Costuma-se dizer que apenas 2 coisas são certas na vida: a morte e os impostos.

O grande problema, no entanto, é saber “quando” a morte vai chegar. E é aí que muita gente que não se preocupou financeiramente com a aposentadoria quando era jovem, costuma sofrer.

E quando digo muita gente, é muita mesmo! Isso porque apenas 1% dos aposentados do Brasil consegue manter seu padrão de vida e arcar com seus custos sem depender de mais ninguém e nem ter que continuar trabalhando.

E se a previdência social já é complicada e paga pouco hoje, com as reformas que serão necessárias com o passar do tempo, elas tenderão a ficar cada vez piores e mais incertas.

Se você duvida disso, como esse não é o assunto principal do texto de hoje, recomendo que assista esse curto vídeo preparado pelo pessoal do “Por quê? Economês em bom português” sobre o futuro da previdência social:

Nesse sentido, é cada vez mais importante que as pessoas se preparem desde cedo, para que a aposentadoria seja de fato uma fase de descansar e curtir o final da vida de forma prazerosa. Uma recompensa mais que justa pelos longos anos de suor e trabalho percorridos até ela.

E existem diversas maneiras de se fazer isso, sendo que algumas delas inclusive já falamos bastante por aqui como investir em Títulos Públicos, Fundos de Investimentos e outras opções de Renda Fixa e Variável ao longo do tempo.

Mas existe um formato de investimento que apesar de ser feito para isso, por incrível que pareça acaba sendo muito mal falado pelos especialistas em geral: a Previdência Privada.

E sendo justo, eu até entendo que por muito tempo – enquanto esses investimentos eram distribuídos majoritariamente por grandes bancos com péssimas condições de taxas e rentabilidade – os fundos de previdência privada não eram realmente grandes coisas.

Por outro lado, a boa notícia é que esse mercado vem mudando drasticamente, se tornando uma real alternativa que faz sentido para a maioria das pessoas que deverão se preocupar com o futuro da sua aposentadoria, por conta dos pontos apresentados acima.

E é por isso que hoje vou ensinar algumas dicas práticas para saber como escolher o melhor plano de Previdência Privada para você, bem como algumas informações que tenho certeza que serão novidade.

Por isso, já pegue uma xícara de café (ou de chá), fique bem confortável e continue lendo para aprender tudo sobre Previdência Privada nos seguintes tópicos:

  1. O que é e para que serve a Previdência Privada
  2. Características e escolhas da Previdência Privada
  3. Riscos da Previdência Privada
  4. Custos da Previdência Privada
  5. Renda da Previdência Privada
  6. Vantagens da Previdência Privada – Quando vale a pena investir
  7. Desvantagens da Previdência Privada – Quando NÃO vale a pena investir
  8. Como escolher a Previdência Privada adequada para você
  9. BÔNUS: Dicas estratégicas para a Previdência Privada

1- O que é e para que serve a Previdência Privada

O que é Previdência Privada

A Previdência Privada (também conhecida como Previdência Complementar) é um tipo de investimento que foi criado com o intuito principal de ser uma fonte de renda extra aos investidores no momento da aposentadoria. Por conta disso, eles contam até mesmo com uma legislação, regulação e até mesmo fiscalização à parte dos investimentos financeiros comuns.

A grosso modo, os planos de previdência são investimentos realizados de forma muito semelhante à dos Fundos de Investimentos, apenas com algumas particularidades que veremos mais a frente na sequência desse texto.

A grande questão aqui é que ao contrário dos fundos comuns, a Previdência Privada costuma ser interessante apenas para investimentos de longo prazo, sendo que apenas em algumas poucas exceções elas acabam sendo bom negócio para o investidor que precisar do dinheiro num horizonte menor que 10 anos.

Inclusive uma das possibilidades oferecidas pelos planos de previdência, é de não simplesmente começar a resgatar seu dinheiro até terminar o saldo que você acumulou, mas transformar isso em uma renda vitalícia. Para isso obviamente você tem um custo, no qual o banco/seguradora passa a ser o novo dono do dinheiro que você acumulou nessa previdência ao longo dos anos, e se torna responsável por pagar um “salário” garantido até o final da sua vida, independentemente de quanto tempo você ainda vá viver.

Mas apesar disso, nem sempre a Previdência Privada precisa ser usada apenas para os fins da aposentadoria. Desde que o investimento tenha objetivo de longo prazo, sem nenhuma necessidade de liquidez ao longo do tempo, é possível que ela supere boa parte dos investimentos comuns por conta das suas regras.

Quer garantir a faculdade dos seus filhos desde o nascimento? Pode ser uma boa também. O importante é sempre comparar.

Mas afinal, que regras são essas que fazem da Previdência Privada algo tão diferente dos investimentos mais comuns do mercado financeiro?

2- Características e escolhas da Previdência Privada

 

Características da Previdência Privada

Existem basicamente 4 itens que você precisará prestar atenção e se decidir me relação às suas opções toda vez que pensar em investir em uma Previdência Privada.

E já adianto que não existe resposta fácil e definitiva para nenhum desses itens, pois eles podem ser melhores ou piores a depender de várias questões pessoais do próprio investidor como sua renda, objetivos, horizonte de tempo que será investido, perfil de risco, dentre outros fatores.

Confira a seguir cada um desses 4 itens:

2.1- Modalidades – PGBL ou VGBL?

Talvez você já tenha ouvido falar no Plano Gerador de Benefício Livre (famoso PGBL) ou no Vida Gerador de Benefícios Livres (famigerado VGBL). Baita nome comprido para não dizer nada, não é?

Você deve ter percebido que o que diferencia um do outro é apenas a primeira palavra. Mas não para por aí.

O PGBL é uma modalidade plano de previdência que permite que você adie o pagamento de até 12% do seu imposto de renda anual, abatendo os valores aportados nos seus investimentos da sua base tributável. Em termos práticos, se você possuir uma renda tributável anual de R$ 100.000,00, mas investiu até R$ 12.000,00 nesse ano em um fundo de Previdência Privada, então você poderá abater (descontar) esse valor da sua declaração e a receita federal só irá te cobrar nesse ano por R$ 88.000,00.

Dessa forma, esses impostos que você não recolher podem ser usados hoje para investir ainda mais ou simplesmente dar maior alívio ao seu orçamento anual.

Mas não se iluda, existem dois detalhes (um ponto forte e um ponto fraco) aqui que você terá que levar em consideração:

a) Você não está ganhando de presente uma isenção de impostos.

O que o PGBL permite é apenas que você faça o pagamento desse impostos lá pra frente, no momento em que começar a usufruir dos rendimentos do seu plano de previdência.

Portanto, quando você começar a receber os benefícios (começar a resgatar seu dinheiro investido), então terá que pagar 15% de impostos já retidos diretamente na fonte (não se preocupe, a própria instituição financeira do seu plano calcula e recolhe esse valor por você) e a diferença do valor dos impostos (caso houver), será compensada na sua declaração de imposto de renda do ano seguinte.

Não se desespere, no próximo tópico você vai entender melhor como isso funciona.

b) No futuro a conta pode ficar mais cara.

O ponto fraco do PGBL é que quando chegar o momento de pagar os impostos dos seus investimentos, a incidência ocorrerá sobre todo o valor resgatado e não apenas os rendimentos.

Portanto se você sacar, por exemplo, R$ 10.000,00 por mês, pagará impostos sobre os R$ 10.000,00 todos os meses e não apenas o que ele tiver rendido no período.

Já VGBL, tem seus pontos fortes e fracos praticamente invertidos. Afinal de contas ele é um plano que não te permite abater nada da sua declaração de imposto de renda anual.

Por outro lado, quando você for realizar resgates la na frente, os impostos que você pagará incidirão apenas sobre os lucros que você tiver com o investimento na Previdência Privada.

Resumindo: O PGBL só fará sentido se você fizer declaração completa do imposto de renda e aplicar no máximo até 12% da sua renda tributável por ano nesse plano. O VGBL portanto será a opção ideal para todas as outras pessoas que fizerem declaração simples do imposto de renda anual, aplicarem mais que 12% da sua renda anual tributável ou simplesmente forem isentas do imposto de renda.

2.2 Tributação – Tabela Progressiva ou Regressiva?

Um segundo ponto determinante que você deverá se atentar no seu plano de previdência será escolher como você quer que ele seja tributado. Mas claro, a Receita Federal, que não é as Casas Bahia não vai simplesmente te perguntar: “Quer pagar quanto??”

Você terá que se decidir entre 2 alternativas:

A Tabela Progressiva é exatamente a mesma que você já conhece da declaração anual de imposto de renda. Veja a seguir a ajustada para o ano de 2017:

Tabela Progressiva - Previdência Privada (vigente em 2017)

Base de Cálculo MensalAlíquotaParcela a deduzir do IRPF
Até R$1.903,98--
De R$1.903,99 até R$2.826,657,5%R$142,80
De R$2.826,66 até R$3.751,0515,0%R$354,80
De R$3.751,06 até R$4.664,6822,5%R$636,13
Acima de R$4.664,6827,5%R$869,36

Portanto, nesse caso se seu plano é resgatar até R$ 1.900,00 por mês, essa tabela pode ser muito interessante pois você conseguiria receber esse valor isento de impostos!

Por outro lado, caso você pretenda resgatar o valor acumulado de uma única vez ou resgatar valores maiores mensais, então essa provavelmente não vai ser a melhor alternativa para você.

Nessas ocasiões, a Tabela Regressiva pode ser muito mais interessante, sobretudo para investimentos de longo prazo, conforme abaixo:

Tabela Regressiva - Previdência Privada

Base de CálculoAlíquota
Até 2 anos35%
De 2 a 4 anos30%
De 4 a 6 anos25%
De 6 a 8 anos20%
De 8 a 10 anos15%
Acima de 10 anos10%

Ou seja, se você vai fazer um plano de Previdência Privada com foco na aposentadoria, provavelmente essa será a modalidade adequada para o seu caso.

As exceções ficam somente para o caso de você se incluir na faixa isenta da Tabela Progressiva ou se pretender resgatar seu dinheiro em um prazo menor que 10 anos.

No entanto, se o seu caso for esse último (do prazo menor), é possível que outras alternativas como renda fixa, fundos e outros sejam mais interessantes, já que a Previdência Privada é um investimento pensado muito mais para o longo prazo mesmo, como já havia exposto no começo do texto.

E pense bem antes de escolher seu plano, pois existe uma última regra muito importante aqui: Se você optar pela Tabela Progressiva, poderá mudar para a Regressiva a qualquer momento. Por outro lado, se optar pela Regressiva, nunca mais poderá mudar.

Resumindo: Se você pretende resgatar valores menores ou investir por um prazo curto, talvez a Tabela Progressiva seja a melhor alternativa para o seu caso. Por outro lado, se seu plano é resgatar valores mais altos e investir a longo prazo, a Tabela Regressiva deve ser a escolha ideal.

2.3 Perfil de Risco

Esse item é fácil e se você acompanha o Mais Retorno a algum tempo, sabe o quanto insistimos na importância de saber qual o seu perfil de risco como investidor antes de fazer qualquer investimento.

Como as Previdências Privadas tem como objetivo formar a aposentadoria das pessoas, esse é um fator ainda mais importante!

Por isso antes de escolher seu fundo, tenha em mente que se quiser maior retorno no longo prazo, terá que encarar alguns riscos e oscilações de mercado serão naturais. Mas se você não quiser nem saber de oscilações no seu fundo, alternativas de menor risco e mais conservadoras existem justamente para isso.

Então se você ainda não sabe seu perfil de investidor, recomendo fortemente que descubra fazendo nosso teste! É bem intuitivo, divertido e não leva nem 2 minutos. No final você ainda recebe um material exclusivo sobre seu perfil no seu e-mail, é só clicar abaixo:

2.4 Previdência Aberta ou Fechada?

Um último ponto que vale a pena introduzir é em relação aos tipos de Previdência Privada.

O primeiro deles, mais comum e que provavelmente será o que você irá pesquisar, são os fundos de previdência abertos.

Esses fundos são os mais simples, que permitem que qualquer pessoa possa investir neles e resgatar seu dinheiro depois de uma carência mínima (em geral, à partir de 2 meses).

No entanto, existem também alguns fundos de previdência fechados, também conhecidos popularmente como os fundos de pensão, que são aqueles planos de previdência que algumas empresas oferecem aos seus colaboradores. E são esses que requerem alguns cuidados a mais, por fugirem dos padrões das regras que falamos até aqui.

Para facilitar, separei esses pontos na lista abaixo:

  1. Não é para qualquer pessoa: Esses tipos de fundos de previdência são oferecidos por empresas e somente as pessoas que possuírem algum vínculo com essa empresa é que poderá investir neles;
  2. Regras de resgate diferenciadas: Pode acontecer do fundo ter regras próprias de resgate nas quais você só possa ter acesso ao dinheiro em caso de demissão ou aposentadoria em si, impedindo que você resgate antecipadamente caso precise;
  3. Portabilidade: Não falamos dela ainda (você verá mais detalhes abaixo), mas esses fundos podem não permitir essa vantagem;
  4. Remuneração extra: É bastante comum que as empresas bonifiquem seus funcionários contribuindo com um valor adicional à previdência deles para cada valor investido. Em alguns casos as empresas dobram o valor aplicado pelo funcionário ou ainda mais;
  5. Somente PGBL: As empresas não fazem esse tipo de iniciativa apenas por amor aos seus colaboradores. Elas possuem benefícios fiscais no caso de contribuição para fundos PGBL e por isso é muito provável que essa seja a única opção de modalidade oferecida;
  6. Regulação à parte: Enquanto os fundos de Previdência Privada abertos são regulados pela SUSEP (já vamos falar sobre ela), no caso dos fundos fechados quem fiscaliza tudo é a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC).

Aqui como nos outros pontos, não existe uma regra fixa para saber qual é a melhor alternativa e só a comparação das diferentes alternativas vai conseguir te dizer qual o mais interessante. Isso claro, se você tiver oportunidade de investir em uma previdência fechada, o que não é o caso da maior parte das pessoas.

Sabendo desses 4 itens, você já está com meio caminho andado para saber escolher a sua Previdência Privada ideal.

Mas será que esse investimento é seguro?

3- Riscos da Previdência Privada

Riscos da Previdência Privada

Lembra da SUSEP que acabamos de falar acima? A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) cumpre o mesmo papel que o da CVM, mas no lugar investimentos tradicionais do mercado financeiro, a sua responsabilidade é voltada para a Previdência Privada aberta e seguros.

Por serem investimentos que requerem muito mais cuidados que as aplicações financeiras comuns, a SUSEP também costuma ser bem mais rigorosa que a CVM, implicando uma série de restrições e exigindo outra série de garantias dos fundos para que eles possam funcionar.

Quer um exemplo? Nas regras da CVM para um fundo ser classificado como “Fundo de Ações” ele precisará ter no mínimo 67% do seu dinheiro em ações. Nas regras da SUSEP, para um fundo ser classificado como “Agressivo”, ele só pode ter no máximo até 49% do seu dinheiro em ações.

Alavancagem? Comum nos fundos de investimentos cobertos pela CVM, proibido em qualquer fundo de previdência coberto pela SUSEP.

Ou seja, em termos de regras, mesmo os fundos de previdência mais agressivos terão uma volatilidade e riscos menores do que o encontrado em fundos tradicionais de alto risco. Portanto, se é risco alto que você procura, essa talvez não seja a sua melhor opção, mas se você se preocupa com a segurança, pode dormir mais tranquilo.

Um segundo ponto importante é em relação à solidez das seguradoras que forem responsáveis pelos planos de previdência.

Por mais que elas tenham uma série de requisitos a respeitar tanto da SUSEP como do próprio Banco Central, para seu dinheiro em si, não importa muito a saúde financeira delas. Isso porque os fundos de previdência funcionam exatamente como os fundos de investimento tradicionais e o que importa de fato são os ativos que esse fundo investe e não a seguradora em si.

Afinal de contas, os fundos funcionam como uma estrutura totalmente independente até mesmo com CNPJ exclusivos a parte, que não se misturam com a seguradora ou instituições financeiras responsáveis por fazer sua gestão e distribuição.

Inclusive se você quiser saber mais detalhes sobre qualquer plano de previdência que estiver pesquisando, poderá ver várias informações (de taxas à valores de aporte mínimo) direto na ferramenta de previdência da SUSEP.

Por último, vale citar um benefício interessante que é relacionado à segurança da Previdência Privada: embora ela não ofereça blindagem patrimonial para qualquer situação, pelo menos no caso de dívidas, esse é um dinheiro que é “absolutamente impenhorável” conforme previsto pelo artigo 649 do Código de Processo Civil, Lei 5869/73.

E quanto custa essa brincadeira toda?

4- Custos da Previdência Privada

Custos da Previdência Privada

Um dos principais custos sempre presente em relação aos investimentos é o dos impostos. No entanto, como esse é um assunto já bem abordado no tópico sobre Modalidade e Tabela Tributária, vou deixá-lo de lado aqui em prol de outros pontos tão importantes quanto.

Quando investimos em Previdência Privada, uma série de taxas pode estar envolvida. E apesar de algumas delas nem dever existir, é importante que o investidor as conheça para ficar preparado e não cair em nenhuma cilada. Até porque em alguns casos elas podem não ser muito transparentes para o investidor.

Com isso em mente, separei as 5 principais taxas que podem existir em uma Previdência Privada:

4.1 Taxa de Administração

Essa é uma taxa que você simplesmente não terá como fugir, afinal de contas a Taxa de Administração serve para bancar os custos envolvidos na própria estrutura de qualquer fundo, seja ele de previdência ou não.

É ela que é usada para pagar todos os custos que a seguradora terá com os funcionários, aluguel, telefone, internet, prestadores de serviços e obviamente ter alguma margem de lucro com a operação (afinal, quem faz previdência privada não são instituições de caridade).

No entanto, apesar dessa taxa impactar diretamente nos resultados do fundo, se você já estiver analisando a rentabilidade passada dos fundos de previdência, nem precisa se preocupar com ela. Isso porque os fundos são obrigados por lei a divulgar a sua rentabilidade já descontada dessas taxas, conforme já expliquei em um texto dedicado à Taxa de Administração e a Taxa de Performance.

Logo, se o fundo cobrar uma taxa de administração muito alta, pode ter certeza que a rentabilidade dele vai ser uma porcaria, sobretudo se ele for um fundo conservador de renda fixa. E nesse caso é só você descartar esse fundo das suas opções.

Ah, e vale destacar que nos fundos de Previdência Privada você jamais terá cobrança de Taxa de Performance, uma vez que ela não é permitida para esses fundos.

4.2 Taxa de Carregamento

Essa talvez seja a taxa mais detestada e sem sentido do mercado financeiro.

A Taxa de Carregamento simplesmente vai tirar parte do dinheiro que você aplicar no fundo e transferir diretamente pro bolso do banco ou seguradora antes de ter rendido um único centavo sequer.

Portanto se, por exemplo, a sua previdência tiver uma taxa de carregamento de 5%, então pra cada R$ 1.000,00 que você depositar, R$ 50,00 vão automaticamente pro espaço (ou nesse caso, pro bolso do banco).

E as vezes essa taxa também pode aparecer com o nome de “Taxa de Entrada” ou “Taxa de Saída” e nesse segundo caso quando você retirar o seu dinheiro, também teria que deixar uma parte para trás.

A boa notícia é que os melhores fundos de previdência da atualidade já não cobram esse tipo de taxa, cobrando apenas uma taxa de saída que decrescente até zerar conforme o tempo aplicado. Se esse for o caso e você realmente for investir com objetivo de longo prazo (que é o que faz sentido para a previdência), então a taxa torna-se aceitável por não prejudicar o seu resultado no final.

Por isso, sempre que verificar a existência de qualquer taxa de carregamento, negocie bastante e se não conseguir a isenção ou melhores condições (como a taxa decrescente de saída), procure por outra alternativa para fazer sua previdência.

4.3 Excedente Financeiro

Lembra que uma das alternativas da Previdência Privada era transformar os resgates do seu plano uma renda vitalícia?

Pois bem, isso pode ser bem interessante em alguns casos, desde que você tome alguns cuidados bem importantes.

Um desses cuidados é em relação ao chamado Excedente Financeiro.

Imagine que você fechou um plano de previdência no qual faria investimentos por 30 anos e no final do período passaria a ter uma renda de R$ 5.000,00 mensais pelo resto da vida. Mas por algum motivo qualquer os investimentos foram muito melhores que o esperado e renderam o que seria suficiente para pagar até R$ 8.000,00 mensais.

Baita negócio, não!? Sim, mas nesse caso para os bancos.

Afinal o dinheiro guardado nesse período agora é do banco, assim como os lucros obtidos com ele.

Portanto, se você não tiver prestado atenção no contrato e o banco tiver uma taxa de excedente financeiro de 0%, então esses R$ 3.000,00 adicionais vão direto para o bolso deles.

Lembre sempre de negociar um excedente financeiro que te favoreça ao máximo, de forma que você possa receber até mais do que o programado caso escolha um bom fundo.

4.4 Juros na Conversão

Podemos dizer que esse item é justamente a sequência do anterior. Imagine que você conseguiu negociar com o banco 100% de Excedente Financeiro e vai receber os R$ 8.000,00 mensais até o final da sua vida.

Mas nesse período em que o banco for te pagando, o dinheiro acumulado que você tinha investido e que agora é do banco, continuará rendendo no futuro. E se você não negociar nada, adivinha só pra onde vai essa rentabilidade extra!?

Portanto, vale a pena negociar para conseguir uma taxa de juros na conversão que vai remunerar e reajustar sua renda vitalícia além da inflação, depois da sua aposentadoria.

4.5 Tábua Atuarial

Quando você “vende” seu patrimônio acumulado na Previdência Privada em troca de uma renda vitalícia, para que os bancos possam saber quanto poderão te pagar mensalmente, precisam estimar quanto tempo você ainda continuará vivo.

Esse tipo de estimativa vai depender de uma tabela chamada de Tábua Atuarial (também conhecida como tábua de vida ou de mortalidade).

Na realidade não existe uma única Tábua Atuarial, mas sim várias delas que são recalculadas de tempos em tempos conforme a expectativa de vida das pessoas vai mudando com o passar dos anos.

Ou seja, em uma Tábua Atuarial que foi criada lá na década de 1980, provavelmente não se esperava que a maioria das pessoas passaria muito dos 70 anos de idade. Hoje em dia, por outro lado, é muito mais comum que as pessoas consigam viver mais graças ao avanço na medicina e na qualidade de vida das pessoas.

Por isso, quanto mais antiga for a Tábua Atuarial usada para calcular sua renda vitalícia, mas interessante para o investidor. Afinal de contas, se o banco acreditar que você viverá por mais de 100 anos, não poderá te pagar uma rentabilidade mensal muito grande. Por outro lado, se ele acreditar que você viverá por pouco tempo, poderá te pagar uma renda muito maior sem correr muitos riscos.

Vale destacar que desde 2010 as seguradoras brasileiras resolveram criar sua própria Tábua Atuarial (que até então usavam Tábuas de outros países, como a AT 2000 dos EUA), chamada de Experiência do Mercado Segurador Brasileiro, ou simplesmente BR-EMS. Dessa forma as seguradoras conseguem se adequar mais às condições e características da população brasileira e podem fazer projeções mais realistas.

Portanto, por mais que eu torça para que você viva o máximo com muita saúde e alegria, a ideia aqui é tentar buscar sempre a tábua que te der a menor expectativa de vida possível, ok? Assim você poderá contar com mais um incremento na sua renda vitalícia, caso essa for sua escolha.

5- Renda da Previdência Privada

Renda na Previdência Privada

Já que falamos tanto nessa renda vitalícia e a “venda” do seu patrimônio acumulado para o banco/seguradora, resolvi fazer um resumo bem breve dos tipos que você terá a sua disposição, caso essa seja sua escolha.

Veja mais detalhes abaixo:

  1. Renda Mensal Vitalícia: O básico do básico. Significa simplesmente que você receberá um valor mensal determinado desde o momento em que você escolher começar a receber a renda até a sua morte;
  2. Renda Mensal Temporária: O inverso. Você vai receber até determinado ponto, geralmente quando esgotar o saldo acumulado ao longo da sua vida. O pagamento encerra quando você morrer ou quando acabar esse prazo;
  3. Renda Mensal Vitalícia com Prazo Mínimo Garantido: Agora começa a ficar mais interessante. Você contrata um prazo mínimo para receber uma renda até sua morte. Se vier a falecer antes desse prazo, seus herdeiros receberão em seu lugar até o final do prazo contratado;
  4. Renda Mensal Vitalícia Reversível ao Beneficiário Indicado: Uma evolução da anterior. Você receberá uma renda vitalícia e quando morrer seu beneficiário indicado receberá uma parte dessa renda para o resto da vida dele também. No entanto se seu beneficiário falecer antes de você, esse benefício será perdido sem nenhum reembolso ou compensação financeira;
  5. Renda Mensal Vitalícia Reversível ao Cônjuge com Continuidade aos Menores: Por fim, uma renda vitalícia que quando você morrer passará parcialmente ao seu cônjuge. Quando o cônjuge vier a falecer, seus filhos receberão essa renda temporariamente até que atinjam uma idade combinada na contratação do plano.

No final você poderá escolher repassar sua previdência aos seus beneficiários em forma de pensão (renda) ou pecúlio (total do dinheiro acumulado).

Como visto, são muitas opções e possibilidades. É claro que para cada benefício adicional, também há um custo e uma renúncia adicional.

Portanto tenha sempre o cuidado de escolher com calma, estratégia e sabedoria.

 6- Vantagens da Previdência Privada – Quando vale a pena

Vantagens - Previdência Privada Vale a Pena

Há pouco tempo atrás escrevi um texto para o Dinheirama chamando a atenção para 5 vantagens desconhecidas que a Previdência Privada oferece e que muita gente desconhece, mesmo em alguns casos sejam investidores bem experientes.

Dado que uma delas era simplesmente sobre a possibilidade de tributação sob medida por conta da Modalidade e Tabela tributária, achei que valia a pena incluir nesse texto os outros 4 itens que são muito importantes. Confira a seguir:

Sucessão Patrimonial

Uma das maiores vantagens para quem se preocupa com seus entes queridos.

A Previdência Privada permite que você já escolha quem serão os beneficiários (que podem ou não ser seus herdeiros) no momento da contratação.

Quando você falecer, os recursos que estiverem investidos nos fundos de previdência poderão ser repassados diretamente aos beneficiários sem necessidade de inventário e nem pagamento de ITCMD (imposto sobre heranças), honorários advocatícios ou outros custos.

Fora a dor de cabeça e o tempo esperado que outras modalidades de patrimônio mais comuns como imóveis implicam para os herdeiros.

No caso da Previdência Privada, por não precisar passar por inventário e ter muito menos burocracia, em alguns casos os beneficiários tem acesso ao dinheiro em menos de um mês.

Come-cotas

Apesar da Previdência Privada ser um investimento em formato de fundos, você já deve ter percebido que sua tributação é completamente diferente da tradicional tabela regressiva do IR das aplicações financeiras comuns.

E uma grande vantagem das previdências nesse sentido é a não existência do come-cotas.

Quem já leu o texto que escrevi sobre esse assunto, sabe o quanto ele é prejudicial para seu dinheiro no longo prazo. E como a Previdência Privada é feita para o longo prazo, esse benefício vem muito a calhar.

Se não quiser ler o texto todo que dediquei a esse assunto, pode ver os detalhes mais importantes e resumidos no infográfico sobre come-cotas que preparamos aqui no Mais Retorno.

Portabilidade

Apesar de eu ser bastante contrário às trocas de investimentos de curto prazo, conforme escrevi nesse texto para o Valores Reais, a opção de portabilidade é uma baita mão na roda para os investidores de Previdência Privada.

Isso porque ela permite que os investidores possam trocar de fundo de uma previdência para outro, sem ter que resgatar seu dinheiro para isso. Consequentemente não precisará pagar taxas e nem impostos para fazer essa mudança.

Hoje em dia essa troca é muito simples e rápida de ser feita e é uma excelente alternativa para quem acabou fazendo más escolhas no passado e já passou anos investindo em uma previdência ruim.

Dessa forma esses investidores podem ainda ter tempo para melhorar a qualidade da sua aposentadoria sem ter que zerar todas as conquistas de prazo e impostos que conquistou até agora.

Investimento via débito automático

Esse último ponto gosto de chamar a atenção especialmente por conta da estatística que citei la na introdução do texto: a grande maioria das pessoas não tem controle de suas finanças pessoais e deixa para se preocupar com investimentos e sua aposentadoria em cima da hora.

Por conta disso, o legal das previdências é que muitas delas permitem que você já faça uma contratação de aportes fixos que são debitados na sua conta todos os meses, como se fosse uma conta de telefone, energia elétrica e outros.

Assim o investidor consegue manter com mais facilidade certa regularidade de investimentos ao longo da sua vida, garantindo uma maior segurança em relação à construção da sua aposentadoria.

De forma resumida e objetiva o título desse tópico: Previdência Privada vale a pena quando você pensar em investimentos de longo prazo, com objetivo para aposentadoria ou não e como uma parte da sua carteira de investimentos total.

7- Desvantagens da Previdência Privada – Quando NÃO vale a pena

Desvantagens - Previdência Privada NÃO vale a pena

Alguns bons educadores financeiros como o Leandro Ávila do Clube dos Poupadores não são muito fãs da Previdência Privada.

Mas embora eu não concorde com todos os pontos que eles avaliam como desvantagens da Previdência Privada, acredito que vale a pena destacar alguns deles que considero realmente válidos.

Atenção ao PGBL

Em primeiro lugar, uma questão que deve ser levada com muito cuidado é a dos benefícios do PGBL. Afinal, como visto acima, essa é uma modalidade de Previdência Privada que só compensa se você fizer a declaração completa do imposto de renda anual, para poder postergar até 12% da sua renda para o momento do resgate da aposentadoria.

Mas isso só vale a pena, se você considerar que fará essa declaração completa do imposto de renda ao longo de toda a sua vida ou pelo menos pelos próximos 20 ou 30 anos em que irá aplicar na sua previdência.

Caso contrário, se la na frente você começar a fazer a declaração simples (e isenta) do imposto de renda, perderá os benefícios de postergar o imposto mas terá a desvantagem de pagar sobre o montante total acumulado.

E uma vez escolhido PGBL, não há como voltar mais para o VGBL. Portanto pense muito bem antes de escolher a modalidade adequada para você.

Liquidez e prazo

Já insisti nessa tecla algumas vezes ao longo do texto, mas reforço novamente: Previdência Privada é um investimento para longo prazo!

Caso você invista em previdência por um período curto (em geral, menor que 10 anos), terá uma carga tributária elevadíssima de até 35% (no caso da tabela Regressiva) e ainda poderá acabar pagando custos desnecessários como uma eventual taxa de saída.

Se quiser algo para investir pelos próximos 2 ou 3 anos, existem alternativas que são muito mais interessantes para esse objetivo.

Além disso, a Previdência Privada é mais interessante como uma parte de uma carteira de investimentos mais completa e não como sua única alternativa. Afinal você nunca sabe quando pode acabar precisando de dinheiro em uma emergência.

Por isso foque em construir uma carteira de investimentos diversificada em que a previdência será apenas uma fração destinada para o longuíssimo prazo.

Cuidado com a renda vitalícia

Apesar de a renda vitalícia ser uma opção interessante da Previdência Privada, ela precisa ser escolhida com muito cuidado para saber se realmente será um bom negócio.

Lembre-se sempre que você estará “vendendo” seu patrimônio acumulado para o banco e ele só fará negócio com você se valer a pena para ele. Ou seja, se o banco souber que conseguirá fazer com que o dinheiro que você entregou para ele será suficiente para te pagar sua renda e ainda sobrar alguma coisa pra ele também.

Por isso, é verdade que você estará ganhando uma segurança extra de que terá renda até morrer, mas isso não vem de graça.

Além disso, se você se preocupa com deixar um patrimônio aos seus herdeiros, certifique-se de que está escolhendo uma renda vitalícia que seja transferível para eles.

Caso contrário, quando você morrer eles não receberão nem um centavo do que você acumulou na sua previdência ao longo da sua vida.

Previdência fechada

As previdências fechadas (fundos de pensão de empresas) costumam oferecer muitas vantagens em relação aos planos tradicionais oferecidos pelos bancos e seguradoras.

No entanto, apesar dessas vantagens é muito importante que você avalie as regras desses planos, especialmente em relação aos resgates.

Isso porque em geral você só conseguirá ter acesso ao seu dinheiro em caso de aposentadoria ou demissão da empresa em que trabalha.

Portanto se acabar precisando de dinheiro em uma emergência e não se enquadrar em nenhum desses dois casos, é melhor nem contar com esse valor.

E vale lembrar que se a melhor opção para você não for o PGBL, então provavelmente esse não será um investimento indicado para você.

Rentabilidade e custos

Por fim, um dos grandes questionamentos que os educadores costumam fazer sobre Previdências Privadas é em relação à rentabilidade e os custos desse tipo de investimentos.

Mas nesse caso isso é a mesma regra válida para qualquer outro tipo de investimento: compare sempre!

De fato muitos planos de previdência oferecidos por aí são bem ruins e não compensam para a maioria dos investidores. Mas isso não é nem de perto uma verdade absoluta e válida para qualquer caso.

Na realidade, hoje em dia existem fundos de previdência que rendem tão bem quanto outros fundos de investimentos tradicionais.

Você só precisa pesquisar, comparar e começar.

E é justamente sobre isso que tratarei a seguir.

8- Como escolher uma Previdência Privada adequada

Como escolher uma Previdência Privada

PGBL, VGBL, Tabela Regressiva, Progressiva, Vantagem, Desvantagem, Custo, Rentabilidade… Socorro!

Eu sei, é bastante coisa mesmo e se você é um investidor de primeira viagem pode até ter se assustado ou desanimado diante de tantos pontos que precisa se cuidar antes de investir.

É por isso que pensei em fazer um check list resumindo em 3 passos o que você precisará fazer para começar a planejar sua Previdência Privada e já ir conversar mais preparado com seu gerente ou assessor de investimentos.

Então vamos lá:

1º) O primeiro ponto que você não tem como escapar é o formato da sua previdência privada. Ou seja, se vai ser PGBL, VGBL, com Tabela Progressiva ou Regressiva. Para lembrar as características de cada um, segue abaixo uma tabela bem resumida:

CaracterísticasPGBLVGBL
Dedução IR até 12% da rendaSimNão
Cálculo de IRIncide sobre o TOTAL no momento do resgate, com ajustes na declaração anualIncide sobre o LUCRO no momento do resgate
ProgressivaRegressiva
Recolhimento na fonte para resgates, com ajustes na declaração anual do IRTributação incidirá no momento do resgate de acordo com o tempo aplicado (quanto maior o tempo, menor o imposto)
Renda (no resgate) tributada normalmente conforme tabela vigente do IRPFMétodo PEPS (Primeiro que entra, primeiro que sai)
Em caso de morte, herdeiros pagarão conforme tabela com teto de 25%.

Ainda assim não sabe como escolher?

Então segue o resumo do resumo, em um esquema bem simples:

Comparação Previdência Privada: PGBL x VGBL x Progressiva x Regressiva

2º) Tenha em mente o seu perfil de risco de investidor e escolha o plano de previdência que mais te identifica. Não queira investir em algo só porque rendeu muito no passado, pois “rentabilidades passadas não são garantia de rentabilidade futura”. Logo, mantenha-se fiel ao seu perfil de risco.

E se ainda não sabe seu perfil de risco, precisa saber antes de fazer qualquer investimento! Descubra agora seu Perfil de Investidor.

3º) Pesquise pelos melhores fundos e compare! E se não sabe nem por onde começar, já dou algumas pistas de alguns fundos que valem a pena você conhecer abaixo:

FUNDOSRentabilidade (%CDI)Aplicação Mínima Inicial
Previdência Renda Fixa PósANO12M
XP Horizonte Prev FIC FIRF107,5%100,8%R$ 10.000,00
Icatu Seg Abs FI Prev RF CP100,8%101,3$R$ 50.000,00
CA Indosuez Prev FIRF Ref DI CP103,2%103,4%R$ 50.000,00
Capitânia Previdence Icatu XP FIRF CP--R$ 30.000,00
Porto Seguro RF CP Diamante FIC FI Pre99,6%98,5%R$ 100.000,00
AZ Quest XP Icatu Prev FIC FIRF CP LP--R$ 30.000,00
Icatu XP Sparta Top Prev FIRF CP--R$ 30.000,00
SulAmérica Prestige Strategie FIC FIRF CP104,6%102,7%R$ 280.000,00
SulAmérica Brasil Plural FIC FIRF CP111,2%107,8%R$ 250.000,00
Previdência Renda Fixa Pré/Inflação
Western Asset XP Icatu Premium Prev FICFI RF--R$ 30.000,00
Porto Seguro RF Diamante FIC FI Pre108,5%105,2%R$ 100.000,00
Icatu Seg FIC FI Inflação Curta124,4%106,6%R$ 30.000,00
Icatu Seg FIC FI Inflação Longa147,4%123,1%R$ 10.000,00
SulAmérica Prestige Inflatie FIC FIRF163,7%136,9%R$ 90.000,00
Previdência Multimercado Macro
Verde AM Icatu Prev FIC FIM143,0%119,8%R$ 30.000,00
Adam Icatu PrevFIC FIM174,1%-R$ 30.000,00
Modal XP Icatu Prev FIM113,5%-R$ 10.000,00
Canvas Icatu Prev FIC FIM Pre--R$ 30.000,00
XP Horizonte Macro Prev FIM121,0%100,0%R$ 30.000,00
JGP SulAmérica FIM CP146,5%-R$ 25.000,00
CSHG Gauss Icatu Prev FIC FIM--R$ 30.000,00
Previdência Multimercado Outros
Vinci Equilíbrio Icatu Prev FIC FIM II143,5%109,6%R$ 30.000,00
Athena Icatu Prev FIM 49--R$ 30.000,00
Icatu Seg Kadima FIM CP Prev159,6%139,7%R$ 30.000,00
XP Horizonte Long Short FIM--R$ 30.000,00

E aí, o que achou?

Note que alguns fundos ainda não tem retorno histórico pois são bem recentes (lembra que eu havia explicado no início do texto que as previdências estavam mudando há pouco tempo no Brasil?).

Mesmo assim resolvi deixar esses fundos na tabela para você conhecer, pois alguns deles são geridos por casas de enorme qualidade e renome histórico, como é o caso da Verde Asset do Luiz Stuhlberger, por exemplo.

Além disso, vale relembrar que essa tabela é apena um ponto de partida para você começar a conhecer alguns fundos de Previdência Privada interessantes e não se trata de nenhuma recomendação ou sugestão de investimento.

Até porque como você deve ter percebido até o momento, Previdência Privada é um investimento extremamente pessoal que depende de uma quantidade grande fatores para determinar qual é o plano mais adequado para a sua situação.

Com as regras do seu fundo pré-determinadas e comparação feita, agora é só escolher o fundo que couber seu orçamento e começar a investir.

Antes de encerrar o texto, reservei o último tópico para passar algumas dicas especiais de como você pode usar a Previdência Privada de forma estratégica.

9- BÔNUS: Dicas estratégicas para a previdência privada

Dicas Previdência Privada

Apesar de a Previdência Privada ser um investimento que tem como objetivo ser uma forma de preservar uma quantia mensal de poupança pra garantir sua aposentadoria tranquila lá na frente, essa não é a única forma de se obter ganhos (ou economizar nos custos financeiros) com suas vantagens.

Por isso separei 3 formas de tirar o máximo proveito de uma previdência complementar aberta:

9.1 Contratar um plano de Previdência Privada o mais cedo possível

Uma dica legal que vi no blog O Primo Rico do Thiago Nigro, é você contratar o mais cedo possível um plano de Previdência Privada, mesmo que não pretenda aportar nada lá no momento atual.

A ideia geral é que quanto mais cedo você contratar um plano de previdência, melhor será sua tábua atuarial e consequentemente melhores serão as condições que você terá no futuro, caso decida transformar seu patrimônio acumulado em renda quando se aposentar.

Afinal de contas, no momento em que o plano de previdência for contratado, a tábua atuarial definida por ele não poderá mais ser trocada.

E essa dica vale tanto para você, como principalmente para seus filhos ou parentes mais jovens: contrate um plano de previdência agora só para ter uma boa tábua atuarial e lá na frente poder simular se vale a pena transferir um patrimônio para essa previdência e usufruir de uma boa renda.

9.2 Previdência Privada como mecanismo de transferência de patrimônio

Algumas famílias acabam passando dificuldades para receber herança, quando esta é concentrada em ativos não financeiros como imóveis e outros tipos de propriedade.

Essa dificuldade reside no fato de que para receber esses valores, os herdeiros precisam pagar assim que receberem o direito de propriedade dos bens o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), que é um imposto estadual e que hoje em São Paulo é de 4%, por exemplo.

Agora imagina uma família que receba 10 milhões de reais em imóveis e nada em dinheiro e precise pagar, portanto, R$ 400.000,00 para a receita estadual numa tacada só. De repente a herança pode se tornar uma verdadeira dor de cabeça, obrigando os herdeiros a vender os bens a preço de banana só para pagar esses impostos.

Por isso, uma forma de prevenir os herdeiros de sofrerem com esse problema, seria criar uma reserva do valor esperado de impostos em uma Previdência Privada, que além de ser fácil de transferir (por não passar por inventário), também não sofre da cobrança desse imposto.

Ou seja, no caso do nosso exemplo, se o investidor em questão estivesse preocupado com o futuro de seus herdeiros, poderia ser uma boa que ele acumulasse pelo menos R$ 400.000,00 em uma Previdência Privada, obviamente sem transformá-la em renda vitalícia na aposentadoria.

9.3 Tabela Regressiva com alíquota máxima

Se acontecer a infelicidade de um investidor falecer logo após ter contratado uma Previdência Privada, como lembra a Planejar,  com a tabela Regressiva de tributação, os herdeiros serão tributados no máximo em 25% (e não 35% como seria no começo da tabela).

Portanto, caso o investidor venha a falecer nos 4 primeiros anos após a contratação de um plano com a tabela regressiva, os herdeiros não terão que pagar um imposto que arruinaria o patrimônio acumulado por esse investidor, especialmente se o plano for um VGBL.

Portanto, se um investidor temer que tenha pouco tempo de vida, talvez uma forma eficiente de repassar seu patrimônio financeiro seria através de uma previdência privada optando da tabela regressiva.

CONCLUSÃO

Se você leu o texto todo até aqui, meus parabéns! Você fez praticamente um curso completo de Previdência Privada e certamente está mais preparado que muito profissional da área para escolher o seu investimento ideal.

Lembrando que a Previdência Privada deve ser sempre encarada como um investimento de longo prazo e que componha apenas uma parte de uma carteira mais diversificada de investimentos.

Espero que tenha gostado desse texto e que ele te ajude a conquistar Mais Retorno!

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