Última modificação em 27 de dezembro de 2019

O que é o Milagre Econômico

Milagre Econômico é o termo usado em referência ao crescimento econômico que ocorreu nos anos 1960 e 1970; mais especificamente, entre 1969 e 1973, durante os governos militares no Brasil.


PIB e Inflação durante o Milagre Econômico

 

Um dos principais fatores que levaram à formação do conceito de um período de Milagre Econômico foi o crescimento do PIB. Nos anos 1960 e 1970, o PIB brasileiro cresceu à taxa média de 10% ao ano. Em 1973, o PIB chegou a crescer 14% a.a.

Outra característica do período de Milagre Econômico foi a redução da inflação. Em 1968, a inflação estava em 19,46%. Já em 1973, havia baixado para 15,6%.

Esses números positivos se refletiram em bons resultados para diferentes segmentos, como o automotivo, a construção civil e os eletrodomésticos. Por exemplo, entre 1964 e 1970, o número de carros de passeio produzidos no país triplicou. A construção civil cresceu, em média, 15% ao ano. O número de televisores nas casas também aumentou muito, impulsionando as emissoras.

Críticas ao Milagre Econômico

As principais críticas ao Milagre Econômico giram em torno da concentração de renda.

Na época, Delfim Neto, que chefiava o Ministério da Economia, usava a frase "É preciso primeiro aumentar o bolo, para depois reparti-lo". No entanto, para muitos críticos, apesar do bolo ter crescido (por exemplo, com o aumento do PIB), o momento de repartir nunca chegou.

Por isso, o Milagre Econômico foi um período que ajudou a aprofundar as desigualdades sociais no país. Segundo dados de 1970, a parcela dos 5% mais ricos da população detinha praticamente a mesma porcentagem da renda nacional que a parcela dos 80% mais pobres.

O Coeficiente de Gini, utilizado para medir a desigualdade, subiu de 50 para 62 entre os anos de 1960 e 1977.

Um dos exemplos de como isso aconteceu foi o "arrocho salarial", apelido dado pelos sindicatos às políticas salariais do período, porque essas medidas apertaram, espremeram o salário dos trabalhadores.

No período de 1967 a 1973, o salário mínimo real sofreu queda de 15%. Portanto, o poder de compra do brasileiro diminuiu.

Outras consequências do Milagre Econômico

Além da desigualdade social, outras consequências negativas são atribuídas ao período do Milagre Econômico.

Um dos grandes problemas deixados por essa fase do país foi a dívida externa. O crescimento interno acelerado dos anos 1960 e 1970 foi financiado com dinheiro emprestado do mercado internacional. Com isso, a dívida que era de US$ 3,7 bilhões em 1968 chegou a US$ 12,5 bilhões em 1973.

A crise do petróleo agravou o cenário. Com o aumento do preço do barril, a partir de 1974, a balança comercial brasileira ficou negativa. Ou seja, o gasto com as importações era maior do que a receita das exportações.

Logo, a inflação, que estivera sob controle, disparou. No final da década de 1970, chegou perto de 100% ao ano. Com isso, o poder de compra dos trabalhadores (que já estava prejudicado pelo arrocho salarial) ficou ainda mais comprometido. Houve aumento do desemprego, com as empresas demitindo para controlar custos.

Para completar, o período do Milagre Econômico também envolveu um forte deslocamento da população da zona rural para a urbana. No entanto, com as crises, essa população não encontrava condições adequadas para se alocar nas cidades. Assim, favelas começaram a se multiplicar em torno dos grandes centros.

Fim do Milagre Econômico

O período do Milagre Econômico se encerra oficialmente com o fim dos anos 1970. Tanto é assim que os anos 1980 tornaram-se conhecidos como a "década perdida" da economia brasileira.

A situação só começou a ser controlada na década de 1990, após a redemocratização, com a implementação do Plano Real.

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