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10 comportamentos tóxicos cometidos por investidores

Por:
13/06/2019

É impressionante como a psicologia influencia em nossa vida. Existe um campo de economia chamado behavioral economics - ou simplesmente economia comportamental - no qual o comportamento dos indivíduos conta muito para determinação de políticas econômicas e ações no geral.

Para você ter uma ideia, existe um livro chamado "Nudge – o empurrão para escolha certa", no qual os autores discutem que pequenas influências na vida das pessoas podem determinar tomadas de decisão. Ora, são nossas decisões que afetam nossa vida, então é algo muito importante a ser levado em conta.

É justamente sobre essa parte cognitiva que iremos falar e mostrar para que você não ocorra em perdas por essas razões.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

  1. Viés de confirmação
  2. Viés de informação
  3. Viés de aversão à perda
  4. Viés de incentivos
  5. Tendência de “supersimplificar”
  6. Viés de retrospectiva
  7. Efeito de Bandwagon (ou pensamento em grupo)
  8. Viés de restrição
  9. Negligência de probabilidade
  10. Viés de Ancoragem

Aliás, se preferir a versão em vídeo, o Felipe Medeiros já havia comentado alguns vieses que cito no texto e outros diferentes. Vale a pena conferir nesse vídeo abaixo:

Viés de confirmação

Viés da confirmação

Esse é um viés natural que os seres humanos têm. Sempre gostamos de estarmos certos. Ele diz que tendemos a procurar algo que confirme ou dê ênfase em alguma teoria que temos.

Também é um dos vieses que mais direcionam erros dos investidores. São os famosos erros de teimosia. As pessoas tendem a buscar justificativas que confirmem que um investimento “ruim” é na verdade um bom negócio.

Eu sei que é difícil, mas para minimizar esse viés, temos de colocar nossas justificativas à prova e constantemente validar ou verificar se a premissa continua valida. Charlie Munger, sócio do grande Warren Buffett, diz que “a rápida destruição de ideias quando o momento for bom, é a melhor qualidade que um investidor pode adquirir”.


Viés de informação

Viés de informação

Esse é o viés de levar em conta todo tipo de informação, mesmo quando ela é inútil para avaliação de um cenário. Isso tende a ser um pouco óbvio, mas muitos erros advêm desse viés.

Aqui basicamente é a questão de ter sangue frio sempre recomendado nas questões de investimentos e analisar o que é relevante. Fazer um filtro, olhar o macro e tomar a melhor decisão.

Existe muita informação disponível e os investidores chegam muito fácil a elas, mas a “arte da coisa” é conseguir discernir o que é relevante do que não é.

Por exemplo, existem diversas análises focadas em flutuações pontuais de preços de ações. De fato, as os preços das ações mudam constantemente. Mas imagine você vender um investimento muito bom por causa de uma baixa pontual.

É por isso que tem que se “dar um passo para trás” e fazer uma avaliação completa.

Viés de aversão à perda

Viés de aversão à perda

Somos muito mais sensíveis às perdas do que aos ganhos. Similarmente, temos muito mais apreço por bens que possuímos do que por algo idêntico que não possuímos.

Isso pode levar os investidores a decisões irracionais, como não sair de um investimento ruim só pelo receio de realizar a perda.

Além disso, essa aversão à perda pode nos levar a não avaliar bem os investimentos. Às vezes, ser um “risk taker” (tomador de risco) é algo que faz sentido e a aversão à perda pode “nebular” essa visão.

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Viés de incentivos

Viés de incentivos

Esse é um viés que nos lembra o quanto incentivos e recompensas têm de poder sobre nossas decisões e comportamento em geral. Isso muitas vezes nos conduz à insensatez.

Sem os incentivos corretos, as pessoas tomam decisões erradas. Por exemplo, na crise dos sub-prime em 2008: Os construtores tiveram forte incentivo para construir novas casas. Os corretores de tinham fortes incentivos para encontrar pessoas para fazer hipotecas. Os bancos de investimento tinham um grande incentivo para pagar os corretores o quanto eles geravam de crédito para que eles pudessem “empacotar” e securitizar esses empréstimos para vender aos investidores. As agências de classificação tinham forte incentivo para dar ratings AAA para títulos hipotecários para gerar taxas, e os bancos tinham um grande incentivo para comprar esses títulos hipotecários com classificação AAA, já que exigiam poucos recursos e produziam enormes lucros alavancados.

Obviamente a cadeia quebrou, pois alguém viu que o esquema não se sustentava.

Então, tenha sempre em mente que existem interesses e tome a decisão mais cristalina possível.

Tendência de “supersimplificar”

Tendência de supersimplificar

Os seres humanos têm a tendência de simplificar demais as coisas para explicar questões complexas.

Obviamente aquele ditado é válido: “menos é mais”, então simplificar parece ser sempre uma boa opção.

Prever o futuro, no entanto, é algo bem complexo. E é isso que buscamos fazer quando compramos uma ação. Ou seja, descobrir se o seu preço vai subir ou vai cair.

O futuro, claro, é incerto, mas podemos fazer uma boa análise de como ele mais provavelmente será. Para isso, o diagnóstico do cenário tem de ser feito levando todas as variáveis em consideração.

Enfim, não caia no erro de simplificar demais as coisas e tomar uma decisão de investimento errada.

Viés de retrospectiva

Viés de retrospectiva

Esse é o viés que temos de considerar eventos passados positivos como algo que implicará em um futuro também positivo.

Esse viés é bem claro e não nos deixa fazer a melhor avaliação do futuro. Obviamente o que já ocorreu é um bom informativo, mas o cenário muda e o passado não deve ser tomado como algo que irá se repetir.

Efeito de Bandwagon (ou pensamento em grupo)

Efeito de Bandwagon

Esse viés cognitivo diz que as pessoas se sentem confortável em fazer algo que todos estão confortáveis em fazer. É um pouco do efeito manada.

Muitas vezes uma ação pode subir sem parar e, também, sem fundamento algum. Isso pode ser atribuído a esse viés: “Ah, vou comprar essa ação pois todos estão comprando e ganhando”.

Mas se não tiver fundamento, outros investidores inteligentes verão que aquilo está errado e vão aproveitar para operar nisso. Quando todos perceberem esse erro, a derrocada virá.

Então, seja esse investidor inteligente e pense de forma independente, fazendo a melhor análise com fundamento, algo concreto.

Viés de restrição

Viés de restrição

Essa é a tendência de superestimar moderação. Podemos achar que estamos tendo uma atuação moderada, quando podemos não estar.

Quando descobrimos um investimento que julgamos que seja ótimo e vai nos dar grandes lucros, a maioria das pessoas “entra de cabeça” e não faz uma “autocrítica”.

Obviamente superestimar a visão de que achamos o “investimento vencedor” pode incorrer em frustrações (e perdas) futuras. Não é algo sadio.

Negligência de probabilidade

Negligência de probabilidade

Acreditem, a estatística é algo intrínseco ao mundo das finanças. Como disse em um viés acima, o futuro é incerto e tomamos decisões pensando no que mais provavelmente irá acontecer. Logo, cálculos probabilísticos são sempre feitos e refeitos em bancos de investimentos para chegar mais próximos à decisão mais assertiva.

Agora imagine o quão variável é isso. Incerteza implica risco, certo? Assim, esse viés pode ser descrito como “não mapear corretamente todos os riscos”.

Um erro comum desse viés é ignorar a existência dos chamados cisnes negros, que Taleb nos conta. São eventos que são improváveis de acontecer e, por isso, quando ocorrem pegam os investidores de surpresa, causando grandes perdas.

Viés de Ancoragem

Viés de ancoragem

Esse é o viés de se apegar a um ponto específico de cenário e, assim, formular toda a tomada de decisão nesse ponto exclusivamente.

No mundo de finanças, esse viés é comum no sentido de que investidores se baseiam demasiadamente no atual preço de uma ação em contraste com seu passado para tomar uma decisão de investir nela ou não.

O todo não é contado apenas por uma parte. Ter apenas o preço atual em contraste com o passado não leva em conta as perspectivas futuras.

A ação pode aparentar “barata” vis-à-vis o seu histórico (ou seja, mais baixa). Porém, se essa empresa tiver um problema de geração de caixa, seu valor irá renovar as mínimas históricas, de forma que ela não estaria barata, e sim, cara.

Conclusão

A psicologia influencia muito nosso comportamento e, portanto, nossa tomada de decisões de investimentos.

Os seres humanos possuem diversas manias que já foram mapeadas, entre outras, nesses 10 vieses que comentamos hoje.

Conhecê-las é um passo para não as cometer.

E você, conhece alguma outra ou ficou em dúvida de algo? Comente abaixo!

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Sobre o autor

  • Vinicius Alves
  • Economista, atuou no departamento econômico de empresas de sell side no mercado financeiro. Já foi Top-5 de projeção de inflação de curto prazo do BC.

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1 Comentários

  • Avatar José Roberto da Costa disse:

    Sugeriria propor uma análise sobre viés da idade , desenvolvida pela tendência dos investidores mais jovens ,audaciosos, arriscarem mais do que os investidores de mais idade, tendo como função comportamental o tempo de existência de vida. Outro viés seria aquele do impacto da dimensão do patrimônio: patrimônio elevado: diminuição do medo de eventual perda limitada de parte pouco expressiva dos recursos; patrimônio reduzido: acentuado receio de qualquer nível de perda. Função comportamental: relação da perda versus dimensão do patrimônio. Fica aqui minha modesta colaboração sobre as tantas nuances que caracterizam a economia comportamental. Cordialmente