Mercado Financeiro

Regularidade pode ser uma palavra chave para quem está começando no mundo dos investimentos ou para aquele que não consegue ter uma dedicação exclusiva para sua carteira.

Pois é, ter regras pode trazer uma harmonia positiva para sua estratégia de investimentos. Nesse momento aparece a ideia de rebalancear periodicamente sua carteira.

Essa proteção adicional da sua carteira pode, de certa forma, reduzir um pouco a altura dos seus rendimentos no curto prazo, mas também reduz os tombos que podem aparecer no caminho. No longo prazo isso pode fazer bastante diferença.

O que é o rebalanceamento de carteira

Para falar de Rebalanceamento, o pressuposto básico é que você tenha um mínimo de estratégia na composição da sua carteira.

Muitas vezes essa construção é baseada no seu perfil de risco, seja ele conservador, moderado ou até mesmo agressivo.

Inclusive, aproveitando este tema: você sabe qual o seu perfil de investidor? É preciso entender sobre qual perfil se adequa mais com você e quais tipos de risco está disposto a correr. Então aproveita para fazer o teste GRATUITO, aqui.

Agora, se você sai comprando ativos olhando todos eles de forma separada e sem olhar a composição carteira como um todo, não tem o que rebalancear, certo?

Pois é, a partir dessas definições fica mais fácil dar peso aos ativos dentro da sua carteira. Não faz sentido um perfil moderado ter uma proporção quase que dominante de renda variável na sua carteira, certo?

Se você seguir a estratégia de não alterar sua carteira ao longo dos anos, pode ser que em um período inicial você seja moderado, mas depois de 5 anos esteja com uma composição como se fosse um investidor mais agressivo.

Esse é o cuidado que temos que ter. Do contrário não teria sentido avaliarmos perfil de risco.

É nesse momento que você “roda” os ativos da carteira, tentando voltar para aquela proporção originalmente proposta para o seu perfil ou para seus objetivos.

Não é incomum fazermos essa realocação em momentos em que alguns ativos da nossa carteira estejam com um rendimento acima do esperado.  Esse tipo de atitude nos ajuda, por exemplo, a fugir de certos vieses comportamentais que costumeiramente nos fazem comprar ações em períodos de alta e vender em baixa.

Quando devo fazer o rebalanceamento?

Essa é uma pergunta chave cuja resposta costuma ser a menos desejada: depende. Não há uma regra igual para todos, simplesmente por que a carteiras e os perfis não são iguais, certo?

Um ponto que une a todos é que devemos tomar cuidado com os custos de transação ao alocar e liquidar os ativos da nossa carteira, que podem inclusive prejudicar a rentabilidade.

Afora esse ponto, há sempre a dica metodológica de utilizar rebalanceamentos periódicos, ou seja, fixando períodos específicos para revistar sua carteira, independentemente dos ânimos do mercado.

Por exemplo, você pode escolher fazer essa conversa com sua carteira em 3, 6 ou até 12 meses. Pode até fazer mensalmente, se quiser.

E sim, isso exige muita disciplina e controle. Não é fácil rebalancear carteira no meio de um bull market com a sua parcela de renda variável valorizando bastante.

Nesse sentido, há a opção também de usar outra regra: colocar faixas ou bandas nas oscilações dos ativos que você investe. São limites de tolerância que vão te “obrigar” a mexer na carteira caso algum deles sejam atingidos.

Por exemplo, caso a sua parcela em renda variável supere um retorno acima de 30% ou abaixo de -30%, você vai fazer alguma alteração de forma a balanceá-la, voltando para a proporção originalmente proposta.

Novamente ressalto, mesmo estabelecendo essas regras previamente, elas não são fixas e nem únicas.

A depender da situação, talvez seja a hora de buscar um profissional na área, que vai entender seus objetivos e te ajudar nesse passo. Há também a opção de seguir as tão famosas carteiras recomendadas que costumam ser divulgadas publicamente ou por meio de assinaturas.

Colocando em números

Para deixar um pouco mais claro os efeitos que o rebalanceamento pode ter, vamos para um exemplo didático.

Vamos imaginar uma carteira teórica bastante simples com três ativos:

Inicialmente os três ativos têm pesos iguais na sua carteira (um terço), tendo aí uma certa diversificação.

Nesse exemplo didático você estaria exposta a várias empresas brasileiras, empresas americanas, o dólar e também à segurança da renda fixa.

Agora vamos comparar duas situações:

  1. Hold: uma em que você montaria essa carteira no início de 2016, com pesos iguais e “deixaria rolar”;
  2. Rebalanceada: outra em que você montaria no início de 2016 e a cada 3 meses rebalancearia ela para que os pesos voltassem a ser iguais a cada rebalanceamento.

Sim, se você não rebalancear, é possível que a parte da renda variável domine sua carteira, como no primeiro caso. No caso hold, por exemplo, iniciamos com um peso de 33,3% para cada um, mas como a evolução de cada ativo, o peso final foi de aproximadamente 30% para o IRF-M, 40% para o IVVB11 e 30% para o BOVA11.

Tivemos uma dança das cadeiras em termos de valor dentro do investimento, certo?

Abaixo temos a performance por ano de cada estratégia.

Um olhar rápido provavelmente tirou seu apetite pelo rebalanceamento. Poxa, a performance da carteira com alterações trimestrais foi abaixo daquela em que apenas segurei os ativos em alguns anos.

Bom, entre 2016 e 2019 tivemos um período muito positivo para a bolsa brasileira e a técnica de rebalanceamento diminuiria a cada mês a exposição excessiva da bolsa, diminuindo assim a “surfada” na onda do bull market.

Ok, mas e em 2020?

É exatamente esse o propósito do rebalanceamento. Reduzir um pouco a exposição em momentos de fartura, para estar mais protegido em momentos de terremoto.

Esse tipo de estratégia quase que te obriga “vender na alta e comprar na baixa”, só por conta da reponderação.

Lembrando que esse é apenas um exemplo didático, os ativos mudam de pessoa para pessoa e, principalmente, o tempo estabelecido para ter essa conversa com os seus investimentos.

Além disso, a seleção é muito mais rigorosa dentro das classes de ativos em cada etapa de rebalancear, sendo que você pode, por exemplo, mudar completamente todas as ações da sua carteira nesse processo.

Conclusão

O rebalanceamento de carteiras é um assunto importante para todos que estão preocupados com a evolução dos seus rendimentos.

Nós costumamos lembrar disso apenas em momentos de estresse no mercado, sendo que em tempos de bonança acabamos por aumentar (voluntariamente ou involuntariamente) nossa exposição em algumas classes de ativos específicos, aumentando também o risco de uma forma geral.

No longo prazo, quem conseguir ter disciplina e uma  boa estratégia pode tirar os melhores frutos que um bom rebalanceamento pode trazer, freando ímpetos e irracionalidades em momentos de “céu de brigadeiro” e podendo aproveitar oportunidades em momentos de “terra arrasada”.

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Economista, já atuou no mercado financeiro e em departamento econômico, com elaboração de cenários macroeconômicos e estudos setoriais. Atualmente é Mestrando em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e dono de um dos maiores sites independentes de economia no Brasil – o Terraço Econômico.

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