolução da sua carteira até agora: A ideia é a mesma, logo o máximo drawdown teria sido de 92%, o que equivale a incríveis R$ 20.773.

Indo um pouco mais adiante, perceba que eu ilustrei apenas dois drawdowns possíveis nos exemplos acima, mas existem vários. Afinal, desde 2008 não voltamos mais para o patamar máximo, seja no preço do papel, seja no valor da carteira, seja no rendimento.

Desta forma, é possível calcular todos os drawdowns desde aquele pico até hoje, conforme o gráfico abaixo.

Utilidade

É bem provável que o significado do conceito não seja novo para você, apenas o seu nome. O fato é que esse é um dos vários indicadores utilizados para mensurar risco financeiro de um investimento, juntamente com a volatidade (ou desvio padrão) e outros (veja a ideia de lâmina dos fundos no artigo linkado lá no começo desse texto).

Essa ferramenta simples, de fácil uso, é uma boa arma para comparar o desempenho entre ativos, fundos e etc, sobretudo se forcarmos no que seria o máximo drawdown.

Experimente fazer isso no Comparador de Fundos do Mais Retorno: nele diversos drawdowns já estão calculados para o fundo que você selecionar!

O drawdown te dá uma ideia de quão difícil vai ser recuperar o que foi perdido. Se o seu drawdown atual é de 20%, não basta subir 20% que você terá “zerado”. Se um papel que vale R$ 100 caiu 20%, ou seja para R$ 80, para que você retorne aos R$ 100 será preciso subir 25%!

No caso do nosso exemplo de PETR4, se o valor do papel recuou 92% desde o pico máximo (o MDD), para voltar ao nível do desse pico será necessário um crescimento de 1150%!

A subida é sempre mais dolorosa e no gráfico abaixo mostramos todos os cenários necessários para zerar o drawdown desde o pico máximo em maio de 2008, considerando o preço da PETR4.


Conclusão

Se sua carteira ou o ativo que está investindo passou pelo pico máximo e você não o vendeu, o que é natural pois é difícil (para não dizer quase que impossível) saber exatamente quando um ativo chega no seu máximo, vale acompanhar o quanto abaixo daquele pico você está e quanto ainda falta para a recuperação deste. É um teste para cardíaco.

Naturalmente um portfólio bem diversificado tende a mitigar os efeitos do drawdown individual de cada ativo, além de acelerar a recuperação deste.

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Sobre o autor

  • Arthur Lula Mota
  • Economista, já atuou no mercado financeiro e em departamento econômico, com elaboração de cenários macroeconômicos e estudos setoriais. Atualmente é Mestrando em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e dono de um dos maiores sites independentes de economia no Brasil – o Terraço Econômico.

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