Você reparou como os rendimentos dos fundos de inflação dispararam nos últimos meses?

Sempre que ocorrem grandes oscilações nas taxas de juros, esses fundos ganham destaque novamente.

Como você está prestes a descobrir, porém, isso não acontece por mera coincidência.

Continue lendo esse texto para descobrir:

  1. O que são os fundos de inflação;
  2. Como a taxa de juros influencia seus rendimentos;
  3. O que a marcação a mercado tem a ver seus resultados;
  4. Quais as vantagens e desvantagens desses fundos e como saber quando eles são uma boa opção.

Gostou do que está por vir? Então não deixe de compartilhar esse artigo com seus amigos para que eles possam ampliar seus conhecimentos sobre os fundos de inflação:

O que são os fundos de inflação?

Fundos de Inflação

Investir bem te protege da inflação e de ficar “apertado de grana” (ba dum tss)

Também conhecidos como Fundos IMA-B ou Fundos de Renda Fixa de Índice (pela categoria ANBIMA), o propósito dos Fundos de Inflação é simplesmente aplicar nos títulos que compõem a carteira do IMA-B.

Esses  fundos também podem ser ainda mais específicos e buscar superar o IMA-B 5 ou  o IMA-B 5+, dando portanto características de prazo mais curto ou mais longo para a carteira.

Apesar de caracterizado como um fundo de renda fixa, ao longo do texto você perceberá que o seu funcionamento pode acabar pegando de surpresa muitos investidores incautos.

Por isso, dedico as próximas linhas para te contar um pouco da história recente desse tipo de investimento no Brasil.

Desempenho dos Fundos de Inflação nos últimos anos

Em 2012, quando o governo tentou marcar mínimas históricas na taxa básica de juros, esses fundos conseguiram entregar retornos espetaculares para fundos de renda fixa. No ano todo, o IMA-B conseguiu acumular uma alta de 26,68%!

Na época, como já é de praxe acontecer no mercado financeiro, essa ocasião atraiu uma grande quantidade de novos investidores para esse tipo de investimento.

No entanto logo em seguida, em meados do segundo semestre do mesmo ano, os resultados desses fundos inverteram sua direção. Com o início do descontrole inflacionário e a iminente elevação dos juros, os ânimos do mercado voltaram a se exaltar.

Como esperado, os fundos acumularam em 2013 perdas consideráveis para quem entrou atrasado, criando novas “viúvas” do mercado.

Sendo mais preciso, o resultado do IMA-B em 2013 foi de -10,02%. Um baita tropeço para o investidor desavisado que pretendia aplicar em algo que carrega o nome de “renda fixa”.

Diante desse novo cenário, a maioria dos profissionais do mercado apontavam a realocação de carteira como melhor alternativa, como se via na Exame. Infelizmente um pouco tarde demais para a maioria das vítimas da euforia.

Mas quem disse que a história não se repete? Em 2016, depois de o governo iniciar um novo ciclo de baixa da taxa de juros, o IMA-B voltou a acumular alta de 24,81%. O restante vocês já sabem.

Especulação em títulos públicos

Quando investimento vira aposta em vez de estratégia, espere por problemas

Como já ficou evidente acima, esse resultado deveu-se principalmente aos movimentos da taxa Selic que possui uma forte relação inversa ao preço dos títulos. Ou seja, a medida que a taxa de juros cai o preço dos títulos sobe e vice-versa.

Pior ainda, o mercado precifica os títulos de renda fixa não só de acordo com a taxa Selic, mas também com base nas expectativas futuras que os investidores tem seus valores.

Sim eu sei, é uma baita abstração! Qualquer hora dessas falaremos mais sobre isso no tema de Economia Comportamental e seus impactos nos investimentos.

Por agora, para compreender esse movimento será necessário primeiro conhecer alguns conceitos básicos do funcionamento desses fundos.

Em primeiro lugar, boa parte do capital dos fundos de inflação é aplicada em títulos públicos e privados que remuneram o investidor com um juros fixo + IPCA.

Desta maneira, carteira dos fundos de inflação é composta predominantemente pelas NTN-Bs (atuais Tesouro IPCA+). E é justamente por este motivo, que a maioria desses fundos utiliza como benchmark o IMA-B.

Taxa de Juros x Preço dos Títulos

Taxa de Juros, Tempo e Dinheiro

Em economia, quando começamos a estudar a política monetária e seus canais de transmissão, uma das primeiras “regras universais” que aprendemos é a relação inversa entre taxa de juros e os preços dos títulos.

Em outras palavras, quando a taxa de juros cai o preço dos títulos sobe. Quando a taxa de juros sobe, o preço dos títulos caem. Simples assim.

Digo que esse é um dos principais canais de transmissão da política monetária, pois é através dele que o governo administra a inflação, aumentando ou diminuindo o tamanho do patrimônio financeiro das famílias.

Afinal de contas, quando a taxa de juros subir, o valor dos títulos diminui e portanto o valor atual da carteira de investimentos de qualquer investidor será reduzido. A isso os economistas dão o nome de “efeito riqueza” da política monetária. Eu sei, é cruel, mas é assim que funciona.

A consequência? Com menos dinheiro as pessoas consomem menos e a inflação tende a baixar. A mesma regra vale para quando o governo precisa aquecer a economia.

No Brasil, uma de nossas “jabuticabas” que prejudica a política monetária (sendo inclusive um dos motivos de termos as maiores taxas de juros reais do mundo), é que esse canal de transmissão não funciona tão bem como deveria por algumas contaminações.

Para não fugir ainda mais do tema principal – os Fundos de Inflação – quem quiser saber mais detalhes sobre isso pode ver direto no blog do prof. Dr. José Luis Oreiro.

Agora voltando ao que realmente interessa nesse texto: Afinal, por que ocorrem as oscilações dos rendimentos desses fundos?

Altos e baixos nos rendimentos

As NTN-Bs que o fundo carrega são compostas por 2 tipos de remuneração. A primeira é um juro fixo e pré-determinado no momento da compra. A segunda é a inflação, nesse caso medida pelo IPCA, que seria pós-fixada. Ou seja, a segunda parte da remuneração, você só vai saber no futuro e não no momento da aplicação.

Recentemente o Mauro Halfeld, da CBN, fez um comentário bastante interessante sobre essa questão do rendimento híbrido e porque vale a pena investir nos Fundos de Inflação justamente quando a inflação cai.

O que nos importa nessa análise, é apenas a primeira parte fixa da remuneração. Portanto, a mesma regra valeria para um título que pagasse apenas juros pré-fixados, independente da inflação. Esses títulos existem e se chamam LTN (ou Tesouro Prefixado). Não se preocupe, você já vai entender o porquê.

Imagine um cenário base no qual você pretenda investir em um título prefixado e sabe que hoje a taxa básica de juros está em 10% ao 1 ano.

Depois de pesquisar no site do tesouro direto, você viu que o governo se compromete a te pagar exatamente R$ 1.100,00 por cada LTN no final do período de 12 meses.

Esse valor final é o que chamamos de “Valor de Face” de um título (as vezes também chamado de valor nominal ou valor de resgate).

Nessa situação, o valor máximo que você pagaria nesse título seria de R$ 1.000,00. Afinal, ao receber os R$ 1.100,00 do governo no fim do período, você teria um ganho de R$ 100,00. Ou seja, exatamente 10% de retorno sobre os R$ 1000,00 aplicados inicialmente.

Esses R$ 1.000,00 que você pagaria é o que chamamos de “Preço de Mercado” de um título (ou simplesmente valor atual ou presente).

Agora vamos supor que num cenário 2 o governo anuncie um aumento da taxa de juros para 15% ao ano.

As LTNs vão continuar pagando o mesmo valor de R$ 1.100,00 no final dos 12 meses. No entanto, você só vai conseguir um retorno de 15% sobre o valor investido, se comprar essas LTNs por um valor ainda menor.

Portanto, caso mais específico o valor máximo que você pagaria nos títulos seria de R$ 956,52. Assim, quando o título chegar ao valor final de R$ 1.100,00, você terá ganho R$ 143,48, ou 15% sobre os R$ 956,52 iniciais.

Por fim, o inverso é perfeitamente verdadeiro.

Suponha que em um cenário 3 o governo decidisse baixar as taxas básicas de juros de 10% para apenas 5%.

Para que o título chegue a um valor final de R$ 1.100,00 com apenas 5% de rendimento em 12 meses, você poderia pagar até R$ 1.047,62. O ganho dos R$ 52,38 seria equivalente a exatamente os 5% de retorno sobre o aporte inicial de R$ 1.047,62.

Percebeu o que aconteceu no cenário anterior?

Tomando um cenário base qualquer, quando o governo aumentar as taxas de juros o preço dos títulos imediatamente irá cair, como ocorrido no cenário 2. Note que com um preço de mercado menor, o valor atual da carteira do investidor que possui esses títulos também diminui nesse primeiro momento. Logo, esse investidor acabou ficando “mais pobre”, se ele desejar vender hoje seus títulos pelo valor atual, em vez de esperar até o vencimento.

Da mesma forma, se os juros caírem como no cenário 3, o preço dos títulos tende a subir, aumentando o valor patrimonial dos investidores que os possuírem.

A tabela a seguir resume bem essas variações:

CenárioTaxa SelicPreço da LTN
Cenário Base10%R$1.000,00
Cenário 215%? R$ 956,52 ?
Cenário 35%? R$ 1.047,62?

Ainda duvida que isso aconteça no mundo real? Então dá só uma olhada no que aconteceu nos últimos anos com a Taxa Selic e a cotação do IMA-B:

Selic x NTN-B 2024. Correlação inversa entre as variáveis.

Selic x NTN-B 2024. Correlação inversa entre as variáveis.

Veja só no gráfico as partes marcadas em laranja. Todas as vezes em que a taxa Selic caiu nos últimos 15 anos foram perfeitamente acompanhadas por um aumento de preço das NTN-B.

Incrível, não?

Agora, lembrando que os Fundos de Inflação são compostos por títulos que tem praticamente essas mesmas características, você entende perfeitamente o porque dessas oscilações ocorrerem.

Você só consegue perceber essas oscilações de forma simples, pois no Brasil, por lei, os fundos utilizam o sistema de Marcação a Mercado.

Opa, mais um conceito?!

Calma, não precisa se preocupar com isso agora.

Tudo que você precisa saber é que essa é uma regra de cálculo do valor das cotas de um fundo, que obriga o gestor a atualizar diariamente seus valores, mesmo que ele não tenha vendido nenhum dos títulos de sua carteira.

No futuro dedicarei um texto exclusivo para esse tema. Porém, se já aticei uma curiosidade em você sobre esse tema, você pode conferir um texto bem resumido sobre marcação a mercado do blog Crédito ou Débito.

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Agora que você já sabe como funcionam os Fundos de Inflação, o que influencia sua rentabilidade e como isso acontece, resta apenas mais uma dúvida:

Quando investir em Fundos de Inflação?

Quando Investir?

A hora perfeita para alocar seu dinheiro em qualquer tipo de investimento é a pergunta de 1 milhão de dólares que todos buscam.

No entanto acertar isso em geral não é algo trivial e nem a especialidade da grande maioria das pessoas.

Por isso, o correto na esmagadora maioria dos casos é montar uma carteira de investimentos diversificada e adequada ao perfil de cada investidor.

Antes de tomar qualquer decisão, é muito importante que você conheça seu perfil de investidor para fazer a escolha certa. Por isso preparamos um teste rápido, fácil e divertido de fazer e com uma surpresa especial no final.

É só clicar no botão abaixo e seguir o passo-a-passo:

Se você também não souber bem como montar uma carteira diversificada, não se preocupe. Estamos aqui exatamente pra isso! Basta entrar em contato com a gente por aqui.

Te garanto que você vai ter um bate-papo memorável sobre esse assunto e o Lucas vai te apresentar um novo mundo em relação aos investimentos.

Mas se mesmo assim você quer arriscar acertar no timming, a regra geral agora você já sabe:

  1. Vale a pena investir em Fundos de Inflação quando você esperar uma queda na taxa de juros no futuro;
  2. Da mesma forma, caso você espere uma elevação da taxa Selic no futuro, não conte com o dinheiro no curto prazo se decidir investir nesses fundos.

Vale lembrar que como você viu acima, a taxa de juros geralmente é utilizada pelo governo para controle da inflação. Portanto, se você espera uma economia aquecida com grandes elevações de preço, também espere por uma elevação das taxas de juros, mais cedo ou mais tarde.

Se, por outro lado, você percebe uma crise econômica e preços estáveis ou em queda (eu sei, quase uma lenda no Brasil), então conte com uma queda na taxa de juros no futuro.

Aproveite e já deixe seu comentário abaixo: no cenário atual, o que você espera da taxa de juros e inflação no futuro?

Além de escolher a melhor hora de investir, assim como todos os investimentos vale a pena considerar as demais vantagens e desvantagens dos Fundos de Inflação.

Veja algumas delas abaixo:

Vantagens dos Fundos de Inflação

  1. Renda Fixa com potencial de Variável: como visto acima, o retorno desse fundo mais se assemelha a um fundo de renda variável do que de renda fixa. Por isso, em anos de queda da taxa de juros esses fundos podem entregar excelentes resultados, como ocorrido em 2012 e 2016 com rendimentos de 26,68% e 24,81%, respectivamente;
  2. Liquidez: como esses fundos aplicam basicamente em títulos públicos, um dos mercados mais negociados do país, eles conseguem oferecer grande rapidez no momento de um resgate meio urgente e inesperado;
  3. Baixo investimento inicial: pelo mesmo motivo do item 2, é fácil encontrar bons fundos dessa categoria com um investimento inicial bem baixo, possibilitando tanto a entrada de pequenos investidores iniciantes, como também a dos grandes que desejam apenas diversificar parte menor de seu capital;
  4. Baixos custos: Por ser um fundo de renda fixa com relativa pequena complexidade operacional, as taxas de administração costumam ser baixas e não costumam ter taxa de performance. Ok, isso não é necessariamente um fator decisório, conforme argumentei no passado. Mas em todo caso achei justo destacar esse ponto;
  5. Gestão profissional: a vantagem básica de qualquer fundo de qualidade. Se você quer ganhar na especulação dos títulos públicos e não tem experiência nisso, a sua melhor opção é entregar essa tarefa a um profissional que entenda do assunto. Especular títulos sem o conhecimento e a experiência adequados podem causar prejuízos irreparáveis.

Desvantagens dos Fundos de Inflação

  1. Renda Fixa com potencial de Variável: sim, a vantagem desse fundo pode se tornar facilmente uma desvantagem. Se você não tem estômago para fortes oscilações no valor do seu patrimônio financeiro ou tem ainda uma intenção de curto prazo nos seus planos de investimentos, então corra desse tipo de fundo. Você pode acabar amargando prejuízos em um curto horizonte de tempo e essa não é a sua praia;
  2. Curto prazo: na mesma linha do primeiro item. Se você precisa do dinheiro a curto prazo, provavelmente existem opções mais interessantes pra você tanto para tomar risco, como para ficar em segurança;
  3. Faça você mesmo: Em alguns casos, se você se considera um investidor mais experiente e quiser apenas especular com as oscilações de mercado, então pode ser mais negócio você mesmo comprar os títulos no timming que desejar;
  4. Marcação a mercado: quando você compra um título por si mesmo e ele começa a se desvalorizar, você tem sempre a opção de mudar seus planos de resgate e segurar o investimento até o vencimento, garantindo a rentabilidade fixa combinada no momento da aplicação. No entanto, em um Fundo de Inflação, quem toma essa decisão é o gestor. Como na Marcação a Mercado, o valor das cotas do fundo é atualizada diariamente, você pode acabar tendo que resgatar esse investimento em momentos não muito propícios.

Bônus: Onde consigo investir em Fundos de Inflação?

Espero ter te ajudado a compreender mais sobre esse assunto, que realmente não é tão simples assim.

No entanto, se você se interessou por esse tipo de investimento, aqui vão alguns excelentes exemplares de Fundos de Inflação que vale a pena você conhecer.

Veja só como foi o desempenho deles nos últimos anos:

Fundos de Inflação - Opções do BNP Paribas e ICATU

Para saber mais sobre esses fundos e como começar a investir neles, sinta-se à vontade para para entrar em contato. É só nos enviar suas dúvidas e comentários abaixo:

Será um enorme prazer conversarmos sobre esse e muitos outros temas de investimentos. Essa é a nossa paixão!

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